segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lembranças de Outra Encarnação

A menina com problemas de aprendizagem

Este é o caso de uma menina que quando ainda estava no jardim de infância, passou um momento difícil com as letrinhas.

O fato é que ela misturava as letras de um modo estranho. Ela trocava B com V e  H com N. A menina teimava que ela estava certa e o mundo, errado. A situação foi tão curiosa que a professora não sabia como essas letras poderiam confundir a criança. A professora chamou a mãe e explicou o caso, fez perguntas, mas nem mesmo a mãe dela sabia porque ela misturava tudo. Então, em uma certa noite, a mãe dela estava “brincando de ler” um livrinho.

“Ela ficava me perguntando o som das letrinhas. Ela não parava de dizer: “Eu não me lembro delas.”  Mostrei-lhe um H e perguntei a ela se  lembrava aquela. Ela balançou a cabeça e disse, com confiança, que sim. Para ela aquela letra fazia o som  de ‘N’.

Ao ver as letras do alfabeto, a menina disse que faltavam letras. A mãe achou aquilo estranho,  e perguntou a ela  o tipo de cartas que ela achava que havia e ela desenhou algumas:

”Tem mais do que isso, também” – disse ela.

A mãe assustada, ao se deparar com a filha pequena escrevendo em cirílico perguntou onde ela aprendeu aquelas letrinhas.

- “Vlad me ensinou antes de desaparecer.” – Ela disse, lacônica como toda criança pequena.

A mãe então perguntou a ela  quem era Vlad.

A menina, para espanto da mãe, disse que ele era seu irmão. (nota: a garotinha não tinha irmão) Ela disse que Vlad ensinava ela a escrever. Mas então ele desapareceu.  ”E no dia seguinte, um homem veio e matou a nossa família”.

Imagina o susto que essa mãe levou? Como explicar um caso desses?

Atualmente, na Universidade de Virgínia, uma das mais prestigiosas universidades públicas dos Estados Unidos,  pesquisadores da área de saúde mental dedicam-se (já há décadas) a investigar esse estranho fenômeno.  À frente da Divisão de Estudos da Personalidade está o mais famoso pesquisador sobre o assunto, o já octogenário Ian Stevenson. Seus livros e textos em publicações científicas descrevem casos de crianças que se recordariam de vidas passadas e de pessoas com marcas de nascença que teriam sido originadas por cicatrizes de existências anteriores.

Stevenson e sua equipe avaliam casos de reencarnação da forma que consideram a mais acurada possível. Fazem entrevistas, confrontam a versão narrada com documentações, comparam descrições com fatos que só familiares da pessoa morta poderiam saber. Por tudo isso, ele se tornou um dos maiores responsáveis por ajudar a deslocar – ainda que apenas um pouco – o conceito de reencarnação do campo da fé e do misticismo para o campo da ciência.

O professor Jim B. Tucker, da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, estuda e atende casos de depressão e outros distúrbios em crianças e adolescentes. Tem especial interesse por casos de crianças que alegam ter lembranças de vidas passadas. Ele mesmo alega ter visto (ao vivo) muitos casos, e tem cerca de 2500 casos já estudados e catalogados de lembranças de outras vidas.
Segundo ele, a mais forte evidência envolve declarações documentadas que alguma criança tenha feito e que se provaram verdadeiras em relação a uma pessoa que viveu a uma distância significativa. O dr. Jünger Keil (pesquisador da Universidade de Tasmânia, na Austrália) investigou um caso na Turquia no qual um garoto deu muitos detalhes sobre um homem que tinha vivido a 850 quilômetros e morrido 50 anos antes de o menino ter nascido.
Como ele poderia saber?

Eis o mistério.

A criança que reconheceu sua família inteira da vida anterior

Um dos casos mais classicos é o de Swarnlata Mishra, uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia. A história é descrita em um dos livros de Stevenson, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation (“Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, sem versão brasileira), e se assemelha a outros registrados pelo mundo sobre lembranças reveladoras ocorridas, principalmente, na infância. Mas, ao contrário da maioria, não está relacionado a mortes violentas, confrontos ou traumas.
A história de Swarnlata é simples. Aos 3 anos de idade, viajava com seu pai quando, de repente, apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e pediu ao motorista que seguisse por ela até onde estava o que chamou de “minha casa”. Lá, disse, poderiam tomar uma xícara de chá. Katni está localizada a mais de 160 quilômetros da cidade da menina, Pradesh. Logo em seguida, Swarnlata começou a descrever uma série de detalhes sobre sua suposta vida em Katni. Disse que lá seu nome fora Biya Pathak e que tivera dois filhos. Deu detalhes da casa e a localizou no distrito de Zhurkutia. O pai da menina passou a anotar as “memórias” da filha.
Sete anos depois, em 1959, ao ouvir esses relatos, um pesquisador de fenômenos paranormais, o indiano Sri H. N. Banerjee, visitou Katni. Pegou as anotações do pai de Swarnlata e as usou como guia para entrevistar a família Pathak. Tudo o que a menina havia falado sobre Biya (morta em 1939) batia. Até então, nenhuma das duas famílias havia ouvido falar uma da outra.
Naquele mesmo ano, o viúvo de Biya, um de seus filhos e seu irmão mais velho viajaram para a cidade de Chhatarpur, onde Swarnlata morava. Chegaram sem avisar. E, sem revelar suas identidades ou intenções aos moradores da cidade, pediram que nove deles os acompanhassem à casa dos Mishra. Stevenson relata que, imediatamente, a menina reconheceu e pronunciou os nomes dos três visitantes. Ao “irmão”, chamou pelo apelido.
Semanas depois, seu pai a levou para Katni para a casa onde ela dizia ter vivido e morrido. Swarnlata, conta Stevenson, tratou pelo nome cada um dos presentes, parentes e amigos da família. Lembrou-se de episódios domésticos e tratou os filhos de Biya (então na faixa dos 30 anos) com a intimidade de mãe. Swarnlata tinha apenas 11 anos.
As duas famílias se aproximaram e passaram a trocar visitas – aceitando o caso como reencarnação. O próprio Stevenson testemunhou um desses encontros, em 1961. Ao contrário de muitos casos de memórias relatadas como de vidas passadas, as da menina continuaram acompanhando-a na fase adulta – quando Swarnlata já estava casada e formada em Botânica.

Mãe, eu morri!

Uma mãe conta que estava perto de sua filha de 3 ou 4 anos de idade quando ela se virou para a mãe e disse essa frase assustadora.

É estranho isso sair da boca de uma criança. Mais incrível ainda foi a calma com que a mãe se abaixou e pediu para ela explicar direito como ela “morreu”.

A menina disse que suas irmãs e irmãos eram chamados  ”Imp” e que ela dormia em uma cama dura e tomava banhos frios, que ela tinha um “pé engraçado” e que ela perdeu Maggie. Ela então passou a dizer:

“Os homens nos levaram para o quarto escuro e fui “bang- bang-bang”. Eu caí e minha cabeça doía, e então eu estava no céu com Nicky”.

A menina tinha memorias confusas, e  não disse muita coisa, exceto que Nicky era seu irmão mais velho. Certamente que o  bang, bang, bang, eram tiros de alguma arma. A mãe conta que hoje a menina já tem 16 anos e ainda fala sobre coisas como estas, mas em seu sono. “Certa vez, ela falou em russo fluentemente”.

Há um interessante documentário que trata deste assunto, que gostaria de dividir com vocês:

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Espiritismo no programa Encontro de Fátima Bernardes 29/10/2013

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Casos de Reencarnação

Casos de pessoas que teriam reencarnado. Confira as histórias de supostas reencarnações que também envolvem crianças e fatos surpreendentes.
Não estamos aqui para discutir religião e nem julgar se os fatos abaixo são verdadeiros ou falsos. 
No entanto, existem histórias que realmente surpreendem até os mais céticos, como você poderá conferir nessa lista divulgada no List Verse.
A questão é que, apesar de as histórias de reencarnação nunca poderem realmente ser comprovadas de fato, alguns casos têm elementos que são incompreensíveis, especialmente quando as histórias vêm de crianças jovens demais para ter muito conhecimento do mundo. Confira abaixo algumas delas. Você acredita ou não?


CASOS MISTERIOSOS COMO O DE EDWARD AUSTRIAN
O filho de quatro anos de idade de Patricia Austrian, Edward, tinha uma fobia de dias chuvosos e cinzentos. Em seguida, ele desenvolveu um problema com a garganta e começou a se queixar de dor intensa, dizendo que o seu “tiro estava doendo”. 
Edward então passou a contar para a sua mãe histórias muito detalhadas sobre sua vida anterior nas trincheiras que estava, aparentemente, na Primeira Guerra Mundial.
Ele lhe contou que tinha 18 anos, quando foi baleado na garganta e morreu na guerra, descrevendo todo o cenário. 
Sua mãe resolveu levá-lo aos médicos, que não conseguiram encontrar uma causa para sua dor de garganta e removeram as amígdalas, como medida de precaução.
Após esse processo, um cisto se desenvolveu na garganta de Edward e os médicos não sabiam como tratá-lo. 
Assim que Edward foi solicitado a dizer a seus pais e outras pessoas um pouco mais sobre sua vida passada e como ele foi morto, o cisto desapareceu. Os médicos nunca descobriram por que o cisto sumiu.


O RELÓGIO HOLANDÊS
Em 1990, o canadense Bruce Whittier começou a ter sonhos recorrentes de ser um homem judeu se escondendo em uma casa com sua família. 
Segundo as suas lembranças, seu nome era Stefan Horowitz, um judeu holandês que foi descoberto em seu esconderijo junto com sua família e levado para Auschwitz, onde morreu.
Durante e após os sonhos, ele se sentia em pânico e inquieto. Então, ele começou a gravar seus sonhos e uma noite ele sonhou com um relógio, que ele era capaz de desenhar com muitos detalhes.
Ele sonhou também sobre onde estava o relógio atualmente, que era em uma loja de antiguidades e foi conferir se estava lá. E realmente estava na vitrine, sendo exatamente como ele recordava dos sonhos. 
De acordo com o vendedor da loja, o item havia sido comprado na propriedade de um alemão aposentado na Holanda e Bruce se convenceu de que realmente o que sonhava era sobre a sua vida passada.


PETER HUME E A ÁRVORE
Peter Hume, de Birmingham, na Inglaterra, começou a ter um sonho muito específico sobre a vida de guarda na fronteira escocesa, em 1646. Segundo as suas lembranças, ele era um soldado do exército de Cromwell e seu nome era John Raphael.
Quando colocado sob hipnose, Hume lembrou mais detalhes e locais. Ele começou a visitar os lugares que se lembrava com seu irmão e até encontrou pequenos itens que pareciam ter vindo da época em que ele viveu.
Com a ajuda de um historiador em Culmstock, sul da Inglaterra, ele ainda conseguiu identificar positivamente detalhes de seus sonhos sobre uma igreja que ele havia conhecido e foi capaz de dizer que a igreja tinha uma torre com uma árvore. 
Este não era um fato divulgado e surpreendeu que Hume soubesse disso. Nos registos locais, John Raphael foi um homem que casou nessa mesma igreja.
Apesar dessas evidências, Hume foi entrevistado por hipnose por um historiador, que alegou não estar satisfeito com os resultados, dizendo que o homem não estava em sintonia com os fatos da época.


Gus Taylor e seu avô
Gus Taylor tinha um ano e meio de idade, quando começou a dizer que ele era seu próprio avô, Augie. É fato que as crianças pequenas podem se confundir com a sua própria identidade e as de seus familiares, mas esse caso era diferente.
Seu avô tinha morrido um ano antes de Gus nascer. Porém, a família guardava u segredo nunca dito na frente ou perto de Gus: a irmã de seu avô tinha sido assassinada e jogada na baía de San Francisco. 
Esse segredo, porém, foi citado por Gus, quando ele tinha quatro anos de idade e começou a falar sobre a sua irmã morta. A família ficou em choque.
Ainda de acordo com as supostas lembranças de Gus, Deus lhe deu um bilhete logo depois que ele morreu e, com esse bilhete, ele foi capaz de viajar por um túnel e depois voltou à vida com a nova identidade, como seu próprio neto.


O CASO DE IMAD ELAWAR 
O garoto libanês de cinco anos, Imad Elawar, começou a falar sobre sua vida em uma aldeia vizinha, citando os nomes “Jamile” e “Mahmoud” desde que tinha dois anos de idade. Ele dizia que essas pessoas tinham sido seus vizinhos.
Com esses fatos rolando na família, a criança e seus pais foram investigados por um especialista. Imad fez 55 revelações diferentes sobre a sua vida passada e a família visitou a aldeia que o menino citava, juntamente com o especialista.
Eles encontraram a casa que Imad afirmava ter vivido e ainda identificaram 51 fatos e experiências mencionadas por ele, que foram confirmadas como exatas. Com fotos, Imad reconheceu um tio distante, Mahmoud, e sua amante da vida passada, Jamile.


STEVE JOBS E O GRUPO BUDISTA 
Essa história não é bem sobre uma suposta reencarnação, mas como alguns religiosos orientais encararam a morte de Steve Jobs.
O engenheiro de software chamado Tony Tseung, um funcionário da Apple, enviou um e-mail para um grupo budista na Tailândia, perguntando se eles poderiam ser capazes de dizer a ele o que tinha acontecido com o fundador da marca, Steve Jobs, depois que ele morreu. 
A resposta foi que Jobs é agora um filósofo celestial e mora em um palácio de vidro que paira sobre a sede da Apple em Cupertino, na Califórnia.
Já na Malásia, logo após a morte do gênio da Apple, um grupo de admiradores realizou uma cerimônia religiosa em que cada pessoa dava uma mordida em uma maçã e a jogava no mar a fim de “acelerar o processo de reencarnação”. 
Um dos participantes da cerimônia acredita que Jobs já renasceu, mas como uma presença divina com interesse específico em ciência e arte.

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sábado, 3 de novembro de 2012

Ninguém é dono de nada - As Leis Morais - Rodolfo Calligaris 1967 - Caridade Moral





175 À medida que se adianta espiritualmente, o homem passa a compreender que, em última análise, ninguém é dono de nada, pois tudo pertence a Deus, sendo, todos nós, meros usufrutuários dos bens terrenos, já que eles não poderão seguir conosco, de forma alguma, além das fronteiras da "morte". Por conseguinte, se a Providência no-los confia, por determinado período, não é para que os utilizemos em proveito exclusivamente familiar, mas para que aprendamos a movimentá-los em benefício de todos, dando-lhes uma função social.

176 Filhos que somos do Pai Celestial e portanto co-herdeiros do Universo, dia virá - se bem que assaz longínquo - quando, libertos, por merecimento, do ciclo de reencarnações em mundos grosseiros como o nosso, haveremos de tornar-nos puros espíritos, tendo por morada as suaves e maravilhosas esferas siderais.

Será, então, com imensa autopiedade que nos recordaremos desta fase de nossa evolução em que tão grande é o nosso apego a uns pedacinhos de chão lamacento e tão desesperada a nossa luta por uns papeizinhos coloridos, estampados na Casa da Moeda...


181 Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.


Além dessa caridade, de ordem material, outra existe - a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e,  não obstante, é a mais difícil de ser praticada.


Exemplos? Eis alguns:


Seríamos caridosos se, fazendo bom uso de nossas forças mentais, vibrássemos ou orássemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.

Seríamos caridosos se, em determinadas situações, nos fizéssemos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto desprezivo de quem se julgue superior a nós.


182 Seríamos caridosos se, com sacrifício de nosso valioso tempo, fôssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo de antemão nada podermos fazer por ele, senão dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.


Seríamos caridosos se, ao revés, soubéssemos fazer-nos momentaneamente surdos quando alguém, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com expressões irônicas ou zombeteiras.


Seríamos caridosos se, disciplinando nossa língua, só nos referíssemos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante notícias que, mesmo sendo verdadeiras, só sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputação alheia.


Seríamos caridosos se, embora as circunstâncias a tal nos induzissem, não suspeitássemos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer juízo apressado e temerário contra eles, mesmo entre os familiares.


Seríamos caridosos se, percebendo em nosso irmão um intento maligno, o aconselhássemos a tempo, mostrando-lhe o erro e despersuadindo-o de o levar a efeito.


Seríamos caridosos se, privando-nos, de vez em quando, do prazer de um programa radiofônico ou de TV de nosso agrado, visitássemos pessoalmente aqueles que, em leitos hospitalares ou de sua residência, curtem prolongada doença e anseiam por um pouco de atenção e afeto.


183 Seríamos caridosos se, embora essa atitude pudesse prejudicar nosso interesse pessoal, tomássemos, sempre, a defesa do fraco e do pobre, contra a prepotência do forte e a usura do rico.


Seríamos caridosos se, mantendo permanentemente uma norma de proceder sereno e otimista, procurássemos criar em torno de nós uma atmosfera de paz, tranquilidade e bom humor.


Seríamos caridosos se, vez por outra, endereçássemos uma palavra de aplauso e de estímulo às boas causas e não procurássemos, ao contrário, matar a fé e o entusiasmo daqueles que nelas se acham empenhados.


Seríamos caridosos se deixássemos de postular qualquer benefício ou vantagem, desde que verificássemos haver outros direitos mais legítimos a serem atendidos em primeiro lugar.


Seríamos caridosos se, vendo triunfar aqueles cujos méritos sejam inferiores aos nossos, não os invejássemos e nem lhes desejássemos mal.


184 Seríamos caridosos se não desdenhássemos nem evitássemos os de má vida, se não temêssemos os salpicos de lama que os cobrem e lhes estendêssemos a nossa mão amiga, ajudando-os a levantar-se e limpar-se.


Seríamos caridosos se, possuindo alguma parcela de poder, não nos deixássemos tomar pela soberba, tratando, os pequeninos de condição, sempre com doçura e urbanidade, ou, em situação inversa, soubéssemos tolerar, sem ódio, as impertinências daqueles que ocupam melhores postos na paisagem social.


Seríamos caridosos se, por sermos mais inteligentes, não nos irritássemos com a inépcia daqueles que nos cercam ou nos servem.


Seríamos caridosos se não guardássemos ressentimento daqueles que nos ofenderam ou prejudicaram, que feriram o nosso orgulho ou roubaram a nossa felicidade, perdoando-lhes de coração.


Seríamos caridosos se reservássemos nosso rigor apenas para nós mesmos, sendo pacientes e tolerantes com as fraquezas e imperfeições daqueles com os quais convivemos, no lar, na oficina de trabalho ou na sociedade.


E assim, dezenas ou centenas de outras circunstâncias poderiam ainda ser lembradas, em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstração de simpatia, seriam expressões inequívocas da maior de todas as virtudes.


185 Nós, porém, quase não nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.


Porquê?


É porque esse tipo de caridade não chama a atenção, nem provoca glorFificações.


Nós traímos, empregamos a violência, tratamos os outros com leviandade, desconfiamos, fazemos comentários de má fé, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos ódios, praticamos vinganças, fomentamos intrigas, espalhamos inquietações, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdiçamos fortunas no vício e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da Caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum serviço, raras vezes agimo sob a inspiração do amor ao próximo; via de regra fazemo-lo por mera ostentação, ou por amor a nós mesmos, isto é, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.


Quão longe estamos de possuir a verdadeira caridade!


Somos, ainda, demasiadamente egoístas e miseravelmente desprovidos do espírito de renúncia para praticá-la...


186 Mister se faz, porém, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de nós mesmos em benefício de nossos semelhantes, porque "a caridade é o cumprimento da Lei".

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sábado, 20 de outubro de 2012

Errando também se aprende - As Leis Morais - Rodolfo Calligaris 1967

44 "Errando também se aprende", diz um refrão popular. E muito, acrescentamos nós. De sorte que passar do estado de inocência, ou seja, de total inconsciência para o de culpabilidade, em virtude de engano na escolha de certo modo de agir, não significa retrogradar, mas sim ganhar tirocínio, desenvolver a capacidade de discernimento, sem o que nenhum avanço seria possível.
Em qualquer ramo de Ciência, depois de uma dezena de experimentações diferentes mal sucedidas, o pesquisador estará inevitavelmente mais próximo da solução que persegue do que antes de iniciá-las, porque os resultados obtidos, embora negativos, lhe terão fornecido preciosos subsídios a respeito, indicando-lhe o melhor rumo a tomar.

-45 Como se sabe, milhares e milhares de coisas que tanto conforto e bem-estar oferecem, hoje, à Humanidade, são frutos de uma série enorme de fracassos, senão mesmo de desastres e de sacrifícios cruciantes, que afinal se transformaram em grandes e esplêndidos triunfos.
Pois bem! O mesmo sucede na conquista da perfeição. Advertidos pela Dor a cada falta que cometemos, vamos aprendendo a evitá-las.
Os que perfilham doutrinas anti-reencarnacionistas não aceitam que todas as almas sejam criadas "com iguais aptidões para evoluir" e nem aceitam que as diferenças atuais dessas almas, em saber e moralidade, sejam o resultado de progressos realizados em existência pregressas, como ensina o Espiritismo.
Essas diferenças, no entanto, são reais, incontestáveis e ressaltam à vista de qualquer um, mas, como não encontram uma causa anterior para justificá-las, dizem: é porque... Deus as tem criado assim, desiguais e sem as mesmas aptidões!
A que se reduziria, neste caso, a Justiça Divina? -

175 À medida que se adianta espiritualmente, o homem passa a compreender que, em última análise, ninguém é dono de nada, pois tudo pertence a Deus, sendo, todos nós, meros usufrutuários dos bens terrenos, já que eles não poderão seguir conosco, de forma alguma, além das fronteiras da "morte". Por conseguinte, se a Providência no-los confia, por determinado período, não é para que os utilizemos em proveito exclusivamente familiar, mas para que aprendamos a movimentá-los em benefício de todos, dando-lhes uma função social.


176 Filhos que somos do Pai Celestial e portanto co-herdeiros do Universo, dia virá - se bem que assaz longínquo - quando, libertos, por merecimento, do ciclo de reencarnações em mundos grosseiros como o nosso, haveremos de tornar-nos puros espíritos, tendo por morada as suaves e maravilhosas esferas siderais.

Será, então, com imensa autopiedade que nos recordaremos desta fase de nossa evolução em que tão grande é o nosso apego a uns pedacinhos de chão lamacento e tão desesperada a nossa luta por uns papeizinhos coloridos, estampados na Casa da Moeda...


181 Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.


Além dessa caridade, de ordem material, outra existe - a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e,  não obstante, é a mais difícil de ser praticada.


Exemplos? Eis alguns:


Seríamos caridosos se, fazendo bom uso de nossas forças mentais, vibrássemos ou orássemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.

Seríamos caridosos se, em determinadas situações, nos fizéssemos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto desprezivo de quem se julgue superior a nós.


182 Seríamos caridosos se, com sacrifício de nosso valioso tempo, fôssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo de antemão nada podermos fazer por ele, senão dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.


Seríamos caridosos se, ao revés, soubéssemos fazer-nos momentaneamente surdos quando alguém, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com expressões irônicas ou zombeteiras.


Seríamos caridosos se, disciplinando nossa língua, só nos referíssemos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante notícias que, mesmo sendo verdadeiras, só sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputação alheia.


Seríamos caridosos se, embora as circunstâncias a tal nos induzissem, não suspeitássemos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer juízo apressado e temerário contra eles, mesmo entre os familiares.


Seríamos caridosos se, percebendo em nosso irmão um intento maligno, o aconselhássemos a tempo, mostrando-lhe o erro e despersuadindo-o de o levar a efeito.


Seríamos caridosos se, privando-nos, de vez em quando, do prazer de um programa radiofônico ou de TV de nosso agrado, visitássemos pessoalmente aqueles que, em leitos hospitalares ou de sua residência, curtem prolongada doença e anseiam por um pouco de atenção e afeto.


183 Seríamos caridosos se, embora essa atitude pudesse prejudicar nosso interesse pessoal, tomássemos, sempre, a defesa do fraco e do pobre, contra a prepotência do forte e a usura do rico.


Seríamos caridosos se, mantendo permanentemente uma norma de proceder sereno e otimista, procurássemos criar em torno de nós uma atmosfera de paz, tranquilidade e bom humor.


Seríamos caridosos se, vez por outra, endereçássemos uma palavra de aplauso e de estímulo às boas causas e não procurássemos, ao contrário, matar a fé e o entusiasmo daqueles que nelas se acham empenhados.


Seríamos caridosos se deixássemos de postular qualquer benefício ou vantagem, desde que verificássemos haver outros direitos mais legítimos a serem atendidos em primeiro lugar.


Seríamos caridosos se, vendo triunfar aqueles cujos méritos sejam inferiores aos nossos, não os invejássemos e nem lhes desejássemos mal.


184 Seríamos caridosos se não desdenhássemos nem evitássemos os de má vida, se não temêssemos os salpicos de lama que os cobrem e lhes estendêssemos a nossa mão amiga, ajudando-os a levantar-se e limpar-se.


Seríamos caridosos se, possuindo alguma parcela de poder, não nos deixássemos tomar pela soberba, tratando, os pequeninos de condição, sempre com doçura e urbanidade, ou, em situação inversa, soubéssemos tolerar, sem ódio, as impertinências daqueles que ocupam melhores postos na paisagem social.


Seríamos caridosos se, por sermos mais inteligentes, não nos irritássemos com a inépcia daqueles que nos cercam ou nos servem.


Seríamos caridosos se não guardássemos ressentimento daqueles que nos ofenderam ou prejudicaram, que feriram o nosso orgulho ou roubaram a nossa felicidade, perdoando-lhes de coração.


Seríamos caridosos se reservássemos nosso rigor apenas para nós mesmos, sendo pacientes e tolerantes com as fraquezas e imperfeições daqueles com os quais convivemos, no lar, na oficina de trabalho ou na sociedade.


E assim, dezenas ou centenas de outras circunstâncias poderiam ainda ser lembradas, em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstração de simpatia, seriam expressões inequívocas da maior de todas as virtudes.


185 Nós, porém, quase não nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.


Porquê?


É porque esse tipo de caridade não chama a atenção, nem provoca glorFificações.


Nós traímos, empregamos a violência, tratamos os outros com leviandade, desconfiamos, fazemos comentários de má fé, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos ódios, praticamos vinganças, fomentamos intrigas, espalhamos inquietações, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdiçamos fortunas no vício e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da Caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum serviço, raras vezes agimo sob a inspiração do amor ao próximo; via de regra fazemo-lo por mera ostentação, ou por amor a nós mesmos, isto é, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.


Quão longe estamos de possuir a verdadeira caridade!


Somos, ainda, demasiadamente egoístas e miseravelmente desprovidos do espírito de renúncia para praticá-la...


186 Mister se faz, porém, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de nós mesmos em benefício de nossos semelhantes, porque "a caridade é o cumprimento da Lei".

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