terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Sobre Vida e Morte

Na reunião passada nós falamos nisso, que as vidas terminam, que tudo termina e tudo cessa. E que não existe um futuro nem para o sistema solar, nem para esse mundo. A longo prazo, o sol vai se tornar num gigante vermelho e vai torrar a Terra. Talvez muito antes disso, nós destruamos a Terra ou a nossa civilização, ou a nossa espécie sofra uma catástrofe gigantesca, assim como os dinossauros sumiram, assim como tantas civilizações na história da humanidade já desapareceram. Várias civilizações das Américas foram assim. E mesmo se da nossa civilização não sobrar nada, essa não é uma visão niilista, porque se nós olharmos mais profundamente do ponto de vista budista, nós pertencemos a um vasto universo, nós somos uma gota num enorme oceano. Não existe como sair daqui. Então não existe na verdade nascimento e morte: eles parecem eventos, mas são manifestações cármicas. 

Se vocês procurarem algum sentido profundo para suas vidas, verão que somos bolhas - surgimos e desaparecemos como relâmpagos, eventos momentâneos dos quais ninguém se lembra depois. Exatamente como vocês, que não se lembram dos seus bisavós (ninguém sabe o nome dos seus oito bisavôs. Eu pergunto isso há centenas de palestras e nunca ninguém falou que sabe de cor o nome dos seus oito bisavós), ninguém vai se lembrar de vocês também daqui a três gerações. Seus corpos estarão apodrecidos ou transformados em cinzas. Pronto.

Mas nossas vidas têm significado, porque se você jogar uma pedra no mar, a configuração das ondas é alterada por toda a eternidade. Então, de um lado somos insignificantes, e de outro somos incrivelmente poderosos. E nossas vidas têm significado cármico, porque mudam o universo. E é isso que temos que pensar: pertencemos ao universo, temos a capacidade de mudar o universo. 

Então vale a pena viver e fazer coisas significativas. E no mínimo vale a pena viver essa vida no que ela tem de maravilhoso. Por isso no budismo dizemos: enjoy your life! Aproveite plenamente sua vida. Mas, para aproveitar plenamente a sua vida, você não pode ficar se preocupando com bobagem. Tem que ver a vida como ela realmente é, com o fluxo passando, e nós como fluxo dentro do próprio universo. E se isso é assim, pode sumir essa Terra, mas o universo continua, e nós continuamos, como ondas nesse universo. 

Eus são enganos, não existem, são só sensações momentâneas. Eu acredito em mim agora, mas não me lembro de um passado anterior a mim nem ninguém lembra. Por isso tem sentido a prática espiritual, porque em geral as pessoas estão perdidas e infelizes. Porque se preocupam com tolices e não aproveitam a vida bem, tal como ela é: ler um bom livro, comer um prato delicioso, ter um amor, são coisas maravilhosas.

Por outro lado, no momento em que você  causa sofrimento aos outros, aí sim não valeu a pena essa vida. É uma vida tola, um mau carma. E tudo tem causa e efeito - portanto as coisas sempre retornam, é esse o sentido de tudo. 

Existe, portanto, sentido e valor na vida. Não é um nada, e também não somos Eus eternos. O budismo nega as duas coisas: o eternalismo, a permanência das coisas, com almas eternas ou deuses eternos, e nega também o niilismo, ou seja, nada tem sentido e não tem valor fazer coisa alguma.

Como estudar sozinho - Prof. Jubilut & Débora Aladim

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Plantas indicadoras (plantas falam) - por Ana Primavesi

Retirado do livro "Pergunte ao Solo e às Raízes" de Ana Primavesi.
No final do post tem um link pra baixar um arquivo .doc com imagens das plantas (já que no livro não tem).

PLANTAS QUE INDICAM CONDIÇÕES QUÍMICAS
1. Amendoim-bravo ou leiteirinha (Euphorbia heterophylla): aparece especialmente em campos de soja e anuncia o esgotamento de molibdênio (Mo).
2. Ançarinha-branca (Chenopodium album): aparece frequentemente em campos de batatinhas com elevadas doses de nitrogênio, mas também em hortas adubadas com muito composto. Pelo excesso de nitrogênio se induz a deficiência aguda de cobre (Cu).
3. Artemísia ou losna-brava (Artemisia absinthium): por exemplo, ela cobria as pradarias norte-americanas superpastejadas. Também está tomando conta, após uma agricultura intensiva com enormes quantidades de NPK, da puszta, das pastagens húngaras, onde criavam seus famosos cavalos, indicando a salinização e um pH elevado, entre 7,5 a 8,5.
4. Azedinho ou oxalis (Oxalis oxyptera): trevinho de folhas azedas que facilmente aparece nos gramados em São Paulo, indicando uma falta aguda de cálcio (Ca).
5.  Babaçu (Orbignya speciosa): a frequência dessa palmeira indica o grau da formação de cerrado. Por exemplo, atualmente, aparece com frequência na região de Altamira onde, há 30 anos, ainda havia mata fechada.
6. Bacuri (Platonia insignis): indica um solo de cerrado fértil.
7. Beldroega (Portulaca oleracea): é uma planta que indica solos férteis, mas de baixa “capacidade de campo” (capacidade máxima do solo em reter água).
8. Capim-caninha ou capim-colorado (por causa de seus colmos alternadamente verdes e vermelhos – Andropogon incanus): indica solos encharcados durante a época de chuvas e deficientes em fósforo (P). Neste estado, encana logo após a brotação e é considerado um capim inútil e indesejável. Porém, quando recebe fósforo, permanece tenro durante muito tempo e é boa forrageira.
9. Capim-colchão (Digitaria sanguinalis e D. horizontalis): sempre indica a deficiência de potássio (K).
10. Capim Sporobulo (Sporobolus poiretii): capim muito pobre, aparece em pastagens deficientes em molibdênio (Mo).
11. Carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum): aparece facilmente em lavouras de feijão, e indica a deficiência em cálcio (Ca). Feijão deficiente em cálcio resiste menos a períodos secos e é facilmente atacado por antracnose.
12. Picão-branco ou fazendeiro (Galinsoga parviflora): aparece especialmente em hortas bem providas de composto e indica a deficiência em cobre (Cu).
13. Dente-de-leão (Taraxacum officinale): somente aparece em solos férteis, bem providos em boro (B).
14. Erva-lanceta ou mãe-de-sapé (Solidago microglossa): tem esse nome porque indica um pH 4,5, e que é 0,5 ponto maior do que o do solo onde aparece o capim-sapé.
15. Língua-de-vaca (Rumex obtusifolius): somente ocorre em solos férteis com excesso de nitrogênio orgânico e, portanto, com deficiência em cobre (Cu).
16. Mio-mio (Baccharis coridifolia): invade os solos da fronteira do Rio Grande do Sul. É tomado como sinal de solos rasos e pedregosos, e é usado pelos caçadores como guia no meio das pastagens encharcadas. Indica deficiência de molibdênio (Mo).
17. Nabisco ou nabo-bravo (Raphanus raphanistrum): aparece com facilidade em lavouras de trigo e, muitas vezes, é tomado como índice de campo sujo. Na verdade, é o indicador da deficiência de boro (B) e de manganês (Mn) esgotados pelo trigo.
18. Rubim (Leonurus sibiricus): indica a deficiência de manganês (Mn), mas como é um ótimo remédio para o estômago e raramente aparece em grandes quantidades, quase ninguém se incomoda com sua presença.
19. Samambaia-de-tapera (Pteridium aquilinum): é muito comum nos pastos, especialmente na região do cerrado. Indica um excesso de alumínio (Al), porém, quando grande e viçoso, indica solo rico em outros nutrientes e, quando pequeno, o solo é pobre. Em pastagens é nefasto, porque seus brotos têm um veneno cumulativo que causa sangramentos até a morte do gado. Cafeicultores gostavam dele, usando-o como mulch (cobertura morta), porque diziam que evita nematóides.
20. Sapé (Imperata brasiliensis): é um capim muito ácido com excesso de alumínio (Al), indicando um pH 4,0. Embora as éguas o comam sem problema, apresentando-se bem nutridas e reluzentes, ele causa uma desmineralização total dos potros, que leva à poliartrite e à morte.

PLANTAS QUE INDICAM CONDIÇÕES FÍSICAS   
1. Assa-peixe (Vernonia spp.): presente onde há queimadas frequentes e solo duro e adensado a partir de 3 a 4 centímetros de profundidade (raízes superficiais).
2. Babaçu (Orbignya speciosa): indicador da formação progressiva de cerrado. Dizem: quanto mais pés de babaçu, mais avançada a “cerradificação”.
3. Cabelo-de-porco (Carex spp.): aparece em áreas queimadas com muita frequência e que não deixam plantas estoloníferas permanecerem. Solo ácido.
4. Capim-amargoso (Digitaria insularis): surge onde existe uma camada impermeável em mais ou menos 60 a 80 centímetros de profundidade, causando erosão subterrânea ou estagnação de água.
5. Capim-arroz (Echinochloa crusgalli): aparece onde existe uma camada “reduzida” no solo, na qual os nutrientes perdem seu oxigênio e se juntam ao hidrogênio, podendo tornar-se tóxicos.
6. Capim-cabeludo (Trachypogon spp.): comum em Roraima e Guianas, indicando solo pobre e queimado várias vezes ao ano.
7. Capim-canarana (Echinochloa polystachya e E. pyramidalis): presente em baixadas amazônicas temporariamente inundadas.
8. Capim-carrapicho, capim-amoroso ou olho-do-diabo (Cenchrus echinatus): quando aparece em grande quantidade, o solo é muito compactado, extremamente duro.
9. Capim-marmelada (Brachiaria plantaginea): presente em solo arado, deficiente em zinco.
10. Capim-natal, capim-favorito ou capim-gafanhoto (Rhynchelytrum repens): aparece em solo muito seco ou pedregoso. Em campos onde ele predomina, criam-se os gafanhotos-praga.
11. Capim pé-de-galinha (Eleusine indica): cresce geralmente na beira de caminhos, indicando um solo fértil, mas muito compactado.
12. Grama-missioneira (Axonopus compressus): indica solo muito ácido e pobre, mas pode estar sombreado.
13. Grama-seda ou grama-paulista (Cynodon dactylon): presente em solo muito pisoteado, por isso também é usado em campos de futebol.
14. Guanxuma (Sida rhombifolia): indica uma laje muito dura em pouca profundidade, como aquela causada pela irrigação ou chuvas em solos mantidos limpos (por capina ou herbicidas). É comum em plantações de batatinhas.
15. Inajá (Maximiliana maripa): palmeira que aparece em lavouras decaídas.
16. Jurubeba (Solanum paniculatum): é típica para a rebrota na Amazônia. Lá vale a regra: solo uma vez desnudado e exposto à chuva, a laje cresce até 7 centímetros abaixo da superfície. Em solo três vezes desnudado e exposto à chuva, a laje desce até 3 centímetros abaixo da superfície.
17. Capim-quicuio (Pennisetum clandestinum): indica solo fresco.
18. Maria-mole ou berneira (Senecio brasiliensis): indica solo fresco a úmido na primavera.
19. Capim-rabo-de-burro ou cola-de-zorro (Andropogon spp.): indica camada impermeável em 80 a 100 centímetros de profundidade.

Download do arquivo com imagens das plantas.

Este arquivo não é da Primavesi mas tem algumas indicações de plantas também. Talvez interesse a vocês: link.

Clique aqui para entrar no grupo no WhatsApp "Agroecologia Primavesi".

ASSISTA: Assange do Wikileaks diz que Temer trocou dados sigilosos do Brasil por apoio dos EUA ao Impeachment de Dilma

Em entrevista exclusiva ao escritor Fernando Morais, editor do Nocaute, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou que Michel Temer forneceu informações estratégicas sobre o Brasil à embaixada norte-americana, em troca de apoio dos Estados Unidos ao golpe parlamentar de 2016; “Michel Temer teve reuniões privadas na embaixada dos Estados Unidos e forneceu informações políticas às quais muitos não tinham acesso. Não digo que ele tenha sido um espião pago. Falo de outra coisa: de trocar informação por apoio político”, afirma.



Fonte
Fonte 2

O Brasil é o país mais espionado pelos EUA na América Latina

domingo, 8 de janeiro de 2017

Samsara e Nirvana são modos de ver as coisas

Aluno - Parte do caminho de ver as coisas como realmente são, também passa pelo fato de compreender este ciclo, do samsara de vida e morte. Eu me pergunto, esta insatisfação seria uma desistência da vida como ela é aqui? 

Monge Genshô - Não sei se entendi bem onde você quer chegar, mas é bom nós compreendermos que samsara e nirvana são modos de ver as coisas, aqui no nosso mundo diário, samsara é o mundo da perambulação onde você procura a felicidade em coisas diferentes, você vai procurar uma coisa e depois outra e depois outra e nunca está satisfeito, nós procuramos novos amores, novos empregos, procuramos trocar de carro por que eu vou ficar feliz se eu trocar de carro. Isso eu ouço muito.

Eu tenho um amigo que cujo objetivo é ser bilionário. Ele acha que vai ficar feliz quando for bilionário, porque a mãe dizia a ele que um homem sem dinheiro não é nada, então ele só pensa em ganhar dinheiro e acha que quando alcançar este número, quando tiver um bilhão, ele será um homem feliz e realizado, isto é típico do mundo do samsara, mas, quando alcançar, vai ter um outro problema porque na lista da Forbes, quem tem um bilhão é um bilionário fraco, porque tem gente com 100 bilhões. Ele será pobrezinho no meio dos bilionários. Uma vez eu fui a Mônaco, um lugar onde moram  pessoas muito ricas diferentes de um viajante economizando, no porto havia um iate de 20 metros. Aqui, um iate de 20 metros é de um milionário, o sujeito tem um iate sensacional, mas ali em Mônaco não é nada porque do lado tem um de 100 metros,  tem quase transatlânticos de Sheiks Árabes, alguém gastou uma fortuna enorme para mostrar para os outros bilionários. Então para ser mais sensacional que o outro, manda colocar torneiras de ouro nos banheiros ou qualquer coisa assim. [...]