quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Primavesi e a deficiência mineral nos animais...

Trecho da biografia de Ana Primavesi (de Virgínia M. Knabben):
[...] O gado estava derrubando a cerca? Falta de cobre. Novilhas ariscas, que quebram cercas, ou gado zebu muito nervoso: deficiência de magnésio. A falta de cobalto levava a alguns sintomas: os animais (vacas, cabras, coelhos) roíam cascas de árvores, ou os bezerros ficavam tristes (ela observava isso pela cauda), com pelos eriçados, e morriam de inanição. Essa deficiência também levava as vacas a tremores musculares... Potros e bezerros morrem poucos dias depois do nascimento, fracos, apesar de terem nascido grandes? Deficiência de iodo. A falta de cloro leva as vacas à morte depois da parição, ou a deficiência de cálcio em capim rico em ácido oxálico faz com que as vacas fiquem com a cara inchada. Porcos com eczemas, falta de zinco. Ovelhas com lã muito grossa, pouco ondulada, e que da cor preta passa para a ruiva, além de aproximadamente 20% dos cordeirinhos nascerem com as patinhas traseiras paralíticas, também é deficiência de cobre. Frangos e coelhos com ossos deformados, pernas curvas, ou porcos com excesso de gordura, com abortos frequentes, falta de manganês. Se o gado tem apetite depravado e come de tudo (plásticos, chapéus, ossos), significa que está com "mal de paleta", com cio irregular. Isso se corrige com fósforo, dizia ela.
[...] Por que tem enchente? Porque a água não penetra, portanto seu solo está duro. Por que tem tanto cupim? Porque o cupim sabe que em solo compactado a água não penetra, então ele pode construir seus túneis e ninhos à vontade, pois nenhuma chuva vai fazê-los desmoronar. Cuide de seu solo e o cupim vai embora sozinho.

Ana Primavesi e a análise de solos

Trecho da biografia de Ana Primavesi (de Virgínia M. Knabben):
[...] A equipe responsável no arquipélago pelas áreas de agricultura e meio ambiente era composta por Ana Primavesi, Baltasar, Xiri, Moacir e um engenheiro agrônomo sobrinho do governador. No primeiro dia de saída a campo, percorreram os lugares em dois jipes. No primeiro, iam Ana Primavesi, o governador e seu sobrinho e mais duas pessoas. Atrás, no outro veículo, estavam os agrônomos. 'Balta', Xiri e Moacir, que conta:
"Paramos num primeiro lugar e a Primavesi disse: 'Vamos cavar ali?' Fez o buraco, pegou a terra, fez anotações no livrinho que trazia com ela, colocou a amostra no saquinho e o fechou. Ela pegava as folhas, analisava e anotava. Nós, ali, só observando, ela ia, cavocava, recolhia a terra, as folhas, escrevia no livrinho, seguia em frente. Até que eu falei para o governador: o senhor vai ter uma despesa extra. Tínhamos um monte de amostras, e eu pensei: vou mandar para a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) as amostras de solos, e a parte foliar para a Faculdade de Agronomia de Botucatu. Primavesi fez o relatório referente àquelas amostras, ali mesmo, e mandou pra mim. Lá estava: esse solo tem tais e tais elementos, está deficiente naquilo... Eu falei que não, não ia aceitar aqueles dados sem os resultados das análises. Esperamos seis meses, nosso trabalho todo atrasado por causa disso, e quando finalmente os resultados chegaram, bateu tudo com o que ela tinha apresentado no relatório, inclusive a deficiência aguda de cálcio nas plantas em um solo riquíssimo em cálcio, mas inacessível para as raízes por causa da compactação intensa do solo."

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sábado, 17 de setembro de 2016

A formação e o fortalecimento do sistema nervoso - Carin Primavesi

A mãe de Zezinho, aluno da 2ª série (atual 3º ano do ensino fundamental), é chamada toda semana na escola. O garoto precisa ir ao psiquiatra, dizem a professora e a coordenadora. Sua hiperatividade é exacerbada, não fica quieto na aula, atrapalha os outros, não consegue prestar atenção. Mas a mãe não quer lher dar medicamentos. A professora e a coordenadora dão um ultimato: assim ele não poderá continuar na escola. Ou ele é medicado e sossega, ou vai ser expulso! Ninguém consegue dar aula com esse menino junto! Além de ele ir mal, pois não presta atenção, em casa não faz as lições, fica só pulando de lá pra cá. Pressionada, a mãe procurou auxílio médico e terapêutico. Inicialmente foi analisada a maneira como a família lidava com ele. Mãe e filho ainda viviam numa simbiose edípica, que já deveria ter sido resolvida: ele dormia uma vez por semana na cama dos pais, às 23h ainda tomava uma mamadeira e dormia com um ursinho da época de bebê. A família foi aconselhada a modificar hábitos e atitudes inadequadas, fazendo os diversos desmames que ainda não tinham sido feitos. Para fortalecimento de seu sistema nervoso, foram-lhe receitados um vermífugo e depois um complexo vitamínico mineral amplo junto com levedura de cerveja, rica em vitaminas do tipo B.
A dependência mãe-filho foi rompida e o menino modificou seu comportamento, demonstrando interesse e comprometimento na realização das tarefas escolares. Depois, à medida que seu sistema nervoso se fortalecia, conseguiu ficar menos agitado e aumentar sua capacidade de concentração. A felicidade dos pais era indescritível! A coordenadora e a professora ficaram admiradíssimas e quiseram saber como ocorrera tamanha mudança. Em dois anos ainda se tornou o melhor aluno da turma! [...]

Marcela está no 4º ano do ensino fundamental e é extremamente lenta. Sua melhor nota é 1,5. Lê com dificuldade, escreve com tanto vagar que não consegue copiar as coisas do quadro, e até para falar ela é lenta. A conselho médico iniciou um tratamento com vermífugo, tomou vitamina B1 com alguns aminoácidos essenciais e um complexo vitamínico mineral amplo que continha também cobre e zinco. Após três meses, seu desempenho escolar melhorou consideravelmente: tirou 8,5 em matemática e 8 em português. Ela está radiante. As notas levantaram sua autoestima. "Eu não sou burra", diz ela. Mas nem era problema de inteligência. Suas notas foram para 9. A mãe interrompeu o tratamento com os fortificantes, "porque dava um trabalho extra e a menina já estava boa". Dois meses após a parada do fortalecimento do sistema nervoso, ela voltou à estaca inicial. [...]

Um empresário desabafa: "Nossa filha de 8 anos não consegue se concentrar, não entende o que é ensinado na escola, não fica sentada quieta, pula constantemente de um lado para outro e tem sérios problemas de memorização. Ficamos desesperados, pois o que será dela no futuro? Apesar de minha esposa ser a diretora da escola, procuramos uma outra instituição de ensino, em que há bem menos crianças por sala de aula. Talvez recebendo uma atenção mais individualizada conseguisse aprender. Mas não adiantou nada, ficou tudo igual. Demos um vermífugo, um complexo mineral que contém zinco e levedura de cerveja (vitaminas B com aminoácidos) e não dá para imaginar a imensa alegria que sentimos ao ver nossa filha mais concentrada, com vontade de estudar e tornando-se uma excelente aluna! Saiu um pesadelo do nosso coração, e a paz e a harmonia voltaram a reinar em casa." [...]

Numa criança com um sistema nervoso bem formado, em que os neurônios estão bem encapados com a mielina, que está suprida dos sais minerais necessários ao bom funcionamento cerebral, o impulso nervoso do pensamento percorre o trajeto neural na velocidade de um carro de corrida. Para ela tudo é fácil, consegue se concentrar com naturalidade, grava conhecimentos novos com agilidade na memória, pensa e aprende rapidamente, tem mais disposição física, pode executar várias atividades ao mesmo tempo, é calma e resolve seus desafios com lucidez e sabedoria. Enfim, é uma pessoa que todos admiram. Torna-se um adulto autoconfiante e feliz, colhendo resultados expressivos na família, no casamento, no trabalho e na sociedade. [...]

A formação e o fortalecimento do sistema nervoso dependem dos seguintes fatores e cuidados:
constituição genética no que diz respeito à boa formação e multiplicação das células nervosas;
estimulação diversificada, que forma diferenciados caminhos neurais;
pertencimento, valorização, sentir-se amado;
movimento e sol;
rotina diária, disciplina, regras e limites;
suficientes horas de sono, especialmente antes da meia-noite;
leite materno;
atenção ao papel nocivo de açúcares e farinhas refinadas;
cuidados com alimentos com excesso de agrotóxicos e substâncias neurotóxicas em geral;
alimentação apropriada - sais minerais e vitaminas;
controle das verminoses.

Carin Primavesi, do livro "Déficit De Atenção Tem Solução"

Formas de manejar o solo agrícola - convencional, orgânica e agroecológica

Fiz esse "resumo" para um trabalho da faculdade baseado num artigo da Dra. Ana Primavesi que está na edição de setembro/2008 da revista Agriculturas: experiências em agroecologia, que pode ser baixada aqui (caso queiram o artigo original). No meu "resumo" eu incorporei algumas coisas que não estão no artigo, mas que de qualquer forma, praticamente foi tudo pego de outros escritos também da Dra. Primavesi.
Segue o resumo integral do artigo:
O artigo discorre sobre as três principais formas de manejar o solo agrícola, que são: o manejo convencional (ou químico), o orgânico por substituição de insumos e o agroecológico.
Convencional
No manejo convencional, o solo não é tido como um meio de cultura físico-químico-biológico, mas sim como um simples suporte físico para as plantas. O artigo cita práticas deste sistema de manejo que matam os solos:
A calagem corretiva.
A matéria orgânica se decompõe rapidamente. O solo se torna duro e muito pobre, pois em clima tropical – diferente de solo temperado – o uso de grandes quantidades de cálcio compacta o solo por neutralizar a ação do ferro e alumínio, além de induzir à deficiência de vários elementos, como zinco, manganês, boro etc. Prova disso é o projeto “Tatu” em Santo Ângelo/RS, em que aplicaram até 35 t/ha em uma única vez, causando quase que a desertificação da região.
A aração profunda.
Anima explosivamente a microvida do solo e leva a uma decomposição igualmente intensa da matéria orgânica, o que faz com que, 4 horas mais tarde, uma grossa nuvem de gás carbônico paire acima da terra. Como em campo lavrado não há planta que possa aproveitar, essa nuvem eleva-se para a estratosfera, contribuindo para o efeito estufa.
A adubação nitrogenada.
Nitrogênio aplicado como sais de nitrato ou sulfato de amônio favorece a decomposição acelerada da matéria orgânica por reduzir os teores de C/N. Além disso, mata as minhocas, acidifica o solo e destrói sua estrutura porosa. Também é importante lembrar que não existem nutrientes isolados, mas sim em proporções entre si, e o excesso de nitrogênio induz à deficiência de cobre.
Agrotóxicos.
Para compensar um efeito de desnutrição vegetal causado por ele mesmo, o manejo convencional preconiza o uso de defensivos. Como cada defensivo é formado em base de algum mineral, se frequentemente usado induz a deficiência de outros minerais que estão em proporção com esse, provocando outras doenças que deverão ser combatidas por outros defensivos e assim por diante.
Numa experiência em citros pôde ser constatado que após um ano sem o uso de defensivos, as 11 doenças e pragas que havia reduziram-se a duas. Todas as outras somente eram "efeitos colaterais".
Herbicidas.
Manter o solo tropical limpo e exposto ao sol e à chuva leva a um aquecimento extremo (até 74ºC no Brasil) e a uma alta perda de água. O impacto violento das gotas de chuva com seus torós compacta o solo, impermeabilizando-o. Além disso, cada planta espontânea indica alguma situação ou problema que precisa ser corrigido. Por exemplo, o amendoim-bravo ou leiteirinha, indica a deficiência de molibdênio no solo. O herbicida mata a leiteirinha, mas a deficiência continua e se agrava a cada plantio.
Irrigação intensiva.
Em solos bem manejados, a taxa de infiltração da água é de 100 a 400 mm/h. Mas em solos compactados essas taxas podem ser reduzidas para 7 a 8 mm/h. Para compensar este outro efeito gerado por ela mesma, a agricultura convencional preconiza a irrigação intensiva, gerando uma demanda cada vez maior por água doce.
Aquecimento do clima.
Com o crescente desmatamento das florestas nativas para a implantação de monoculturas de, principalmente, soja e cana-de-açúcar, além da irregularidade das chuvas, os ventos fortes podem reduzir em até 1/5 a produção agrícola.

Conclui-se que a agricultura convencional está diminuindo cada vez mais as possibilidades da continuação de vida no planeta.

A agricultura orgânica por substituição de insumos
Na agricultura orgânica, os alimentos são menos piores do que aqueles produzidos pela agricultura convencional. Mas esta forma de manejo não faz nada mais que trocar um agente químico por um orgânico. Mas o composto - como a calda bordalesa, por exemplo - também pode ser tóxico e ter efeitos colaterais. No caso da calda bordalesa, quando usado regularmente sobre as folhas causa o excesso de cobre, que provoca doenças bacterianas e viróticas. Os seguintes equívocos podem ser citados com relação a esta forma de manejo:
Continua trabalhando em solos mortos.
Muitas vezes se usam cama de frango de granjas convencionais, bagaço de laranja ou cana de fazendas convencionais, lixo urbano (folhas e cascas de verduras e frutas), acreditando por fim possuir um produto orgânico. Certamente que esses compostos não representam um sal químico, mas sim um material orgânico, no entanto são repletos de agrotóxicos e as culturas com eles adubadas são mais ricas em agrotóxicos que as que recebem agrotóxicos pulverizados via foliar.
Trabalha com arações profundas, revirando o solo até 45 cm de profundidade.
A enorme quantidade de micróbios, principalmente fungos, na camada superficial do solo, produz uma enorme quantidade de antibióticos que são lixiviados pelas chuvas e se acumulam nas camadas mais profundas. Esta camada, quando revolvida à superfície, é instável ao impacto das chuvas. Portanto, virar terra morta para a superfície somente poderá gerar outra laje, pior do que a primeira.
A matéria orgânica é enterrada.
Acreditando que composto seja NPK em forma orgânica e que as raízes se desenvolverão em sua direção em busca de nutrientes, os agricultores enterram-no em 30 a 40 cm de profundidade. Mas, primeiramente, a função do composto e dos estercos não é nutrir a planta diretamente, mas sim os microrganismos, os quais, por sua vez, mobilizarão os nutrientes para a planta. Quando enterrados, eles são decompostos essencialmente por microrganismos anaeróbios, não produzindo CO2 como deveria, mas sim substâncias tóxicas para as plantas, como o gás sulfídrico (SH2) e o metano (CH4). A consequência final disso é que as plantas, além de fermentar suas substâncias e produzir álcool, também desviam seu crescimento radicular em direção às camadas superficiais do solo, resultando numa baixa produtividade.
Mal posicionamento da raiz.
O cuidado com o desenvolvimento das raízes é essencial para o sucesso da agricultura orgânica. Se a muda for bem plantada com sua raiz orientada para baixo e com um solo que não apresente impedimentos físicos e/ou químicos na subsuperfície, sua tendência será a de se desenvolver bem. Mas caso a muda seja mal plantada - o que frequentemente ocorre - a raiz pode se desenvolver lateralmente e não se aprofundar, resultando numa baixa produtividade.
Manejo inadequado da irrigação.
A murcha das plantas logo após 2 ou 3 horas após a interrupção da irrigação não necessariamente indica falta de água no solo. Isto pode ser consequência de mal desenvolvimento radicular ou também por ação do vento (desmatamento). Manejos simples como a manutenção de cobertura morta e a instalação de quebra-ventos podem minimizar em muito a necessidade de irrigação.

O manejo agroecológico
Trabalhar ecologicamente significa manejar os recursos naturais respeitando a teia da vida. O solo é tanto mais aproveitado quanto os manejos agrícolas são feitos conforme as características locais do ambiente, alterando-as o mínimo possível. Assim, verduras e frutas plantadas fora da época e do lugar apropriado para seu cultivo necessitam receber muito mais defensivos para se desenvolver do que quando cultivadas na época natural e no local ecológico. Este tipo de manejo baseia-se em cinco pontos fundamentais:
Solos vivos e bem agregados.
Solo vivo quer dizer que há a presença de variadas formas de organismos. Solos temperados tendem a ser mais ricos quimicamente, enquanto solos tropicais tendem a ser 13 a 50 vezes mais pobres que os de clima temperado. Apesar disso, ecossistemas tropicais têm uma produtividade 5 a 6 vezes superior ao dos ecossistemas temperados. Por exemplo, a mata tropical produz em 18 anos o que a mata temperada produz em 100 anos. Isso se dá porque nos trópicos, além de os solos serem geralmente mais profundos, os nutrientes são mobilizados pela diversificada vida existente neles (90% dos nutrientes encontram-se na biomassa, diferentemente do clima temperado onde 80% dos nutrientes encontram-se no próprio solo).
Biodiversidade.
A manutenção de grande diversidade de plantas em uma mesma área é uma estratégia da própria natureza para manter o ambiente equilibrado, sem a multiplicação descontrolada de nenhum organismo. Por exemplo, determinadas espécies de plantas (como as seringueiras, as castanheiras, o mogno e o pau-brasil) secretam substâncias tóxicas com a função de evitar o nascimento de sua própria semente em um raio de até 50 metros. A matéria orgânica diversificada também induz ao desenvolvimento de variadas formas de vida no solo, e consequentemente, à diversidade de nutrientes mobilizados. Portanto, pode-se dizer que quanto maior for a diversidade de vida na superfície da terra (plantas), tanto maior será a diversidade de vida no interior dela (microrganismos), que mobilizarão o máximo de nutrientes para as plantas. Dessa forma não é preciso procurar o "inimigo natural" porque todos controlam todos naturalmente.
É certo que nos ecossistemas agrícolas a biodiversidade vegetal não pode ser tão grande como nos ecossistemas naturais, no entanto algumas práticas podem contribuir para isso, como:
- Rotação de, no mínimo, cinco culturas na mesma área.
Essa prática muitas vezes encontra limitações em locais onde os mercados não absorvem alguma das espécies em rotação.
- Policultivos que associam várias espécies na mesma área e ao mesmo tempo. Isso é feito, por exemplo, na agrofloresta.
Proteção do solo contra o sol, vento e chuva.
Os solos devem ser cobertos o máximo possível, seja por plantio adensado, mulch (camada de palha) ou mesmo lonas plásticas. Com a manutenção de uma cobertura permanente, mesmo que seja uma fina camada de palha, a água se infiltra com mais facilidade. Além disso, a cobertura também retém a umidade, diminuindo a necessidade de irrigação.
O uso de quebra-ventos, que pode ser feito com capim-napiê, também é necessário para se ter uma boa produtividade.
Bom desenvolvimento da raízes.
Algumas medidas simples podem ser tomadas para incentivar o bom desenvolvimento e a exploração de um grande volume de solo por parte das raízes:
a) o uso de um pau pontudo para fazer a covinha de plantio, orientando a raiz obrigatoriamente para baixo;
b) a poda da raiz;
c) evitar a deficiência de boro, uma vez que esse micronutriente é indispensável para que substâncias fotossintetizadas sejam translocadas das folhas às raízes, permitindo assim o seu bom desenvolvimento.

Em resumo, no manejo agroecológico a natureza não é vista como um amontoado de fatores isolados, mas como um conjunto de sistemas, composto de ciclos. Tudo é dependente, interdependente e relativo. A modificação de um único fator do ecossistema acarreta a modificação de todos os outros fatores. Tudo está interligado.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sobre a Água - por Ana Primavesi

O problema da água potável está na impermeabilidade dos solos. Há de torná-los novamente porosos na sua superfície para deixar a água infiltrar-se, abastecendo os níveis freáticos, subterrâneos. Para isso não precisa de obras gigantescas nem da conservação da mata nas áreas de captação de fontes. Tudo o que se precisa é fornecer matéria orgânica ao solo e manter uma superfície coberta. O resto as bactérias o farão.

Vi uma plantação de erva-mate de um pequeno agricultor ao lado da plantação de um grande agricultor. O fazendeiro mantinha sua terra limpa com herbicidas, adubava e pulverizava o mate com defensivos. O pequeno não conseguia dar-se ao luxo de deixar as entrelinhas sem nada. Plantava nelas milho e mandioca para ter alimento para sua família. Também só conseguia trabalhar o solo com aradinho puxado a boi. Sua terra, pouco compactada e pouco revolvida era grumosa e boa, o solo era protegido contra insolação e impacto da chuva. Seus pés de erva-mate eram muito mais bonitos do que os do fazendeiro, com solo limpo e aração profunda entre as entrelinhas para "afofar" o solo. Ele não colheu nem a metade do que o pequeno agricultor conseguiu. Por isso, dizia-se: "o caboclo mais burro tem as maiores espigas de milho."

Mas não tem nada a ver com burrice. É o trato do solo que é mais adequado. O solo não requer "tecnologia de ponta" mas proteção e sossego. E a cobertura do solo faz milagres. E enquanto o agricultor tirava água de seu poço com um cata-vento, o grande tinha de bombeá-la de longe porque embaixo de seus solos duros e compactados não encontrou um poço com água.

Conservar solo e água é excepcionalmente simples. Não exige obras faraônicas, mas somente restabelecer o ciclo da água que foi interrompido. Não movimenta máquinas, não "aquece" a economia, não movimenta créditos, exige somente um pouco de matéria orgânica e um solo protegido do impacto das chuvas. Aí o fantasma da sede é banido de nosso Globo!

Alguns dizem que o Globo não se aquece e que não existe efeito estufa. Pode ser. Mas mesmo assim, as geleiras dos Andes diminuem e nos polos diminui a camada de gelo. Também dizem que os rios do hemisfério norte estão bem mais limpos do que há vinte anos e que o ar é menos poluído. Mas não dizem que o norte transferiu as fábricas mais poluentes para o sul, que agora é mais poluído que o norte, com rios sujos e lagos inflamáveis.

Muitos segredos da água e dos ecossistemas a ciência ainda não conseguiu desvendar:

- Por que a água sobe nos poços no auge da seca, algumas semanas antes da chuva vir?
- Por que os ipês amarelos florescem 40 dias antes da entrada das chuvas?
- Por que a terra fica úmida onde deitou o gado quando a chuva está próxima?
- Por que o gado começa a correr, sem razão aparente e sem uma nuvem no céu quando a chuva está para vir dentro de 24 horas?
- Por que as seriemas correm pelos pastos com seu grito estridente quando nas próximas 12 horas deve chover?
- Por que as rãs africanas preveem o tempo dois ou três dias antes com muito maior exatidão do que qualquer satélite ou estação meteorológica?

Na Europa dizem também que as avelãs carregam muito se está por vir um inverno muito rigoroso. Como elas sabem disso com quase um ano de antecedência, isto é, quando ainda estão formando as flores?

O homem ainda está longe de saber tudo o que está entre o céu e a terra e existem muitas coisas que tecnicamente não se resolvem.

[...] A natureza não é um amontoado de fatores e partículas de fatores isolados, mas um conjunto de sistemas, composto de ciclos. Tudo é dependente, interdependente e relativo.
[...] Por exemplo, aparecem erosões, enchentes e inundações e se constroem curvas de nível, caixas coletoras de água e murundus para evitar a erosão. Treinam-se especialistas nos Estados Unidos para combater as inundações. Retificam-se os rios, constroem-se enormes barragens e diques e, mesmo assim, o efeito é pequeno. Os rios e poços secam, e a água potável diminui perigosamente em nosso globo, embora esteja chovendo mais. Na Europa já se importa água potável da Finlândia, e nos Estados Unidos, do Canadá. Neste século, já se estão prevendo guerras por causa da luta acirrada pela água, tanto para o consumo humano como para a irrigação e a produção agrícola. Constroem-se milhares de açudes, abrem-se poços artesianos e montam-se fábricas para a dessalinização da água marinha. O mundo entra em pânico. Mas a causa da falta de água potável nada mais é do que a falta de poros, estáveis à ação da água, na superfície dos solos. Rompeu-se o ciclo da água. Com matéria orgânica na superfície do solo e a proteção do solo contra o impacto das gotas de chuva, consegue-se restaurar e conservar sua porosidade e garantir a infiltração da água para os níveis subterrâneos.

Trechos de "Pergunte Ao Solo E Às Raízes".
"O homem é campeão em produzir solos compactados, impermeáveis. Nas cidades para não sujar seus sapatos cada um impermeabiliza sua pequena área ao redor da casa, cimentando ou ladrilhando-a. Agora tem certeza que nenhuma água de chuva consegue mais entrar no solo, ela escorre. Assim, na cidade se criam enchentes e deslizamento de terrenos. Dizem que a culpa é da chuva ou do prefeito. Mas não é. A culpa é das pessoas que tornaram a superfície do solo impermeável. Na cidade, com as ruas asfaltadas e os quintais cimentados ou ladrilhados a água iria entrar onde e como. No campo o solo calcariado, arado e adubado com nitrogênio se compacta quase tão perfeitamente como o fazem o das cidades. A água da chuva em vez de entrar na terra para abastecer as culturas e os níveis subterrâneos de água escorre, causando a erosão com todos seus sulcos e voçorocas. Combate-se a erosão, a água que escorre com terraços, curvas de nível e microbacias. Entretanto não se combate a compactação dos solos. E a água escorrida que chega de avalanche aos rios causa enchentes, em vez de entrar no solo e abastecer as culturas e os depósitos subterrâneos de água, os níveis freáticos e aqüíferos. Porém foram exatamente estes que fomentaram as nascentes, rios e os poços semi-artesianos. Contudo como graças à atividade humana a água não chega mais lá, os rios diminuem cada vez mais e muitos até ficam secos. Os rios sem água não abastecem mais as represas hidrelétricas que começam a secar, como a de Paulo Afonso, cuja torre da igreja submersa apareceu outra vez ou a de Concórdia, no México, que secou até o fundo não tendo mais água nenhuma. Quando ocorre um Apagão todos xingam o Governo por não tê-lo previsto e tomado as devidas providências. Mas o Governo tem a obrigação de prever todas as asneiras que os cidadãos fazem como: cimentar os pátios de suas casas, jogar futebol nos gramados dos jardins públicos, compactando as terras agrícolas por lavrar, calcariar e adubá-las para colher mais, mesmo se os solos morrem, se compactam e finalmente desertificam?"

terça-feira, 13 de setembro de 2016

As fomes não são inevitáveis

Trechos do documentário "Soluções locais para uma desordem global" (2010):

"As fomes não são inevitáveis. Longe disso. Todas elas foram causadas pela colonização. E hoje, somos confrontados com as mais altas taxas de suicídios de agricultores do mundo. A cada hora dois agricultores se matam em algum lugar da Índia.
Em 1833, os ingleses enviaram um tal de Lord McCauly à Índia. Ele viajou por toda a Índia e depois retornou à Inglaterra e fez um relato ao parlamento britânico dizendo que durante toda sua viagem não tinha visto um só mendigo.
Nesses últimos dez anos, devido a essa forma de agricultura, perdemos 200 mil sitiantes que se suicidaram. Esta é uma economia suicida. Suicida para as espécies, pois destruímos nosso planeta. Na Índia, muitos pequenos sitiantes estão falidos. O que eles fazem? Suicidam-se. Individual ou coletivamente. Ou se amontoam em favelas. Ou tornam-se diaristas em sua própria terra que venderam para a Cargill ou para os bancos para pagar os empréstimos que fizeram para comprar agroquímicos, sementes geneticamente modificadas ou híbridas de primeira geração, que são muito caras.
Eles costumavam ter suas próprias sementes e renová-las anualmente. Então, essa Revolução Verde é uma enorme farsa, um desastre total. Quando os sitiantes suicidam-se eles usam pesticidas, e não armas. Eles usam aquilo que matou sua terra. Simbolicamente, é muito significativo. Como alguém pode abrir uma garrafa de pesticida e beber?"

Projeto Cana Verde - Leontino Balbo Jr.

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O que é Ecológico - Ana Primavesi

"Embora se fale de ecossistemas e de ecologia, são raras as pessoas que tiram conclusões a esse respeito. Normalmente elas pensam que se trata somente da conservação de uma espécie animal, como a do macaquinho mico-leão-dourado ou de uma planta, como a das orquídeas na mata atlântica ou, simplesmente, de uma árvore na praça de uma cidade. Também existem reservas ecológicas de mata ou de animais, como reservas de mata amazônica ou de mata atlântica, e de animais, como o Parque Nacional de Serengeti, no Quênia, ou o Kruger Park, na África do Sul.
Porém, o ecológico não diz respeito a fatores isolados, mas constitui sistemas. A conservação de uma espécie animal ou vegetal tanto pode ser como não ser ecológica. É ecológica quando se conserva o sistema, não é ecológica quando simplesmente se conserva a espécie para que nossos descendentes, um dia, ainda possam admirá-la em algum zoológico ou numa reserva. Isso não tem nada a ver com ecologia, mas somente com “lembranças históricas”."

Ana Primavesi em "Pergunte ao Solo e Às Raízes"

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A Agricultura moderna e os equívocos da Lei do Mínimo de Liebig

A agricultura moderna tem sua origem ligada às descobertas do século XIX, a partir de estudos dos cientistas Saussure (1797-1845), Boussingault (1802-1887) e Liebig (1803-1873), que derrubaram a teoria do húmus, segundo a qual as plantas obtinham seu carbono a partir da matéria-orgânica do solo (De Jesus, 1985).          
Liebig difundiu a idéia de que o aumento da produção agrícola seria diretamente proporcional à quantidade de substâncias químicas incorporadas ao solo. Toda a credibilidade atribuída às descobertas de Liebig deu-se ao fato de estarem apoiadas em comprovações científicas. Junto com Jean-Baptite Boussingault, que estudou a fixação de nitrogênio atmosférico pelas plantas leguminosas, Liebig é considerado o maior precursor da "agroquímica" (Ehlers, 1996:22). As descobertas de todos esses cientistas, segundo Ehlers (1996), marcam o fim de uma longa data, da Antiguidade até o século XIX, na qual o conhecimento agronômico era essencialmente empírico. A nova fase será caracterizada por um período de rápidos progressos científicos e tecnológicos.
No início do século XX, Louis Pasteur (1822-1895), Serge Winogradsky (1856-1953) e Martinus Beijerinck(1851-1931), precursores da microbiologia dos solos, dentre outros, contribuíram com mais fundamentos científicos que fizeram uma contraposição às teorias de Liebig, ao provarem a importância da matéria orgânica nos processos produtivos agrícolas (Ehelrs, 1996:24-25).
Contudo, mesmo com o surgimento de comprovações científicas a respeito dos equívocos de Liebig, os impactos de suas descobertas haviam extrapolado o meio científico e ganhado força nos setores produtivo, industrial e agrícola, abrindo um amplo e promissor mercado: o de fertilizantes "artificiais" (Frade, 2000: 17).

Sistema nervoso saudável - Carin Primavesi

Deficiência vitamina B
Baixa quantidade de vitamina B > disfunção de memória e aprendizagem.
Vitaminas B participam em sínteses químicas cruciais para a função cerebral.

Deficiência de Boro
Sensibilidade a barulhos como tosse, estalos, gritos, barulho de papel amassando etc.
Certas disritmias cerebrais > carência de boro.

Zinco
Stress gasta zinco
Zinco elimina CO2
Na China, 1400 crianças consideradas dementes > + zinco > concentração + boa memória

Mães gestantes > deficiência cobre > crianças paralíticas.

Ferro > anemia > oxigenação

Sódio e potássio > transmissão impulso nervoso

Magnésio > memória

Excesso de chumbo/alumínio > redução função cognitiva > eliminado com vitamina B1
Deficiência mineral e vitamínica:
1. interfere na produção de dopamina,
2. dificuldade em sintetizar informações,
3. prestar atenção,
4. controlar impulsos,
5. são impacientes,
6. enjoam logo das coisas,
7. não controlam o humor
8. possuem déficit de atenção
9. Problemas de memorização

Infrator ocasional > nível baixíssimo Zinco e altíssimo cobre

Infrator permanente > níveis elevados sódio, potássio e cádmio e níveis baixos de zinco e manganês.

Presença marcante de Chumbo, cádmio, níquel, alumínio > pessoas violentas, prazer de atirar com arma de fogo.

Epilepsia psicomotora > falta de Mn, B e ômega 3

domingo, 11 de setembro de 2016

Compreensão ecológica! - Ana Primavesi

"[...] Se esta [compreensão ecológica] existisse, o homem, em hipótese alguma, poderia considerar-se dono da criação, afastado de suas leis, querendo modificar, dominar e explorar a seu bel-prazer, sem pensar um único momento que também ele faz parte da natureza. Que está bem ao centro dos equilíbrios ecológicos e desequilíbrios tecnológicos e que a decadência dos conjuntos ecológicos também contribui para a decadência da raça humana, de sua saúde, inteligência e vigor. O ser humano parece acreditar que pode influir sobre a natureza, modificar e destruí-la, sem que não tenha nenhuma influência sobre si mesmo. Ele vive em cidades, entre concreto armado, vidraças e asfalto, longe da natureza, mas mesmo assim depende dela com cada fibra de seu ser, através da alimentação, do ar, da água, das radiações que seus nervos captam, da poluição e da desertificação. Todos os ciclos da própria vida confundem-se com estes da natureza. [...]
"Ecológico" quer dizer perfeitamente adaptado ao seu módulo ambiental dentro das leis naturais. Mas estas leis não são estabelecidas pelo homem e não têm nada a ver com classificações, taxonomias e relações feitas para sistematizar. São leis eternas, segundo as quais a natureza funciona. Isso nos dá enormes possibilidades de manejo, e por que não dizê-lo, para poder otimizar todas as nossas atividades que lidam com a natureza. E isso não ocorre pela subjugação e "dominação" da natureza, nem por sua prostituição, mas somente pela amigável observação de suas leis.
Tem um adágio brasileiro que reza: "Prostituta não gera filhos!" e terra prostituída não é fértil! E, nas lides com a natureza, não deve reger o orgulho de dominá-la, mas a satisfação de manejá-la. Onde se domina, há luta e, mesmo ganhando uma ou outra batalha, a última batalha sempre é ganha pela natureza. Assim, planícies férteis se tornaram desertos, como a de Gobi e a do Saara, graças à atividade do homem. E os norte-americanos dizem: "All deserts are men made!" ou "Todos os desertos foram feitos pelo homem!". [...]
Apesar do uso generalizado de defensivos, as pragas e doenças aumentaram assustadoramente. Enquanto em 1956 somente 193 pragas eram conhecidas no Brasil, em 1976 já eram 592, provocadas em parte pela decadência dos solos, pelas variedades altamente produtivas mas pouco resistentes, pelas pragas importadas como ocorreu com o bicudo, insetos que se tornaram resistentes contra os defensivos, outros cujos "inimigos naturais" foram mortos pelos defensivos, o que permitiu sua multiplicação descontrolada, e, não por último, as pragas que foram criadas pelas monoculturas. [...]
Em 1940 existiam, por exemplo, na Índia, 30 mil variedades de arroz - para cada ecossistema um ecótipo. Atualmente são plantadas somente 10 variedades produzidas por duas firmas de sementes. Do mesmo modo existiram no século passado, na Malásia, 10 mil variedades de arroz: presentemente são 7. Não se procura mais a adaptação da cultura ao solo e ao clima, mas força-se a terra com todo o pacote tecnológico para produzir variedades estranhas, mais produtivas, mas muito mais arriscadas. [...]
Das 3000 espécies de plantas alimentícias, usadas no mundo inteiro em 1880, em que cada região cultivava seus alimentos principais próprios como, por exemplo, milho no México, arroz na Ásia, cevada e sorgo no Oriente Médio, milheto na Mongólia, centeio na Europa Oriental, trigo na Itália e Espanha etc., ocorreu uma redução para 15 alimentos básicos para facilitar o trabalho dos supermercados."

Toquinho - Como Dizia O Poeta





Quem já passou por essa vida e não viveu,

Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O que é Tantra - Otávio Leal

Tantra não é somente sexo, não é Kama-Sutra, nem um místico prometendo orgasmo cósmico ou uma suposta “casa de massagens” ou grupos de sexo grupal. Não é tara ou desvios sexuais. Talvez somente algo em torno de 5% de todos os textos e ensinamentos tântricos é de contexto sexual. Neste livro é abordado o maithuna – ato sexual tântrico, mas que fique bem claro: o Tantra não é somente sexo. O tantrismo não é seita ou religião, apesar de estreitar as relações entre o homem e os aspectos sutis do Universo. Não é magia, apesar de possuir rituais mágicos, e não possui nenhuma prática de sacramentos maléficos.
 É uma prática que não apresenta nenhuma contra-indicação apesar de alguns livros escritos por leigos afirmarem isso. Pelo contrário, Tantra visa muita saúde, bem-estar, alegria consciência e muito amor-próprio.
Como filosofia de vida prática e não especulativa não há energia gasta no “por quê” e sim no “como”; um exemplo é em vez de se preocupar com o “por quê” do sofrimento, se busca o “como” ser feliz, daí o Tantra é conhecido como uma filosofia comportamental que o estimula a saber quem você é, como ser feliz, livre, energético e, dentro do possível, auto-suficiente.
O Tantra aponta em direção a tudo que é natural no ser humano, o contato com a natureza, a descoberta do seu ser por meio do amor e do respeito ao próximo, a exaltação do companheiro em nível de deus/deusa tudo com a maior naturalidade e desprendimento, sem tabus ou regras retrógradas e anti-libertárias.
O Tantra estuda várias áreas da vida, sendo assim, ele estuda a própria vida. É uma maneira integral, holística de vivenciar e sentir a origem e o desenvolvimento dos seres. Dentro das práticas tântricas, temos acesso a centenas de itens, como a Alquimia, a Psicologia dos Budas, o Yoga em suas múltiplas divisões, a Astrologia, a Matemática, a Geometria, as mais diferentes técnicas de Meditações, a Magia, a Massagem, a Gemoterapia, a Medicina Sagrada, o Maithuna (ato sexual sagrado), a Aromaterapia, o conhecimento das divindades, das egrégoras e muito mais. Tudo para alcançar uma vida mais consciente e feliz. O Tantra recorre à verdade da experiência, à sensação, à certeza obtida a partir daquilo que é palpável. Suas técnicas funcionam há milhares de anos porque seus praticantes sentem o caminho da Transcendência, da ruptura do ciclo de Reencarnação (Samsara). O praticante tântrico é prático, não tem dogmas, ele busca o real; percebe que é parte integrante de toda a forma de vida no Universo. Não há separação nem a dualidade de certo/errado, bom/mal, moral/imoral etc. [...]

Otávio Leal

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O dia que durou 21 anos

Este documentário mostra como os Estados Unidos orquestraram o golpe no Brasil em 1964, e da mesma forma, como já está provado e documentado no Wikileaks, eles estão por detrás do golpe em 2016.
Estudar história às vezes faz bem pra democracia.
#ForaTemer