sábado, 27 de outubro de 2012

Cascadura - Aleluia 2012

Aleluia 2012

A vida era o caminhar por um quarto escuro
Sem graça, chata, quase luto
Sentia o gosto, olfato, tudo
Com as digitais enxergava o mundo
Que era azul...
“Não há nada de mau nisso”, escutou lá do fundo
“Melhor seria, fosse eu um vagabundo?”
Mas só queria alguém pra poder ficar junto
E dividir cada segundo
“Aleluia, ele viu a luz!”
Na musa que chamavam Luzia
E que um dia sonhou que o encontraria
Cego e sem medo algum
No sonho, a ele se entregaria
Pois via que ele a também queria
Do mesmo jeito
Ele, ela, a bengala, um novo assunto
Do sofá da sala, pra cama no quarto!
“Ssshhh! Oh, yeah, baby!”
Ela sussurrou-lhe ao ouvido que todos os gemidos eram mesmo só pra ele
Ali, a escuridão virou um clarão absurdo
Porque: “Aleluia, ele viu a luz!”
Na musa que chamavam Luzia
E que um dia sonhou que o encontraria
Cego e sem medo algum
No sonho, a ele se entregaria, pois via
Que ele a também queria
Do mesmo jeito...

domingo, 21 de outubro de 2012

Os Sete Chakras - imagens

Chakra genital

CHAKRA SAGRADO - sacro ou genital
É denominado no Yoga de Swadhisthana: significa "one is own above". Isto parece indicar que a morada primitiva de Kundalini situava-se neste chakra, tendo mais tarde descido para o Muladhara. Situado na região lombar, ao nível da parte baixa dos órgãos genitais, é formado de seis pétalas.

Leadbeater e o Garuda Purana indicam, como cor o brilho, do sol; Coquet, Tara Michael, Schat-chakra-Nirupana e o Siva Samhita, apontam o vermelhão, e Aurobindo, o vermelho violáceo-escuro.

Na representação yogue deste chakra vê-se uma mandala, em cujo interior se encontra um nenúfar com oito pétalas brancas como a neve, acompanhado de uma lua crescente (Yantra), com o bija mantra "Vam" ao centro; no interior da lua existe mais oito pétalas. O animal místico semelhante a um crocodilo é makara.

Do mesmo modo que o centro básico (Muladhara), o sagrado recebe duas correntes particulares: uma proveniente da própria Kundalini e a outra da vitalidade solar. A energia que aí se concentra é de natureza muito material.

Segundo Coquet, “sua função é a conversação da vitalidade que anima e sustenta o corpo físico, com os diferentes órgãos de assimilação. Este centro afeta, sobretudo, os órgãos genitais ou gônadas, que são a exteriorização física” (op. cit., p. 67). No futuro, ele “deverá ser perfeitamente controlado e a maior parte de suas atividades serão submetidas à vontade e à razão”, sendo a energia que alimenta os órgãos sexuais transferida para a garganta, possibilitando um nível mais alto de criação no campo do pensamento e das idéias, como já começa a ocorrer entre os grandes pensadores da humanidade.

É este o ponto de vista de Aurobindo: “A energia sexual, utilizada pela natureza para a reprodução, é, na sua natureza real, uma energia fundamental da vida. Ela pode ser utilizada, não por uma elevação, mas por uma certa intensificação da vida vital emotiva. Ela pode ser dominada e desviada dos fins sexuais e utilizada para a criação, e a produtividade estética, artística ou outra, ou conservada para elevar as energias intelectuais. Inteiramente dominada, ela pode também ser transformada em uma forma de energia espiritual. Era um fato bem conhecido na Índia antiga e chamava-se a conversão de Retas em Ojas pelo Brahmacharya. Mal utilizada, a energia sexual conduz à desordem e à desintegração da energia da vida e dos seus poderes.” (cit. por Coquet, op. cit., p.p. 76/77).

O descontrole do centro genésico resulta numa exacerbação do prazer sexual, no apego a outro ser ou a objetos, no ciúme e no instinto de posse, na autoproteção. Isto repercute, inclusive, na vida após a morte. André Luiz destaca o fato de que o descontrole do centro genésico impede o espírito de uma visão mais ampla da realidade, mesmo em prejuízo da própria pessoa que só enxerga o parceiro sexual, “em vista do apego enlouquecedor aos vínculos do sexo”. (Entre a Terra e o Céu, p.27), perturbações estas que acabam por eclipsar as qualidades morais já conquistadas.

Satyananda desenvolve interessantes considerações a respeito do Swadhisthana, como centro do inconsciente. Segundo ele, o centro frontal mantém uma conexão com o centro genital, e deste modo mantém sob controle a mente consciente, incluindo o inconsciente coletivo, que é muito mais poderoso que a própria consciência individual. Por isto é que, apesar da maior parte das pessoas não se aperceber do fato, é o inconsciente coletivo quem controla, em grande escala, o comportamento. O centro genital funciona, assim, como um computador onde são armazenadas as experiências diárias, sejam conscientes ou inconscientes, tenha importância individual ou não. Destarte estariam ali os dados referentes às experiências e o karma que contribuíram para o processo de evolução humana. Há uma parte do karma que existe em potência e outra parte em que ele se encontra atualizado, mastanto uma como a outra só raramente são conhecidas da mente consciente do indivíduo. Agora bem, se a energia vital (Kundalini) é despertada, ela ascende através dos chakras, desencadeando todo o processo de evolução psíquica, de modo que tanto o karma ativo como o inativo expandem-se e afluem à consciência. No entanto, se o indivíduo é incapaz de encarar a tarefa de analisar ou controlar o karma, registrado no centro genital, a energia se retrai e desce para o muladhara. O centro genital e o karma ali armazenado seriam, para Satyananda, um obstáculo bastante considerável à evolução espiritual do homem. Daí recomendar o mestre hindu que se procure primeiro despertar o chakra frontal a fim de arredar este obstáculo; é que a superconsciência que reside no centro frontal é totalmente ciente dos trabalhos da mente inconsciente no centro genital, podendo assim controlar o karma desatrelado.


Fonte

sábado, 20 de outubro de 2012

Los Porongas - Desordem (Time Out) 2011

Fazendo a guerra eu quis a paz
Compliquei demais
Amor demais, desordem, Amor
Eu me decidi você
Também como podia ser melhor
Quem é que fica bem, embora esteja muito só
Eu sempre invento alguém
Tento descobrir se existe um jeito
De não explodir querendo a paz
Eu tentei desativar
Eu tentei
Eu tentei desativar
Eu tentei
Tentei
Tentei
Eu já nem sei o que eu faria pra me acostumar
Time out

Errando também se aprende - As Leis Morais - Rodolfo Calligaris 1967

44 "Errando também se aprende", diz um refrão popular. E muito, acrescentamos nós. De sorte que passar do estado de inocência, ou seja, de total inconsciência para o de culpabilidade, em virtude de engano na escolha de certo modo de agir, não significa retrogradar, mas sim ganhar tirocínio, desenvolver a capacidade de discernimento, sem o que nenhum avanço seria possível.
Em qualquer ramo de Ciência, depois de uma dezena de experimentações diferentes mal sucedidas, o pesquisador estará inevitavelmente mais próximo da solução que persegue do que antes de iniciá-las, porque os resultados obtidos, embora negativos, lhe terão fornecido preciosos subsídios a respeito, indicando-lhe o melhor rumo a tomar.

-45 Como se sabe, milhares e milhares de coisas que tanto conforto e bem-estar oferecem, hoje, à Humanidade, são frutos de uma série enorme de fracassos, senão mesmo de desastres e de sacrifícios cruciantes, que afinal se transformaram em grandes e esplêndidos triunfos.
Pois bem! O mesmo sucede na conquista da perfeição. Advertidos pela Dor a cada falta que cometemos, vamos aprendendo a evitá-las.
Os que perfilham doutrinas anti-reencarnacionistas não aceitam que todas as almas sejam criadas "com iguais aptidões para evoluir" e nem aceitam que as diferenças atuais dessas almas, em saber e moralidade, sejam o resultado de progressos realizados em existência pregressas, como ensina o Espiritismo.
Essas diferenças, no entanto, são reais, incontestáveis e ressaltam à vista de qualquer um, mas, como não encontram uma causa anterior para justificá-las, dizem: é porque... Deus as tem criado assim, desiguais e sem as mesmas aptidões!
A que se reduziria, neste caso, a Justiça Divina? -

175 À medida que se adianta espiritualmente, o homem passa a compreender que, em última análise, ninguém é dono de nada, pois tudo pertence a Deus, sendo, todos nós, meros usufrutuários dos bens terrenos, já que eles não poderão seguir conosco, de forma alguma, além das fronteiras da "morte". Por conseguinte, se a Providência no-los confia, por determinado período, não é para que os utilizemos em proveito exclusivamente familiar, mas para que aprendamos a movimentá-los em benefício de todos, dando-lhes uma função social.


176 Filhos que somos do Pai Celestial e portanto co-herdeiros do Universo, dia virá - se bem que assaz longínquo - quando, libertos, por merecimento, do ciclo de reencarnações em mundos grosseiros como o nosso, haveremos de tornar-nos puros espíritos, tendo por morada as suaves e maravilhosas esferas siderais.

Será, então, com imensa autopiedade que nos recordaremos desta fase de nossa evolução em que tão grande é o nosso apego a uns pedacinhos de chão lamacento e tão desesperada a nossa luta por uns papeizinhos coloridos, estampados na Casa da Moeda...


181 Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.


Além dessa caridade, de ordem material, outra existe - a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e,  não obstante, é a mais difícil de ser praticada.


Exemplos? Eis alguns:


Seríamos caridosos se, fazendo bom uso de nossas forças mentais, vibrássemos ou orássemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.

Seríamos caridosos se, em determinadas situações, nos fizéssemos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto desprezivo de quem se julgue superior a nós.


182 Seríamos caridosos se, com sacrifício de nosso valioso tempo, fôssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo de antemão nada podermos fazer por ele, senão dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.


Seríamos caridosos se, ao revés, soubéssemos fazer-nos momentaneamente surdos quando alguém, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com expressões irônicas ou zombeteiras.


Seríamos caridosos se, disciplinando nossa língua, só nos referíssemos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante notícias que, mesmo sendo verdadeiras, só sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputação alheia.


Seríamos caridosos se, embora as circunstâncias a tal nos induzissem, não suspeitássemos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer juízo apressado e temerário contra eles, mesmo entre os familiares.


Seríamos caridosos se, percebendo em nosso irmão um intento maligno, o aconselhássemos a tempo, mostrando-lhe o erro e despersuadindo-o de o levar a efeito.


Seríamos caridosos se, privando-nos, de vez em quando, do prazer de um programa radiofônico ou de TV de nosso agrado, visitássemos pessoalmente aqueles que, em leitos hospitalares ou de sua residência, curtem prolongada doença e anseiam por um pouco de atenção e afeto.


183 Seríamos caridosos se, embora essa atitude pudesse prejudicar nosso interesse pessoal, tomássemos, sempre, a defesa do fraco e do pobre, contra a prepotência do forte e a usura do rico.


Seríamos caridosos se, mantendo permanentemente uma norma de proceder sereno e otimista, procurássemos criar em torno de nós uma atmosfera de paz, tranquilidade e bom humor.


Seríamos caridosos se, vez por outra, endereçássemos uma palavra de aplauso e de estímulo às boas causas e não procurássemos, ao contrário, matar a fé e o entusiasmo daqueles que nelas se acham empenhados.


Seríamos caridosos se deixássemos de postular qualquer benefício ou vantagem, desde que verificássemos haver outros direitos mais legítimos a serem atendidos em primeiro lugar.


Seríamos caridosos se, vendo triunfar aqueles cujos méritos sejam inferiores aos nossos, não os invejássemos e nem lhes desejássemos mal.


184 Seríamos caridosos se não desdenhássemos nem evitássemos os de má vida, se não temêssemos os salpicos de lama que os cobrem e lhes estendêssemos a nossa mão amiga, ajudando-os a levantar-se e limpar-se.


Seríamos caridosos se, possuindo alguma parcela de poder, não nos deixássemos tomar pela soberba, tratando, os pequeninos de condição, sempre com doçura e urbanidade, ou, em situação inversa, soubéssemos tolerar, sem ódio, as impertinências daqueles que ocupam melhores postos na paisagem social.


Seríamos caridosos se, por sermos mais inteligentes, não nos irritássemos com a inépcia daqueles que nos cercam ou nos servem.


Seríamos caridosos se não guardássemos ressentimento daqueles que nos ofenderam ou prejudicaram, que feriram o nosso orgulho ou roubaram a nossa felicidade, perdoando-lhes de coração.


Seríamos caridosos se reservássemos nosso rigor apenas para nós mesmos, sendo pacientes e tolerantes com as fraquezas e imperfeições daqueles com os quais convivemos, no lar, na oficina de trabalho ou na sociedade.


E assim, dezenas ou centenas de outras circunstâncias poderiam ainda ser lembradas, em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstração de simpatia, seriam expressões inequívocas da maior de todas as virtudes.


185 Nós, porém, quase não nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.


Porquê?


É porque esse tipo de caridade não chama a atenção, nem provoca glorFificações.


Nós traímos, empregamos a violência, tratamos os outros com leviandade, desconfiamos, fazemos comentários de má fé, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos ódios, praticamos vinganças, fomentamos intrigas, espalhamos inquietações, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdiçamos fortunas no vício e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da Caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum serviço, raras vezes agimo sob a inspiração do amor ao próximo; via de regra fazemo-lo por mera ostentação, ou por amor a nós mesmos, isto é, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.


Quão longe estamos de possuir a verdadeira caridade!


Somos, ainda, demasiadamente egoístas e miseravelmente desprovidos do espírito de renúncia para praticá-la...


186 Mister se faz, porém, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de nós mesmos em benefício de nossos semelhantes, porque "a caridade é o cumprimento da Lei".

Trechos de Memórias Alcoólicas - John Barleycorn - Jack London 1913


43 Mas este não é um mundo de fretes livres. Paga-se de acordo com uma férrea tabela de preços - para cada demonstração de força de vontade, a fraqueza correspondente: para cada ascensão, uma queda; para cada fictício momento divinal, um tempo equivalente de lama abjeta. A cada proeza de dias longos e telescópicos, de semanas e semanas de vida constituídas de instantes loucos e magníficos, deve-se pagar o preço da vida abreviada, acrescido, muitas vezes, de juros de usurário.

Intensidade e duração são inimigos tão antigos quanto fogo e água. Mutuamente destrutivos. Incapazes de coexistência. E John Barleycorn, por mais poderoso necromante que fosse, continua tão escravizado à química orgânica como todos os mortais. Pagamos sempre por todas as nossas ousadas maratonas, John Barleycorn está impossibilitado de interferir e impedir o pagamento justo. Ele pode nos levar às alturas, sim, mas não consegue nos manter lá, do contrário seríamos todos devotos. E não existe devoto que queira pagar as sarabandas malucas promovidas por John Barleycorn.


46 O jogo não valia a pena. O preço era muito alto. Eu não tinha constrangimentos morais. Minha náusea era puramente física. Aqueles momentos de exaltação não justificavam horas de desgraça e aflição.


-47 Eu tinha vislumbrado uma miríade de sinais, todos eles sedutores e inflamados, de um mundo além do meu mundo, e para o qual estava tão adestrado quanto os dois rapazes que beberam comigo. Descobri o segredo da alma dos homens. Descobri o segredo da minha alma e encontrei nela potencialidade e grandezas insuspeitadas.


Sim, aquele dia sobressaiu entre todos os meus dias. Até hoje ele se destaca. A lembrança está marcada a ferro quente no meu cérebro. Mas o preço cobrado foi muito alto.


Aguardente não combinava comigo. Era abominável. Mas apesar disso, as circunstâncias iriam me impelir de novo para John Barleycorn, impelir-me sempre, até que depois de longos anos chegou o tempo em que pude encarar John Barleycorn em todas as tocas habitadas pelos homens; encará-lo e saudá-lo como benfeitor e amigo. E detestá-lo e odiá-lo o tempo todo. Sim, ele é um amigo estranho, esse John Barleycorn.


212 A velha e longa doença que fora simplesmente uma enfermidade intelectual, recrudesceu. Os antigos fantasmas, de há muito sepultados, levantaram novamente as cabeças. Porém, eram fantasmas diferentes e mais mortais. Os velhos fantasmas, intelectuais em sua origem, tinham sido enterrados por uma lógica sã e normal. Agora, no entanto, eram levantados pela Lógica Branca de John Barleycorn, e John Barleycorn nunca impede os fantasmas de se erguerem.


Como descrever esta Lógica Branca aos que nunca a experimentaram? Talvez seja melhor afirmar antes de tudo a impossibilidade de tal descrição. Consideremos a Terra do Haxixe, por exemplo, a terra onde predominam enormes extensões de tempo e de espaço. Em anos anteriores eu fizera duas memoráveis jornadas àquela terra distante. Minhas aventuras ali estão gravadas nos mínimos detalhes em meu cérebro. Contudo, tenho tentado inutilmente, com infindáveis palavras, descrever qualquer pequena fase particular a pessoas que não viajaram até aquela terra.


-213 Eu utilizava todas as hipérboles da metáfora e narrava então o que séculos de tempo e abismos de agonia e horror inimagináveis podem ser obtidos em cada intervalo de todos os intervalos entre as notas de uma canção veloz tocada com velocidade no piano. Falo durante uma hora, elaborando aquela fase da Terra do Haxixe, e no fim verifico que nada lhes disse. E quando sou incapaz de lhes transmitir a vastidão das coisas terríveis e maravilhosas, sei que não consegui dar-lhes a mais leve idéia da Terra do Haxixe.


Mas, se me permitem conversar com outro viajante daquela região misteriosa, de imediato serei compreendido. Uma frase, uma palavra transporta imediatamente à mente o que horas de palavras e frases não conseguem levar ao espírito do não-viajante. Por conseguinte, é no reino de John Barleycorn que a Lógica Branca reina. Aos que por lá não viajaram, o relato do viajante deve parecer sempre ininteligível e fantástico. No melhor dos casos, posso pedir aos não-viajantes que se empenhem em acreditar na minha narrativa.


Pois existem intuições fatais da verdade que residem no álcool. Parece haver várias categorias de verdade neste mundo. Algumas espécies de verdades são mais verdadeiras que outras. Alguns tipos de verdade são mentiras, e tais tipos são aqueles de maior valor de uso para a vida que se deseja compreender e viver. De imediato, ó leitor não-viajante, veja como é lunático e blasfemo o reino que estou tentando descrever na linguagem da tribo de John Barleycorn. Não é a linguagem da tua tribo, daqueles que resolutamente evitam as estradas que levam à morte e trilham apenas as estradas que conduzem à vida. Pois existem estradas e estradas, e quanto à verdade, existem categorias e categorias. Mas tem paciência. Pelo menos, através do que parece nada mais que queixumes verbais, tavez recolhas, por acaso, um fraco vislumbre dos panoramas de outra terras e tribos.


214 a velhice, apesar dos pesares, é decente, digna e valiosa, embora idade avançada signifique um espantalho pele e osso na carroça de um mascate, tropeçando atordoado numa servidão sem misericórdia  e numa lenta desintegração até o fim - o fim, a partilha de suas partes (de sua carne sutil, dos seus ossos rosados e elásticos, de seus sucos e fermentos, e de toda aquela insensatez que o animou) [...] até o último cambaleio do seu claudicante final, esse cavalo de carroça deve suportar as determinações da verdade menor que é a verdade da vida, e que faz a vida possível de nela se persistir.


Esse cavalo de carroça, como todos os outros cavalos, como todos os outros animais, incluindo o homem, está cego para a vida e embotado para a razão. Viverá - não importa a que preço. O jogo da vida é bom, conquanto tudo na vida se resuma em sofrimento, e embora no final todas as vidas percam o jogo. Esta é a categoria de verdade que se obtém, não para o universo, senão para as coisas vivas, se estas perdurarem por um curto espaço, antes de morrerem. Esta categoria de verdade, não importa o quanto errônea venha a ser, é a categoria sã e normal da verdade, a categoria racional da verdade em que a vida deve acreditar a fim de viver.


215 Ao homem, considerado isoladamente entre os animais, foi concedido o terrível privilégio da razão. O homem, com suas faculdades mentais, pode penetrar a embriagadora mostra de coisas e perscrutar um universo descaradamente alheio a ele e a seus sonhos. Pode fazer isso, mas não lhe fica bem fazê-lo. Para viver, e viver com intensidade, para borbulhar de vida, para estar vivo (o que é ser o que ele é), é bom que o homem seja cego para a vida e embotado para o sentido da razão. O que é bom e verdadeiro. E esta é a categoria de verdade, por menor que seja, que o homem deve conhecer e tomar como guia de seus atos, com a irrespondível certeza de que é verdade absoluta, e que, no universo, nenhuma outra categoria de verdade ele virá obter. É bom que o homem aceite pelo valor nominal os embustes da razão e os abismos da carne, e através dos nevoeiros da sensibilidade busque as tentações e mentiras da paixão. É bom que ele não veja nem sombras nem futilidades, e tampouco seja atraído por suas luxúrias e rapacidades.


E o homem faz assim. Homens incontáveis têm colhido um lampejo desse outro tipo mais verdadeiro de verdade, e dele recuado. Homens incontáveis têm passado pela longa enfermidade e vivido para narrá-la e deliberadamente esquecê-la até o final de seus dias. Eles viveram. Eles se realizaram na vida, porque a vida é o que eles foram. Eles fizeram bem.


E eis John Barleycorn com a maldição atirada sobre o homem de imaginação, que está cheio de vida e desejo de viver. John Barleycorn envia sua Lógica Branca, o mensageiro prateado da verdade além da verdade, a antítese da vida, cruel e oco como o espaço interestelar, fraco e congelado como o zero absoluto, deslumbrante com a geada da lógica incontestável e do fato inesquecível. John Barleycorn não deixará o sonhador sonhar, o vivedor viver. Ele destrói nascimento e morte, dissipa em névoa o paradoxo do ser, até que a sua vítima explode, como em "The City of Dreadful Night": "Nossa vida é um logro, nossa morte é um abismo negro". E os pés de tão assustadora intimidade começam então a palmilhar o caminho da morte.


217 Volto às experiências pessoais e aos efeitos que a Lógica Branca de John Barleycorn causou em mim. Na minha aprazível fazenda do Vale da Lua, com o cérebro toldado de álcool durante meses, me sinto oprimido pela tristeza cósmica que sempre foi herança da humanidade. Em vão eu me pergunto porque estou triste. Minhas noites são cálidas. Meu telhado não tem rombos. Tenho comida de sobra para todos os caprichos do apetite. Me cercam todos os confortos possíveis. Em meu corpo não há dores nem sofrimentos. A velha máquina de carne continua bem azeitada, funcionando. O cérebro e os músculos não estão esgotados. Tenho terra, dinheiro, poder, reconhecimento mundial, a consciência de que faço jus a um galardão pelos serviços prestrados a outros -a companheira que amo, filhos que são a minha própria carne. Tenho feito e continuo fazendo o que um bom cidadão do mundo faria. Tenho construído casas, muitas casas, e cultivado centenas de acres. E quanto a árvores, já não plantei cem mil? Por toda a parte, de qualquer janela de minha casa, posso olhar fixamente essas árvores da minha prosperidade, que se erguem altaneiras em direção ao sol.


-218 Com efeito, minha vida tem incluído lugares agradáveis. Mil homens em um milhão não têm a minha sorte. E no entanto, com toda esta imensa boa sorte, estou triste. E estou triste porque John Barleycorn está comigo, porque nasci no que as gerações futuras chamarão de idade negra, antes da civilização racional. John Barleycorn está comigo porque em todos os dias da minha despercebida juventude John Barleycorn esteve acessível, me chamando e me atraindo em todas as esquinas, e em todas as ruas entre uma esquina e outra. A pseudocivilização em que nasci concedeu por toda a parte alvará de funcionamento a lojas que vendem o veneno da alma. O sistema de vida foi organizado de tal maneira que eu (e milhões como eu) fui induzido e arrastado e empurrado para as lojas vendedoras de veneno.


Venha andar comigo, num dos meus inúmeros estados de tristeza em que John Barleycorn me mergulha com frequência. Cavalgo por minha bela fazenda. Monto num bonito cavalo. O ar cheira a vinho. As vinhas, numa sucessão de colinas, estão avermelhadas pela labareda do outono. Do outro lado da montanha Sonoma, franjas de névoa marinha avançam devagar. O sol vespertino arde do céu modorrento. Tenho tudo para estar contente por estar vivo. Estou cheio de sonhos e mistérios. Sou sol e ar e flama. Sou vital, orgânico. Movimento-me, tenho o poder do movimento, comando o movimento da coisa viva que me transporta. Estou possuído pelas pompas do ser, conheço paixões e inspirações orgulhosas. Tenho dez mil augustas conotações. Sou um rei no reino da razão e calco a superfície do pó que não se queixa...


-219 E no entanto, fito com olhos preconceituosos toda essa beleza e maravilha ao meu redor, e com preconceito mental penso na lastimável figura que  faço neste mundo que passou tanto tempo sem mim e que voltará a permanecer sem a minha presença. Relembro os homens que arrebentaram corações e nervos neste solo teimoso que agora me pertence. Como se algo imperecível pudesse pertencer ao perecível! Aqueles homens desapareceram. Eu também desaparecerei. Aqueles homens trabalharam, limparam a terra e plantaram, olhando fixamente com os olhos doridos, enquanto descansavam os corpos do duro labor, aqueles mesmos crepúsculos e poentes, a glória outonal dos vinhedos e os farrapos de névoa em lentas evoluções do outro lado da montanha. E eles se foram. E eu sei que também irei um dia desses.


Irei? Estou indo. No meu maxilar estão adaptados artifícios de dentista que substituem partes já desaparecidas. Jamais voltarei a ter os polegares do meu tempo de jovem, prejudicados irreparavelmente por aquelas lutas romanas e brigas de socos. Aquele soco na cabeça de um sujeito, cujo nome foi esquecido, danificou o polegar de uma vez e para sempre. Uma escorregadela em luta-livre estragou o outro polegar. Minha barriga encolhida, da época em que fui mensageiro, entrou para o limbo da memória. As juntas das pernas que me sustentam já não são tão eficazes como antes, quando, em selvagens dias e noites de trabalho pesado e farras, eu as forcei, esfolei e rompi. Nunca mais cometerei a ousadia de oscilar vertiginosamente no alto do cordame, em meio à escuridão fechada de uma tempestade marítima. Nunca mais poderei correr com os cães de trenó pelos quilômetros sem fim da trilha do Ártico.


Estou ciente de que dentro deste corpo em desintegração, que está morrendo desde que nasci, carrego um esqueleto; que sob a capa de carne do que é chamado meu rosto existe um ossudo crânio sem nariz. Nada disso me assusta. Ter medo é ser saudável. O medo da morte prolonga a vida. Mas a maldição da Lógica Branca é dessas que não infunde medo. A doença mundial da Lógica Branca faz uma pessoa portar-se jocosamente diante do Sem Nariz e zombar de todas as fantasmagorias dos vivos.


-220 Olho ao redor enquanto cavalgo, e em cada mão eu vejo a impiedosa e infinita dissipação da seleção natural. A Lógica Branca insiste em abrir livros há muito fechados, e em cada parágrafo e capítulo afirma beleza e a maravilha que eu observo, mas em termos de futilidade e poeira. À minha volta, ouço murmúrio e zumbido dos vivos que, como um enxame de mosquitos, silvam por algum tempo seus débeis queixumes no ar agitado.


Retorno à fazenda. O crepúsculo caiu, os animais de presa saíram das tocas. Observo o piedoso e trágico jogo da vida que se alimenta da vida. Aqui não há moralidade. Somente no homem existe moralidade, afinal o homem foi quem a criou - um código de ação em benefício dos vivos e que faz parte da categoria inferior de verdades. Contudo, tudo isso eu já sabia, nos dias enfastiados da minha longa enfermidade. As muitas verdades que eu, com tanto êxito, me empenhei em esquecer; verdades tão sérias que me recusei a levá-las em conta, com elas brincando delicadamente, isso mesmo, de forma tão delicada como se fossem cães adormecidos no fundo da consciência e que eu não queria despertar. Eu não os provoquei, deixei-os dormir. Pois eu era muito sábio, malignamente sábio para querer despertá-los. Só que agora a Lógica Branca quer porque quer despertá-los para mim, pois a Lógica Branca, mais valente, não teme nenhum dos monstros dos sonhos terrenos.


-221 "Deixe que os doutores de todas as escolas me condenem", a Lógica Branca me sopra enquanto eu cavalgo. "E daí? Eu Sou a verdade. Você a conhece. Você não pode me combater. Dizem que eu provoco a morte. E daí? É verdade. A vida mente a fim de viver. A vida é uma ciranda louca na crista da onda, em que surgem aparências de fortes marés enchente e vazante, acorrentadas às rotações da luas fora do nosso alcance. Aparências são fantasmas. A vida é terra fantasmal onde as aparências mudam, se transubstanciam, se permeiam entre si e entre todas, aparências ou não, que sempre tremulam, esmaecem e se apagam, apenas para voltarem outra vez com novas aparências, como outras aparências. Você é uma dessas aparências, composta de incontáveis aparências oriundas do passado. Tudo o que uma aparência pode fazer é miragem. Você conhece miragens do desejo. Tais miragens são as impensáveis e incalculáveis agregações de aparências que o assediam e o formam do fundo do passado, e que o varrem, disseminando-o em outros impensáveis e incalculáveis aglomerados de aparências a fim de povoar a terra fantasmal do futuro. A vida é fantasmal, ela passa. Você é uma aparição. Através de todas as aparições que o precederam e que compõem as suas partes, você se orgulha com a sua algaravia do lodo evolucionário, e ainda inarticulado você passará, interfundindo-se, permeando-se com a procissão de aparições que o sucederão."


E naturalmente tudo é irrespondível, e, enquanto cavalgo por entre sombras crepusculares, escarneço do Grande Fetiche a que Comte chamou de mundo. E me lembro de outro pessimista de sensibilidade que afirmou: "Transitórios todos são. Os que nascem devem morrer e, mortos, ficam contentes por estarem em repouso".


Mas aqui, varando o crepúsculo, aproxima-se um que não se sente satisfeito por estar em repouso. É um operário da fazenda, um velho, um imigrante italiano. Tira o chapéu para me saudar, com a maior servilidade, porque, certamente, para ele eu sou o dono da vida. Eu o alimento, dou-lhe abrigo e vida. Ele tem trabalhado como um burro de carga a vida inteira, e vivido com menos conforto do que os meus cavalos em seus estábulos atapetados de palha. Ele é aleijado. Arrasta os pés quando anda. Tem um ombro mais alto do que o outro. Suas mãos são garras nodosas, repulsivas, horríveis. COmo aparição, ele é um espécime bem miserável. Seu cérebro é tão estúpido e quanto feio é o corpo.


-222 "Seu cérebro é tão estúpido que ele ignora ser uma aparição", a Lógica Branca me diz com uma risada escarninha. "Ele é um bêbado da razão. É o escravo do sonho da vida. Tem o cérebro cheio de sanções e obsessões superracionais. Acredita em outro mundo transcendente. Deu ouvidos aos caprichos dos profetas que lhe sopraram a suntuosa bolha do Paraíso. Ele sente afinidades inarticuladas com não-realidades invocadas por si mesmo. Vê visões penumbrosas de si mesmo, titubeando fantasticamente pelos dias e noites do espaço e das estrelas. Ele está convencido, além da sombra de qualquer dúvida, de que o universo foi feito para ele, e que é seu destino viver para sempre nos reinos imateriais e supersensuais que ele e sua espécie têm construído com o material da aparência e da decepção.


"Mas você, que tem aberto livros e que partilha da minha confiança extrema - você o conhece pelo que ele é, irmão seu e irmão do pó, uma brincadeira cósmica, um passatempo da química, uma besta paramentada que se levantou da pilha da bestialidade mais aguda por obra e acidente de dois dedos grandes do pé. Ele é irmão igualmente do gorila e do chimpanzé. Ele bate no peito quando tem raiva, ruge e treme com cataléptica ferocidade. Ele conhece impulsos monstruosos, atávicos, e está composto de todas as maneiras de pedaços de abismo e de instintos esquecidos."


"E, no entanto, ele sonha que é imortal", eu contesto fracamente. "É maravilhosos para um punhado de barro tão estúpido montar nos ombros do tempo e cavalgar as eternidades."


"Bah!", é a réplica. "Você acaso pretende fechar os livros e trocar de lugar com esta coisa que não passa de um apetite e um desejo, um joguete do estômago e dos rins?"


"Ser estúpido é ser feliz", eu retruco.


"Então o seu ideal de felicidade é um organismo semelhante à geléia, flutuando num mar tépido, sem ondas e crepuscular, ahn?"


223 "Ora, a vítima não pode combater John Barleycorn!"


"Um passo a menos para a felicidade aniquiladora do Nirvana de Buda", acrescenta a Lógica Branca. "Ah, be, eis aí a sua casa. Anime-se, homem, tome uma bebida. Conhecemos bem, nós os iluminados, você e eu, a loucura e a farsa."


E em meu pequeno quarto com as paredes cobertas de livros, que são mausoléus dos pensamentos dos homens, eu tomo meu copo, e outros copos, e os cãoes que dormiam nos recessos do meu cérebro eu os acordo e os atiço contra as muralhas do preconceito e da lei e por todos os astuciosos labirintos da superstição e da crença.


"Beba", diz a Lógica Branca. "Os gregos acreditavam que os deuses lhe deram o vinho a fim de que pudessem esquecer a miserabilidade da existência. E não esqueça o que Heine disse."


Sim, eu bem me lembro das palavras ardentes daquele judeu. "Com o último suspiro, tudo se vai: alegria, amor, tristeza, macarrão, teatro, limeiras, gotas de framboesa, a força das relações humanas, o mexerico, o ladrar dos cães, o champanhe".


"Sua luz branca e clara é doença", eu digo à Lógica Branca. "Você mente."


"Por lhe transmitir uma verdade tão forte", ela retruca com ironia.


"Ai de mim, é verdade. A vida é tão desgovernada!", reconheço com tristeza.


"Ah, muito bem, Liu Ling foi mais sábio que você", a Lógica Branca observa. "Lembra-se dele?"


Concordo com um aceno de cabeça. Liu Ling, um alcoólatra do grupo de poetas beberrões que se denominavam os Sete Sábios do Túmulo de Bambu, e que viveu na China mais de um século atrás.


-224 "Foi Liu Ling", incita a Lógica Branca, "que declarou que para um bêbado os assuntos do mundo não passam de lentilhas d'água num rio. Muito bem. Beba outro scotch, e deixe que as aparências e as decepções se transformem em lentilhas d'água num rio".


E enquanto me servia e bebericava meu scotch, lembrei-me de outro filósofo chinês, Chuang Tzu, que, quatro séculos antes de Cristo, desafiou esta terra de sonhos que é o mundo, ao dizer: "Como vou saber que os mortos se arrependem de se terem apegado à vida? Os que sonharam com o banquete despertam para as lamentações e as tristezas. Os que sonharam com lamentos e tristezas despertam para se juntarem à caçada. Enquanto sonham, eles não sabem que sonham. Alguns chegam a interpretar o sonho que estão sonhando; e somente quando acordam sabem que foi um sonho... Os tolos pensam que agora estão despertos, e se gabam de saber se são mesmo príncipes ou camponeses. Confúcio e você são, ambos, sonhos; e eu, que afirmo que você são sonhos - eu também não passo de um sonho".


"Uma vez eu, Chuang Tzu, sonhei que era uma borboleta pousando aqui e ali, segundo os intentos e propósitos de uma borboleta. Tinha consciência apenas de seguir minhas fantasias como borboleta, e estava inconsciente quanto à minha individualidade como homem. De repente, acordei e eis-me ali, outra vez. Só que agora não sabia se eu era então um homem sonhando com uma borboleta, ou se sou agora uma borboleta sonhando que sou homem."

228 "Esta sua carne lhe pertence? Ou é uma coisa estranha possuída por você? Seu corpo - o que é? Uma máquina para converter estímulos em reações. Estímulos e reações são recordados. Constituem uma experiência. Então você toma consciência de tais experiências. Você é a qualquer momento o que você está pensando naquele momento. Sou eu é ao mesmo tempo sujeito e objeto; afirma coisas de si mesmo e é a soma das coisas afirmadas. O pensador é o pensamento, o conhecedor é aquilo que é conhecido, o possuidor é o conjunto de coisas possuídas.


"Antes de tudo, como você não ignora, o homem é um fluxo de estados de consciência, um fluxo de pensamentos que passaram, cada um pensando ser outro ser, numa infinidade de pensamentos, numa infinidade de seres, um contínuo vir-a-ser mas nunca sendo, um fogo-fátuo de fantasmas em terra fantasmal. Mas isso o homem não aceita de si mesmo. Ele se recusa a aceitar sua própria morte. Ele não morrerá. Viverá novamente, mesmo que tenha de morrer para que isto aconteça.


-229 Ele mistura átomos e jatos de luz, as mais remotas nebulosas gotas de água, picadas sensíveis, lama e massas cósmicas, de cambulhada com pérolas de fé, amor de mulher, dignidades imaginadas, suspeitas assustadoras, arrogância pomposas - e desse material constrói para si mesmo uma imortalidade para espantar os céus e confundir as imensidades. Ele se retorce na sua pilha de esterco e, tal qual uma criança perdida na escuridão em meio a duendes, grita aos deuses que é irmão destes, seu irmão mais moço, um prisioneiro da carne viva que está destinado a ser tão livre quanto eles- monumentos de egotismo criados pelos epifenômenos; sonhos e pó dos sonhos, que desaparecem quando o sonhador desaparece e nada mais são quando o sonhador morre.


Não constituem novidade algumas estas mentiras vitais que os homens a si próprio dizem, aos sussurros, aos murmúrios, como se fossem mágicas e encantos contra os poderes da Noite. Os voodoos e curandeiros e feiticeiros foram os pais da metafísica. A Noite e o Sem Nariz foram os ogres que obstruíram o caminho da luz e da vida. E os metafísicos venceriam, se para isso tivessem de contar mentiras. Eles foram perturbados pela brônzea lei do Eclesiastes, segundo a qual homens morrem como as bestas do campo e seu fim é o mesmo, seus credos foram seus esquemas, suas religiões, suas panacéias, suas filosofias, seus ardis pelos quais eles quase acreditaram que poderiam exceder em astúdia o Sem Nariz e a Noite.


Luzes do charco, vapores de misticismo, sugestões psíquicas, orgias da alma, lamentações nas trevas, gnosticismos misteriosos, véus e tecidos de palavras, subjetivismos ininteligíveis, apalpadelas nas trevas e sussurros, fantasias ontológicas, alucinações psíquicas - eis o material, os fantasmas de esperanças que enchem suas estantes. Olhem só para eles, tristes aparições de homens tristes, loucos e apaixonados rebeldes - seus Schopenhauers, seus Strindbergs, seus Tolstóis e Nietzsches."


"Basta. Seu copo está vazio. Encha-o e esqueça."


-230 Obedeço, pois meu cérebro agora é uma comichão de vermes criados pelo álcool, e enquanto bebo aos pensadores tristes das minhas estantes, cito Richard Hovey:


"Abster-se, não! Vida e Amor, noite e dia,

Se nos oferecem à suas própria feição
E não à nossa. Aceita a dádiva com alegria
Antes que te devorem os vermes do chão."

"Eu o aprisionarei", grita a Lógica Branca.


"Não", respondo, enquanto os vermes me enlouquecem. "Eu conheço você pelo que é, e não o temo. Sob a sua máscara de hedonismo você é o Sem Nariz, e seus caminhos só conduzem à Noite. O hedonismo não tem significação. Também é uma mentira, no melhor dos casos é o compromisso presunçoso do covarde..."


"Eu o aprisionarei!", a Lógica Branca interrompe.


"Mas se esta pobre vida não te satisfaz,

Ora, livre és para findá-la se te apraz
E sem receio de acordar após a Morte."

E eu ri desafiador; pois agora, e por um momento, reconheço a Lógica Branca como o arquiimpostor de todos eles, a soprarem seus cochichos de morte. E ela é culpada de seu próprio desmascaramento, sua química jovial virando as mesas sobre ela própria, seus vermes mordendo as velhas ilusões ainda vivas, ressuscitando e fazendo soar a antiga voz do fundo da minha juventude, dizendo-me outra vez que ainda são minhas as possibilidades e poderes que a vida e os livros me disseram que não existiam.



Teste o seu cérebro - National Geographic



Teoria da Conspiração com Jesse Ventura - TruTV

Sociedades Secretas (Illuminati, Rosa-Cruz, Bilderbergs, Maçonaria, etc) - Oligarquia, Plutocracia

2012 - Elite Constrói Abrigos Subterrâneos Para o Deslocamento do Eixo da Terra


Wall Street: FALÊNCIA GLOBAL - COLAPSO TOTAL DA ECONOMIA MUNDIAL - Ouro nova moeda global

O Dia depois do Colapso do Dólar - Rumo a Nova Ordem Mundial

Guerras e Armas Biológicas - Pandemias Fabricadas - Seres Mutantes - Plum Island

A Farsa do Aquecimento Global

HAARP - Arma climática (máquina do controle do tempo) de produzir Terremos, Furacões, etc

Hipnose - Controle da Mente - Super Soldados - Assassinos Programados

Grande Irmão - Big Brother - Echelon, Microchips, Vigilância, Mondex

FEMA: Campos de Concentração, Lei Marcial, Estado Policial

Fim da Água Doce, Esterilização em Massa e Escravização Global

Despopulação, Vazamento de Petróleo no Golfo do México, Mini Era do Gelo

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker 2005


Se as suas finanças andam na corda bamba, talvez esteja na hora de você refletir sobre o que T. Harv Eker chama de "o seu modelo de dinheiro" – um conjunto de crenças que cada um de nós alimenta desde a infância e que molda o nosso destino financeiro, quase sempre nos levando para uma situação difícil.
Neste livro, Eker mostra como substituir uma mentalidade destrutiva – que você talvez nem perceba que tem – pelos "arquivos de riqueza", 17 modos de pensar e agir que distinguem os ricos das demais pessoas. Alguns desses princípios fundamentais são:
· Ou você controla o seu dinheiro ou ele controlará você.
· O hábito de administrar as finanças é mais importante do que a quantidade de dinheiro que você tem.
· A sua motivação para enriquecer é crucial: se ela possui uma raiz negativa, como o medo, a raiva ou a necessidade de provar algo a si mesmo, o dinheiro nunca lhe trará felicidade.
· O segredo do sucesso não é tentar evitar os problemas nem se livrar deles, mas crescer pessoalmente para se tornar maior do que qualquer adversidade.
· Os gastos excessivos têm pouco a ver com o que você está comprando e tudo a ver com a falta de satisfação na sua vida.
O autor também ensina um método eficiente de administrar o dinheiro. Você aprenderá a estabelecer sua remuneração pelos resultados que apresenta e não pelas horas que trabalha. Além disso, saberá como aumentar o seu patrimônio líquido – a verdadeira medida da riqueza.
A Idéia é fazer o seu dinheiro trabalhar para você tanto quanto você trabalha para ele. Para isso, é necessário poupar e investir em vez de gastar. "Enriquecer não diz respeito somente a ficar rico em termos financeiros", diz Eker. "É mais do que isso: trata-se da pessoa que você se torna para alcançar esse objetivo." 
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"T. Harv Eker desmistifica o motivo pelo qual algumas pessoas estão destinadas à riqueza e outras a uma vida de dureza. Se você quer conhecer as causas fundamentais do sucesso, leia este livro. " – Robert G. Allen, autor de O milionário em um minuto
"Há anos eu acompanho e admiro o trabalho de Harv Eker. Recomendo este livro a todas as pessoas que querem aumentar a sua riqueza financeira, mental e emocional." – Jack Canfield, co-autor da série Histórias para aquecer o coração
Quem nunca se perguntou por que algumas pessoas precisam suar a camisa para ganhar dinheiro, enquanto alguns felizardos parecem enriquecer facilmente. Segundo T. Harv Eker, isso não ocorre por causa de diferenças de educação, de inteligência, de talento, de oportunidades, de métodos de trabalho, de contatos, de sorte nem, muito menos, como resultado da escolha de empregos, negócios ou investimentos.
A resposta, segundo o autor, está no modelo pessoal de dinheiro que todos nós trazemos gravado no subconsciente. Para ele, mesmo quando uma pessoa domina a área em que atua profissionalmente, se o seu modelo de dinheiro não estiver programado para um alto nível de sucesso, ela jamais enriquecerá – e, se isso acontecer, é possível que logo perca tudo o que conquistou.
Felizmente, ninguém é obrigado a amargar as conseqüências dessa programação mental negativa por toda a vida. Neste livro, Eker apresenta os princípios da mente milionária, os mesmos que ensina nos seus seminários e cursos, mostrando que podemos nos recondicionar, em termos de pensamentos e ações, para atingir o sucesso de um modo tão natural quanto as pessoas ricas.
Na parte 1, aprendemos de que forma as influências recebidas na infância moldam o nosso destino financeiro e passamos a entender também por que as brigas em torno de dinheiro são tão comuns entre os casais. Combinando o saber adquirido na prática com uma linguagem bem-humorada, Eker nos orienta a identificar as crenças prejudiciais e a transformá-las para que tenhamos mais chances de ser bem-sucedidos, conservar o dinheiro, fazê-lo crescer continuamente e melhorar os nossos relacionamentos.
Na parte 2, o autor relaciona 17 "arquivos de riqueza", que expõem a exata diferença entre o modo de pensar e agir das pessoas ricas e o daquelas que têm uma mentalidade pobre ou uma visão de classe média. Cada um desses arquivos contém sugestões de ação prática que podem nos ajudar a aumentar substancialmente os nossos rendimentos e, quem sabe, até a enriquecer.

Trecho de Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker



PARTE 1

O seu modelo de dinheiro
Vivemos num mundo de dualidades. Alto e baixo, claro e escuro, quente e frio, rápido e lento, direita e esquerda são alguns exemplos dos milhares de pólos opostos com que convivemos. Para que um pólo exista, é necessário que o outro exista também. É possível haver um lado direito sem que haja um lado esquerdo? Sem chance.
Portanto, se existem regras "externas" para o dinheiro, há também regras "internas" para ele. As primeiras envolvem aspectos essenciais, como conhecimento comercial, administração financeira e estratégias de investimento.Mas não menos fundamental é o jogo interno. Vou fazer uma analogia com um carpinteiro e as suas ferramentas. Ter as mais modernas ferramentas é indispensável para ele, porém ser um carpinteiro de primeira categoria, capaz de utilizá-las com a habilidade de um mestre, é ainda mais importante.
Eu sempre digo: não basta estar no lugar certo na hora certa.Você tem que ser a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa.
Quem é você, então? Como você pensa? Quais são as suas crenças? Quais são os seus hábitos e as suas características? Qual é a sua opinião sobre si próprio? Quanta confiança você tem em si mesmo? Como é o seu relacionamento com as pessoas? Até que ponto você confia nelas? Você realmente acredita que merece ser rico? Qual é a sua capacidade de agir apesar do medo, da preocupação, do incômodo, do desconforto? Você consegue ir em frente mesmo quando não está disposto a fazer isso?
O fato é que o seu caráter, o seu pensamento e as suas crenças são os fatores que determinam o seu grau de sucesso.
Stuart Wilde, um dos meus escritores favoritos, apresenta a questão da seguinte maneira: "A chave do sucesso é despertar a própria energia, pois isso atrairá as pessoas até você. E, quando elas aparecerem, fature!"


PRINCÍPIO DE RIQUEZA

Os seus rendimentos crescem na mesma medida em que você cresce!
Por que o seu modelo de dinheiro é importante?
Você já ouviu falar de pessoas que "desabrocham" financeiramente? Já notou que alguns indivíduos ganham rios de dinheiro e depois perdem tudo, ou começam aproveitando uma excelente oportunidade e, em seguida, deixam o bolo desandar? Agora você sabe qual é a verdadeira causa desse problema. Por fora, parece má sorte, uma oscilação na economia, um sócio desonesto, seja lá o que for. Por dentro, porém, a questão é outra. É por esse motivo que, se uma pessoa ganha muito dinheiro sem estar interiormente preparada para isso, o mais provável é que a sua riqueza tenha vida curta e ela acabe sem nada.
A maioria das pessoas simplesmente não tem capacidade interna para conquistar e conservar grandes quantidades de dinheiro e para enfrentar os crescentes desafios que a fortuna e o sucesso trazem. É sobretudo por causa disso que elas não enriquecem.
Um bom exemplo são os que ganham em loterias. As pesquisas mostram continuamente que, seja qual for o tamanho do prêmio, a maior parte desses felizardos acaba voltando ao seu estado financeiro original, isto é, a ter a quantidade de dinheiro com a qual conseguem lidar com mais facilidade.
No caso de quem enriquece pelo próprio esforço ocorre exatamente o contrário. Repare que, quando um milionário desse tipo perde a fortuna, geralmente ele a refaz em pouco tempo. Nesse aspecto, Donald Trump é um ótimo exemplo. Ele tinha bilhões de dólares e perdeu cada centavo. Dois anos depois, recuperou tudo e até conseguiu mais.
Como se explica esse fenômeno? É simples. Pessoas assim podem perder todo o dinheiro que possuem, mas jamais perdem o ingrediente mais importante do seu sucesso: a mente milionária. No caso de Trump, a sua mente bilionária, é claro. Você já percebeu que ele nunca poderia ser apenas um milionário? Como você acha que ele se sentiria a respeito do seu sucesso financeiro se o seu patrimônio líquido fosse de US$ 1 milhão? Provavelmente, arruinado, um completo fracasso financeiro.
Isso acontece porque o "termostato" financeiro desse empresário está regulado para produzir bilhões, e não milhões. Algumas pessoas têm um termostato financeiro programado para gerar milhares, e não milhões; outras têm um termostato ajustado para criar algumas centenas. Finalmente, existem aquelas cujo termostato financeiro está condicionado a funcionar abaixo de zero - elas estão congelando e nem sabem por quê.
A realidade é que a maior parte das pessoas não atinge o seu pleno potencial, não é bem-sucedida. As pesquisas mostram que 80% dos indivíduos jamais serão financeiramente livres como gostariam e 80% deles nunca se considerarão de fato felizes.
O motivo é simples. As pessoas, na sua maioria, agem de forma inconsciente. Quase dormem no ponto - trabalham e pensam num plano superficial da vida, baseadas somente no que vêem. Elas vivem estritamente no mundo visível.