quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Espada e harpa / Faca e lâmpada

Nenhum dos dois lugares pode viver sem o seu oposto complementar. A Cornualha precisa ir para a Irlanda, ou a Irlanda virá para a Cornualha.
Se aprendêssemos a viver o Feminino de uma maneira mais consciente, as vendas de aspirina diminuiriam drasticamente!
O trabalho do herói é específico: empreender a jornada interior, enfrentar os dragões e gigantes que lá existem e encontrar o tesouro escondido. O papel externo do herói é cada vez menos importantes nos dias de hoje: castelos a conquistar e dragões a serem abatidos estão em falta.
Duas coisas são necessárias a um herói: uma espada e uma harpa. Com a espada, o herói enfrenta o Mundo agressivamente, assume o controle da situação, posiciona-se firmemente, derrota o adversário. Existem ocasiões em que precisamos ser lógicos e analíticos. Às vezes precisamos nos posicionar com firmeza, mas também existem ocasiões em que nem a lógica nem a força nos podem ajudar; é então que precisamos recorrer à harpa. A harpa permite que o herói coloque a espada a serviço de um ideal nobre. Para ser completo, o herói necessita ter as duas coisas, pois sem a espada a harpa se torna ineficaz e sem a harpa a espada fica reduzida ao egoísmo. A espada não é capaz de construir relacionamentos; ela não pode resolver coisa alguma, não pode unir as coisas; ela só consegue rasgar. Se você quiser 'juntar os pedaços' e construir um  bom relacionamento, então vai precisar de aprender a usar a linguagem da harpa. A espada fere e separa, a harpa une e cicatriza.
Enigmas servem pra serem decifrados
É preciso que Tristão vá à Irlanda ou jamais chegará até Isolda a Bela.
Ele coloca de lado a espada, entra num barco sem vela e sem remos e, levando consigo apenas a harpa, deixa-se levar ao sabor do mar.
Chega um momento na vida de um homem em que o ego não tem mais respostas, ele não sabe o suficiente, não dispõe dos recursos necessários para reesolver uma situação impossível. Por onde quer que Tristão procurasse, ninguém na Cornualha era capaz de curar sua doença. Em momentos assim, o homem precisa abrir mão do comando, precisa lembrar-se das palavras de Tristão: 'Gostaria de tentar o mar que conduz a todas as possibilidades... a que terra, não importa, para que meus ferimentos cicatrizem'. Ele precisa entregar-se ao inconsciente e vagar em suas correntes até encontrar uma nova ilha de consciência para este estágio de sua vida. Uma das grandes virtudes do feminino interior (não especificamente às mulheres) é a capacidade de se soltar, de abrir mão do controle do ego, de parar de tentar controlar as pessoas e as situações, de deixar as circunstâncias a cargo do destino e ceder ao curso natural do universo.
Deixar a espada significa parar de tentar entender pelo intelecto ou pela lógica, parar de tentar forçar as coisas. Usar a harpa significa esperar pacientemente, ouvindo a voz suave que vem de dentro, esperar pela sabedoria que vem não da lógica ou da atividade, mas do sentimento, da intuição, do não racional e do lírico.
Só o que está separado pode ser devidamente unido. Quando duas coisas estão misturadas de forma confusa, elas precisam ser desembaraçadas, separadas e identificadas, para que mais tarde possam ser reunidas numa síntese proveitosa. O que é desmontado deve ser montado outra vez.

Robert A. Johnson