domingo, 3 de junho de 2012

Fatos sobre 2012

Recebi por e-mail da minha vó... abaixo, algumas imagens. Para fazer download do .PPS, clique aqui. Para visualizar online, clique aqui. Caso o link esteja off reporte para danielbarbosa17@live.com.



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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Raul Seixas, Um Roqueiro no Além

Os depoimentos do espírito Zílio (Raul Seixas), psicografados pelo médium Nelson Moraes e que constam no livro, UM ROQUEIRO NO ALÉM, vem causando uma profunda transformação nos jovens que leram tais depoimentos.

São milhares de jovens entre treze e vinte e um anos que através da leitura desse livro, acabaram se conscientizando do perigo que representa para o espírito o vício das drogas e do álcool.

Segundo os amigos e a própria mãe de Raul Seixas, quando encarnada, afirmaram reconhecer no espírito Zílio, o roqueiro famoso desencarnado...

Dr. Carlos de Brito Imbashay, do Rio de Janeiro, deu um depoimento muito interessante sobre o livro: "É incrível o poder de influenciação desses depoimentos contidos no livro, UM ROQUEIRO NO ALÉM, afirmo isso em função de ter constatado pessoalmente dois casos de transformações profundas influenciadas por essa obra".

Para informação dos leitores que ainda não conhecem a obra, transcrevemos alguns trechos dos depoimentos do Roqueiro:

"A minha morte foi como um pesadelo; senti um profundo torpor e perdi os sentidos. Depois de algum tempo recobrei a consciência; parecia estar bem, até que percebi que algumas pessoas estavam colocando-me dentro de um caixão.

Tentei reagir, mas não consegui mexer-me; gritei dizendo estar vivo, mas ninguém me ouviu.
Quando fecharam o caixão, dei murros na tampa tentando abrí-la, mas meu esforço era em vão; perdi os sentidos.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado; quando dei por mim novamente, senti que me colocaram em um veículo e viajamos por algum tempo. Os solavancos do carro enjoaram-me; comecei a passar mal; não tinha espaço para vomitar e nem para me mexer; sentia-me sufocado.

Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que alí deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando eu menos esperava, abriram a tampa.

Senti um grande alívio! Tentei levantar-me, mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar.

O que eu poderia fazer? Já havia tentado de tudo para sair dalí. A única explicação que eu encontrava para aquele fato é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso ao corpo que já começava a cheirar mal.

Diante da minha impotência, tive que aceitar aquela situação. Observei cada pessoa que passava por mim. Olheavam-me piedosamente e lamentavam a minha morte. Quase todos que passaram por aquele desfile de lágrimas e de hipocrisia diziam a mesma coisa: Que pena, tão jovem! Outros cochichavam: Foram as drogas que o destruíram!

Depois de algum tempo, fecharam o caixão e puseram-me novamente em um carro; fiquei tonto. comecei a passar mal;por alguns momentos tive a esperança de que tudo aquilo poderia ser um sonho e que, naquele momento, eu iria morrer de verdade.

Mas acabei apenas desmaiando. Quando voltei a mim, não sei quanto tempo depois, escutei algumas pessoas conversando. Pelo que elas falavam, deduzi que estavam levando-me para o cemitério; quase me desesperei.

Senti um medo terrível, principalmente quando percebi que estavam sepultando-me. Não cheguei a entrar em pânico, mas rezei todas as orações que eu havia aprendido e isso de certa forma me acalmou.

Lembrei-me da minha vida desde quando era criança. Revi todo o meu passado, era como se eu estivesse assistindo a projeção de um filme na minha mente. A partir daí, naquela solidão profunda, comecei a julgar minhas atitudes.

Fui um combatente! Lutei contra um sistema que eu não aceitava e que me causava revolta. Entretanto, acabei vítima de mim mesmo e não do sistema que eu condenava.

Sem perceber, havia optado pela fuga, a mesma fuga que me havia fascinado em outros momentos de minha vida.  

O sofrimento por que eu estava passando era característico dos suicídas. Era assim que eu me sentia, um suicída. Levado pela revolta, percorri o caminho das drogas até encontrar a morte. Embora o mundo me aborrecesse, eu deveria ter continuado no bom combate.

Na verdade, fui um equivocado, apontei tudo o que eu achava que estava errado, mas não soube indicar o certo. Minhas intenções eram boas, mas minhas atitudes eram contraditórias. Em vez de atacar e ferir o sistema, eu deveria ter contribuído para transformá-lo.

Não corri atrás do ouro dos tolos, mas, na cama do meu apartamento, fiquei deitado com a boca aberta, esperando a morte chegar. Ela chegou antecipada! Veio convidada pela minha insensatez.

Em vez de repousar em seus braços, ela agora fazia arder minha consciência. No auge da minha angústia, eu questionava: Quanto tempo eu terei que ficar nesta situação? Ficarei aqui até o dito trem passar? Será que vou? Ou será que fico? Eu consolava a mim mesmo: Não importa! Se vou, livro-me deste mundo equivocado. Se fico, tento outra vez.

Diante das dúvidas que povoavam a minha mente, eu afiirmava: Tenho certeza de que a vida é eterna! Este é apenas um momento como outro qualquer. Vai passar, como tudo passou.

Essas auto-afirmações reconfortavam-me. Constantemente eu buscava encontrar as vantagens que aquela situação me proporcionava. Então eu dizia: Pelo menos aqui não ouço os noticiários infames! Não posso beber e nem me drogar...

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/comunicabilidade-dos-espiritos-(mediunidade)/um-roqueiro-no-alem-(pelo-espirito-raul-seixas)/#ixzz1wQMIX77W

Raul Seixas e o espiritismo

Leia abaixo mensagem de Raul Seixas psicografada por Nelson Moraes no dia 23 de março de 2002! A mensagem foi reconhecida e atestada pela mãe de Raul, D. Maria Eugênia. Preste atenção no que diz Raul depois de desencarnado:

“Frente à realidade que me surpreendeu a metamorfose agora é outra”! 
A Sociedade Alternativa não acontece no embalo dos sonhos mal sonhados, nasce na individualidade daqueles que vivem na real. 
Vivi como um cometa que passa e causa espanto, não consegui ajustar-me na órbita que poderia sustentar-me na trajetória rumo à felicidade que sonhei para mim e para os outros. 
Porém, ainda não apaguei, vou continuar entre a luz e a sombra, procurando minha própria luz em constante metamorfose. 
Voltei sem alarde, faço da mente do médium o meu telégrafo para revelar ao mundo das ilusões a verdadeira Sociedade Alternativa, que nos aguarda no universo infinito e que deve ser construída no universo íntimo de cada um, aí e agora. 
Depois de atravessar os vales escuros da dor e do sofrimento, minha visão ampliou-se e pude compreender que aqueles que buscam afogar suas ansiedades e frustrações nas drogas químicas e alcoólicas são como epiléticos criados artificialmente, os quais sofrem e fazem sofrer. Por isso, vejo-me na obrigação consciencial de informar aos companheiros que estão a caminho que o sofrimento não pára aí, ele se estende pelos vales espirituais, onde a epilepsia se torna real, processando a duras penas os elementos venenosos inseridos no corpo perispiritual. 
Muitas vezes, embalados pelo sonho e pelo lirismo dos poetas e pelo modismo estimulado pela sociedade de consumo, deixamos de enxergar a realidade à nossa volta e buscamos distrair a nossa consciência das responsabilidades inerentes à verdadeira finalidade da vida. Conseqüentemente, alteramos o valor das coisas e os conceitos sobre juventude, lar, família e objetivos, deixando cair vertiginosamente o nosso amor próprio e o amor por aqueles que nos são caros. Nesse conceito equivocado, tudo se torna lícito, até mesmo o que não convém. Os que viveram esse tipo de liberdade na Terra, como eu, hoje superloto os vales das sombras à semelhança de larvas, arrastando-se entre o limo e as Escarpas dos abismos espirituais, situação que, em alguns casos, pode se prolongar por longos séculos. 
Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, suas gratidões por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: você mesmo!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Nunca o sossego do lar pareceu tão significativo

O autor é um ator, e diz que vai suicidar
Vontade
Sabe
Vontades
Energias frenéticas que me envolvem o tempo todo
Deus, está aí?
Tem certeza?
Absoluta?
Concreta?
Cimento fresco
Tinta fresca
Limpa e varre
Corre e vadia
Ao lar
O lar
Familiar
E sentem frustrações emocionais
Estática zero
Ah, tenho de ir
Nem disse aonde ia
Disse que ia jogar bola
Mas tanto eu quanto você sabemos
Que você não foi jogar bola
Onde foi, Daniel?
Daniel, Daniel
Fui pro céu
Comer pastel
De mel
Com gel
Especial e próprio
-
Que poesias mesquinhas
Quem está tentando enganar?
Já se manipulou, também ("eu conheço essa gente da tua raça, vocês tem umas engrenagens nessa cabecinha de vocês que fazem vocês se apegarem a uma ideia, é a Vontade, a maldita Vontade de vocês")
Tão bem que se passou despercebido
Só queria que me deixassem só
Só energias negativas
Lembranças de atos arrojados


Daniel do Vale, 2011

Operação Ventilação

Aprender novas palavras é o significado
Disso tudo
Desse tubo
De ventilação
Da nova
O(pe)ração / Ventilação
Marajó
Nome de fábrica
Que fabrica
Produtos
Solutos
E solventes
Também
Só lentes
Àlém
Gostaram dessa mágica
E do autor
E do cantor, também
Sou Soul
Sou Soul
Isso é o que eu sou
Soul
Sooul!
Souldier
New word, new world
Querem conhecer os pais dele
É filho do Niltinho
Com a Andréia
Que desejo
De satisfazer
O alheio
É esse
Que me percorre a alma
Até o último caminho?


Daniel do Vale, 2011

Medo

O medo é um sentimento que se perdeu
-
O medo é uma dor desenhada
-
O medo pode se tornar covardia
Quando temos as armas
E a moradia fixa
Mas fugimos
Com medo
Da (suposta) dor
De conhecer o desconhecido
Mas há uma paixão ardente demais em mim
Um fogo assim, que queima horizontes
Tão distantes
Que lembram-se que o medo
É uma dor
Opaca
Mas desenhada
E, como qualquer chiclete mascado
Deve ser descartado
E só assim alcançaremos
O prazer do desconhecido
O prazer de viver no sorriso
No prazer do sentimento
De que o medo era só um sentimento
Que se perdeu
Escafedeu
Peidou
Pum! Esvairou
Vrum! Já passou
Voando
Andando
Descalço
Sem medo das doenças
Que o frio pode, um dia, lhe causar
E à pessoa amada


Daniel do Vale, 2011

Sem rumo, sem prumo

Esta é a sétima e última
Contagem
Regressiva
Rumo à luz
Não gostaram do meu caminho
Não excluíram o pergaminho
Da dor
Da flor
Da moeda
Da moela
Esguarniçada
Separaram os indivíduos
Categoricamente
Enquanto cantavam
Canções quentes
Que (nos) ensinavam
A amar
E adorar
O altar
Pois é lá
Que está
O belo, doce e enfadonho
Luar
Ora, e quanto a varinha mágica?
Viajou no templo
No tempo perdido
Sem rumo, sem prumo
Apenas vagando
Descalço
Pelado
No espaço
Opaco


Daniel do Vale, 2011

Dizem que a Esperança

É a última que morre
Contato com anjos
Na sétima dimensão
Contatos perspectivos
Ou me tiram hoje
Ou me atiro (suicido) amanhã
No tiro
Ao alvo
Suicidar é um modo de atacar Deus
Mas como superar
Tantos obstáculos?
Como ignorar
Tantos aristocratas?
Soberanos
Tibetanos
Sangrando
E Deus divide o lustre da luz
Com vários
Sob a luz de velas
Faltou inspiração
Copiaram o Marzagão
O rio
O riso
Gigantesco
Riam de orelha a orelha
Babando tudo
Por tudo que chamam de dor
E amor
E a paixão? Foi enviada
Pra Etiópia

Daniel do Vale, 2011

Passado futuro profeta vidente

Quero saber do passado não! Só presente!
Também não quero saber do futuro porque não sou profeta e nem vidente!


Daniel do Vale, 2011

Interior Superior

Me chamam de louco, maconheiro
Não me tiraram desse inferno
Paraíso? Talvez alheio
Dizem que o que se passa
Na mente de um sujeito
Se volta de costas
Presse mesmo sujeito
Sujeito a guincho
Não estacione
Não me abandone
A mensagem já foi entregue
Os destinatários? Não sei se recebem
Mas os convidados
A partir da liderança
Foram convidados
A comer batatinhas
Toscas
Crueis
Fieis
Seres vivos, dignos de Confiança
Perseverança
E ditam o que é certo e errado
Sem pensar no espaço
Opaco
Pequenos
Somos demasiados
Pequenos
Somos desqualificados
Da paz
Interior
Superior
Ramificador


Daniel do vale, 2011

Martela

Então martela
Estou dizendo, seu metrossexual de plástico
O que é você perante o Espaço?
Um motorista? Pegou o volante da sua vida?
Então martela! Martela! Seu merda!!
Massagista? Aprendiz? Feiticeiro?
Xinguem os bombeiros
Chamem os bombeiros
Nada mais há de se se fazer aqui, nesse lugar
Quero ir embora
Me deixem ir embora
Quero me casar
Pra onde vou me levar!?
No topo, onde o ar é fresco
Os pássaros cantam, sorridentes
Ao altar!
Será que ela vai me aceitar?
Eu fico aqui, sonhando
Voando alto, perto do céu
Porque eu só amo quem me ama
Me ama
E aquele policial?
Foi embora?
Pedir esmola?
Dizem que um mendigo ganha bem
Vamos cruzar o país
Vamos rodar a baía
Do centro
Oeste
Do velho
Oeste


Daniel do Vale, 2011

segunda-feira, 28 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Rashid, Diário de bordo


A gente fala a gente anda a gente escuta a gente manda
A gente luta a gente sangra a gente sente medo quando
A gente erra a gente ganha a gente ferra a gente apanha
A gente enterra a gente estranha nossa própria gente quando
A gente entra a gente sai a gente tenta a gente vai
A gente enfrenta a gente cai por que a gente é só gente
Que não aprende, a gente lota o que não rende
A gente só tá pela gente a gente vota e logo se arrepende!
Presos nessa rede de corrupção
De quadra em quadra, vendedores de ilusão
Te enquadram em cada passo seu nesse mundão
Se não poluem a mente, poluem o seu pulmão


Eu nunca me apeguei as suas grifes, não vivo a vida de ninguém, eu vejo o que fiz
Vejo patifes no poder, apoiam o que diz..
respeito às horríveis coisas que escuto
Por isso trago neurônios armados com rifles!
Um exército em 23 pares de cromossomos
Por um minuto parem, e se perguntem: Quem somos?
Não queremos ser tratados como animais,
então por que agimos como se ainda tivessemos donos?!
Obedecendo a quem monopoliza tronos
Vendo nossos direitos como se fossem um bônus
Brasileiros não desistem, mas também não insistem..
Já não somos metade do que fomos
Entre Henne, Dreher ou Dhomus, guerreiros dormem
Embriagados pelo seu ego, seus trilhos somem
Quanto mais consomem
Já vi homens se tornarem covardes, mas acho impossível um covarde se tornar um homem
Morou, rapaz?
Num lugar onde vive mais quem fala menos, e muito menos quem fala mais
Pelas vielas
Disseram que as ruas me olhariam feio, e que eu deveria olhar ainda mais feio pra elas
Esse foi meu incentivo
Fazer tudo pela senhora mãe! Por que agora eu entendo
Não pude escolher entre lutar ou não
Mas já que to aqui, eu sei muito bem o lado que eu defendo
24 horas por dia
Atrás das linhas inimigas, território de quem me repudia
Eu tinha que ter fé
Por que ao contrário dos filmes, aqui eles dão mais do que tiro no pé!
(plew! plew!) É o momento do Bum!
Mudar o quadro onde o ressentimento é comum
Trouxe mensagem e usei sentimento como um..
Colete pra minha mente, por que me sinto dentro do DOOM
Só pode ser um jogo
Criadores brincam com criaturas, crianças brincam com fogo
E alta tensão..
Armas são brinquedos e brinquedos podem virar armas, dependendo da intenção
Irmão, a rua tem seu código
Muitos fugiram, muitos voltaram esperando a herança do pródigo
Entre jaquetas e capuzes, 2pac's e Papoose's
Mangueiras e jacuzes, cada um com suas cruzes
Luzes na avenida guiam o motorista melhor
A metrópole anuncia tentações num outdoor
A vida é uma eterna busca malandro
Só que a maioria dos vivos nem sabe o que tá procurando
A gente fala a gente anda a gente escuta a gente manda
A gente luta a gente sangra a gente sente medo quando
A gente erra a gente ganha a gente ferra a gente apanha
A gente enterra a gente estranha nossa própria gente quando
A gente entra a gente sai a gente tenta a gente vai
A gente enfrenta a gente cai por que a gente é só gente
Que não aprende, a gente lota o que não rende
A gente só tá pela gente a gente vota e logo se arrepende!
Presos nessa rede de corrupção
De quadra em quadra, vendedores de ilusão
Te enquadram em cada passo seu nesse mundão
Se não poluem a mente, poluem o seu pulmão
Vejo cérberos sem diposição
Com força, mais com cérebros em decomposição
Explodo egos se egos tornam o coração..
Cego, resgato cérebros em cada composição
E qual a sua posição? Perante esse mundo de ganância
Comércio de substâncias ilícitas, ambulância
Milícia, ou militância?
Consegue enxergar que o que separa os homens é mais que distância!?
Passe um dia enxergando através dos meus olhos
E entenderá cada tema que eu abordo
Nesse mar de gente eu sou mais um
Aqui quem fala é Rashid, e esse é o meu Dário de Bordo!
Bum!!!...

Temerário 'Tempo'

...quem sabe aqueles pensamentos outrora aniquilados sejam a minha sobrevivência ante a comunhão de pensamentos do orifício quem sabe eu um aquario maligno e sentimental precise de alguns peixinhos robustos nadando em minha corrente? e se todas essas interações subversivas forem o caminho prazeroso para a minha perdição no 'inferno'? quem se atreveria a se manifestar para me salvar eu um canhoto superficial inteiramente convicto em minhas divagações orientais em minhas especulações aduladoras de seres viventes uniformes? essas pessoas que me rodeiam, eles... por que eles insistem em me 'amar'? minha mãe ou minha parentela ou avós ou amigos ou namoradinhas pérfidas.. por que eles se atrevem a me amar? eu não mereço ser amado... por que essas pessoas se importam em me desvendar por que elas dedicam o seu temerário 'tempo' a mim, um ser extravagante?
não me sinto digno de ser amado. não sou digno de tamanho contratempo não sou digno de tal - imprevisto.


Ariel, 2011

Jack Kerouac, The Subterraneans

os homens são tão malucos querem a essência a mulher é a essência lá está ela bem na mão deles mas eles saem correndo construindo grandes estruturas abstratas

Escrito durante três dias e três noites, Os subterrâneos possui contornos autobiográficos. Leo Percepied é Kerouac e Mardou Fox é Alene Lee, a moça pela qual o escritor se apaixona em New York em 1953. No livro, a pedido do editor, a história se transfere para San Francisco, mas o ambiente underground e boêmio é o mesmo.
O texto de Kerouac – publicado em 1958, um ano após o lançamento de On the Road –, é uma prosa de um só fôlego, com poucas pausas para novos parágrafos. Após concluir o livro, o próprio autor afirmou que a obra tinha adquirido um estilo quase jazzístico, ritmado, como o bebop que serve de trilha sonora para a história.
Os subterrâneos são um grupo de hipsters, aspirantes a artistas, outsiders, homens e mulheres que vivem de bar em bar pelas ruas da cidade. Os subterrâneos é a história do encontro de duas almas perdidas. Mardou é uma moça metade cherokee (índia) metade negra , que cresceu em meio à pobreza. Passou a juventude pulando de amante em amante, até conhecer Leo. Ele, por sua vez, se apaixona verdadeiramente por Mardou, mas a forte ligação com a mãe e o preconceito racial fazem com que Percepied não consiga levar o romance adiante. Ao romper essa ligação, Leo/Kerouac se vê completamente perdido, atitude que é justificada pelas últimas linhas do texto: – E vou para casa tendo perdido o amor dela. E escrevo esse livro.

Eu saí de casa e fui andando sem saber pra onde minha cabeça ficava pensando pra que lado eu ia mas meu corpo andava sempre para a frente pela columbus avenue embora eu tivesse a sensação de cada direção que eu tomava mental e emocionalmente espantada com todas as direções que a pessoa pode tomar dependendo dos objetivos que pintam quer dizer você pode virar uma pessoa diferente eu penso muito nisso desde pequena de por exemplo em vez de subir a columbus como eu fazia sempre se eu entrar na filbert será que aconteceria uma coisa bem insignificante na hora mas que depois ia influenciar todo o resto de minha vida?o que aconteceria se eu tivesse seguido na direção que eu não segui?
a solidão que eu encarava de tantas maneiras diferentes quanto possível
tendências subterrâneas hip ao silêncio mistério boêmio drogas barbas semi-santidade e como eu vim descobrir depois mau-caratismo extremo (como george sanders em 'a lua e dois vinténs')
estava nua havia levantado dos lençóis satisfeitos dele para se entregar aos cinzentos pensamentos do que fazer, aonde ir
e olhei para ela e me perguntava se ela estava dizendo a verdade
ela estava no beco querendo saber quem ela era noite garoa fina neblina silêncio de san francisco adormecida os barcos na baía o véu sobre a baía de grandes neblinas ávidas a auréola de luz soturna saindo por entre os pilares do templo de alcatraz o coração dela batendo no silêncio na paz escura e fria sentada numa cerca de madeira esperando - esperando que alguma idéia de fora viesse ter com ela para dizer o que fazer e cheia de significado e premonição porque tinha de estar certa e só uma vez - 'um escorregão na direção errada' de que lado pular da cerca o espaço infinito se espalhava  nas quatro direções


os homens são tão malucos querem a essência a mulher é a essência lá está ela bem na mão deles mas eles saem correndo construindo grandes estruturas abstratas
como o mundo é frio é só você arranjar essas moedinhas simbólicas e eles deixam você entrar pra se aquecer e comer até não poder mais
ela sentada lá olhando pra todo mundo os tarados de sempre com medo de encará-la porque o olhar dela é louco eles sentem algum perigo vivo no apocalipse do pescoço tenso ávido daquela moça naquelas mãos magras e trêmulas - 'aquilo não é mulher não' - 'essa índia maluca vai matar alguém'
enquanto a gente falava uma grande corrente elétrica de compreensão verdadeira corria entre nós e eu sentia os outros níveis um número infinito de níveis de toda entonação da fala dele e da minha e o mundo de significados que havia em cada palavra - e eu nunca tinha percebido antes quanta coisa está acontecendo ao mesmo tempo e as pessoas sabem
o sol gostoso as flores e eu descendo a rua e pensando 'como que eu me permitia ficar entediada antigamente e pra compensar ficava muito louca ou de porre ou com acesso de alguma coisa de raiva ou qualquer outra maneira de reagir quando sequer alguma coisa em vez da compreensão das coisas que existem que afinal de contas são tantas e ficar pensando em lances sociais grilantes - sabe esse lances grilos sabe problemas sociais e meu problema racial um negócio tão sem importância e eu senti que aquela grande confiança e o ouro da manhã iam desaparecer um dia aliás já estava começando eu podia ter transformado toda a compreensão e vontade de viver e seguir em frente meu deus foi o negócio mais bonito que já aconteceu comigo do jeito que foi - mas agora foi uma coisa tão sinistra'
agora na casa de madeira onde ela foi criada no terror Mardou de cócoras encostada na parede olhando para os fios na penumbra e ela ouve a própria voz falando e não entende por que está falando aquilo só sabe que é preciso falar botar pra fora porque antes naquele dia quando em suas perambulações ela finalmente chegou à third street entre as filas de bêbados cambaleantes e os índios completamente de porre com curativos caindo nos becos e o cinema poeira com programa triplo e as criancinhas dos hotéis vagabundos correndo na calçada e as lojas de penhoras e os botequins de negros com vitrolas e ela parada no sol sonolento de repente ouvindo bop como se pela primeira vez a intenção dos músicos e os metais e instrumentos de repente uma unidade mística se exprimindo em ondas sinistras e de novo eletricidade porém gritando cheia de vida palpável a palavra direta vinda da vibração as trocas de informações os níveis de insinuações sinuosas o sorriso sonoro a mesma insinuação viva do modo como a irmã dela instalara aqueles fios enrolados enredados e cheios de intenções aparentemente inocentes mas na verdade por trás da máscara da vida cotidiana completamente em acordo com a boca sentimental serpentes quase sarcásticas de eletricidade colocadas ali de propósito que ela passara o dia todo vendo e ouvindo na música e via agora nos fios - aí as irmãs viram que realmente havia algum problema sério a mais nova das irmãs Fox que era alcoólatra e aprontava na rua e volta e meia era presa pela delegacia de entorpecentes algum problema inominável terrível medonho 'ela queima fumo e vive às voltas com aqueles caras barbudos estranhíssimos de san francisco'
para o bom entendedor meia palavra basta 'esperto demais pirou' escreveu ginsberg
estou sentido tantas sensações estranhas revivendo e reformulando Muitas coisas velhas
Deus quer que nossa vida não seja tão cruel quanto nossos sonhos
é digo eu triste mas eu devia ter prestado mais atenção àquele velho viciado que disse que tem uma amante em cada esquina - são todas iguais garoto por isso não se amarre em nenhuma delas


Jack Kerouac

sábado, 26 de maio de 2012

REP - Rashid, Emicida e Projota - Nova Ordem

+- 01:15 >
Ei, As ruas querem mais som
Nosso dom não pode ser secreto tipo a sociedade maçom
Se é o que cês quer toma entrego tipo garçom
Estourando orelhas como fez o Mike tayson
Ou tio rumo ao gol viu, fábrica de flow phill
Três pastores resgatando almas de quem ouviu
Verso útil quebrando tabu xiu..
Esse seu gosto musical se aprendeu vendo Raul Gil
Seu coração é seu remédio
quando a vida diz tudo passarás
Lá terroristas derrubam predio,
aqui nois derrubamos mascaras
Eu grito aos quatros cantos o que meu peito me diz
Num tempo onde as bases falam mais que os MC's
A raiz não tá no chão, a raiz tá em você
Se não ensinaram o que é revolução
A prática é o melhor jeito de aprender
Olhe por nós senhor, que nós olha por cada fã
Hoje é o dia dos de bem
Falador passa amanhã.
(...)
Rashid

Pra cima Revolução a Nova Ordem de guerreiros na missão
Você pode tenta se quiser derrubar
Você pode tenta, mais só pode tentar...
Pra cima Revolução a Nova Ordem de Guerreiros na Missão
Você pode tenta se quiser derrubar
Você pode tenta, mais só pode tentar...
Olha no meu olho, veja o brilho da alma de um louco
Tensão, em meio ao lodo encontrei minha missão
Candidato a morte, por sorte o destino me disse que não
Quanto mais eu elevo minha alma mais ainda
Sinto meus pé se pregando no chão
Bandido aos olhos de um porco
Bom filho aos olhos do pai
Nas costas mochila na mente uma fila de idéias e agora
Essa vai.
Ninguém me ensinou a jogar
Nem sabia o que vinha depois
Só me deram a chuteira, empurraram pro campo
E disseram: vai lá, sabe gol?' faz dois!
Não pode pipocar, pipoca é o que mais tem, Por isso
Uns vão, Uns vem, Uns vão, Uns vem, Uns vão, Uns vem
A vida me ensinou a não temer ninguém
Vai dar pra ver com quantos MC's Construímos o bem
Salvee! noiz somos um só, vai lá
Se é sangue que eles querem então que tentem me cortar
Sonhei com uma vida melhor meu trabalho e suor
Me fazendo ganhar, Realizei só quando parei de sonhar!.
Ei, As ruas querem mais som
Nosso dom não pode ser secreto tipo a sociedade maçom
Se é o que cês quer toma entrego tipo garçom
Estourando orelhas como fez o Mike tayson
Ou tio rumo ao gol viu, fábrica de flow phill
Três pastores resgatando almas de quem ouviu
Verso útil quebrando tabu xiu..
Esse seu gosto musical se aprendeu vendo Raul Gil
Seu coração é seu remédio
quando a vida diz tudo passarás
Lá terroristas derrubam predio,
aqui nois derrubamos mascaras
Eu grito aos quatros cantos o que meu peito me diz
Num tempo onde as bases falam mais que os MC's
A raiz não tá no chão, a raiz tá em você
Se não ensinaram o que é revolução
A prática é o melhor jeito de aprender
Olhe por nós senhor, que nós olha por cada fã
Hoje é o dia dos de bem
Falador passa amanhã.
Moisés de force one,
aliás foram quantos mares vermelhos esse mês an
Desse leis, frias, vãs Filosofia pontes arregaçando
Como a usina em Belo Monte
Pretos no topo sem morte ou julgamento
Era uma questão de sorte eu fiz ser uma questão de tempo
Cantei como o motor das Hornet loca
Onde paredes têm ouvido e os cotovelos tem boca
Tá tudo errado cruel, incrível,
meu papel vencer invisível
Tipo salve nos Nextel
Sem pó, Sem doce, Sem back, Sem rebite
Os outros querem diamantes, nos queremos dinamites
Sou Mandela, Sou felá, Sou mariguela
As armas companheiro, pela liberdade só por ela
Seculos cortando a noite no açoite sem maldade
Sou eu memo xinga não, Cala a boca e faz metade
'Firmeza, Licença aqui moleque.
Emicida, Rashid, Projota, NaveBeatz, 2011 Vivão.
Como diz o mestre KL Jay
"Estamos vivos irmãos, estamos vivos" Haha
Pra cima Revolução a Nova Ordem de guerreiros na missão
Você pode tenta se quiser derrubar
Você pode tenta, mais só pode tentar...
Pra cima Revolução a Nova Ordem de Guerreiros na Missão
Você pode tenta se quiser derrubar
Você pode tenta, mais só pode tentar...

Rashid, Pessoas São

Vejo as faces iguais ,
Opiniões iguais ,
pensadores como antes , já não se fazem mais
Professores , governantes já não se importam mais
Aliás , pergunte ao povo o que um deputado faz
Heróis da pátria já não se encontram pelos jornais
Herois de internet parecem bem mais legais
Adolescentes de hoje já não descobrem nada
Só quando se trata do uso de suas genitais
Rashid - Pessoas são

Pessoas são , o que pessoas são
Enfraquecem o seu lado melhor
Invés de luz prefere a escuridão
Engrandecem o seu lado pior (2x)
Eu vejo as mesmas ,andando como fantasmas
É que tão plastificadas , tão pasmas
Tão perto e tão longe da paz
mas preferem marcas e tv's de plasma
Até parece blasfêmia
Aqui não há homens , só machos
atrás de uma fêmea
Como ( ?) a prisão até parece uma escola
E a escola parece uma cadeia .
Vejo as faces iguais ,
Opiniões iguais ,
pensadores como antes , já não se fazem mais
Professores , governantes já não se importam mais
Aliás , pergunte ao povo o que um deputado faz
Heróis da pátria já não se encontram pelos jornais
Herois de internet parecem bem mais legais
Adolescentes de hoje já não descobrem nada
Só quando se trata do uso de suas genitais
Refrão ( 2x )
Pensa corrida pelo óbvio
único ser que pensa , pensa por si proprio
Toque - os no coração , se tiver algum
poderiam ser moisés , mas preferem ser pinoquios
Note-os no seu habitat natural
e ainda tem quem me pergunte , pq eu sou tão antissocial
nada pessoal , mas fomos dividos em raças e cores
E estamos sonhando com os Estados Unidos
Alguns tentam deduzir
outros tentam reduzir
apontam seus dedos e pum (barulho de tiro )
Vamos crianças , guardem seus brinquedos
e trabalhem sem medo , que isso não é segredo nenhum
Em uma cela só tem um monte empilhado
Dentro de um paletó , o verdadeiro culpado
Agora digam que eu sou revoltado ou exagerado
Mas o bom seria mesmo se eu tivesse errado
( Né não ? ! )

Refrão (2x)
Dinheiro é podre , mas quem foi que criou isso ?
Armas destroem , quem foi que criou isso ?
A inveja , acobiça ,a malicia ,a milcia, policia , quem foi que criou isso ?
O mundo é nosso mais que foi que roubou isso ?
Eramos livres , mas quem foi que roubou isso ?
Na natureza , qualquer bixo mata
mas adivinha qual o unico animal que se orgulha disso ?
Seguindo assim , seu espirito dorme
só seu corpo levanta quando bate a hora do serviço
Alguns raros vivem , mas a grande maioria traz no peito
Um pedaço de ferro maçiço
pessoas são o que são dentro da mente
Dá pele pra fora elas são o que o mundo cria
Elas morrem pq só vivem 10% somente
ou vivem morrendo 10% por dia ?
Pessoas são ...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

America, Allen Ginsberg

América
Allen Ginsberg
Extraído de 'UIVO, Kaddish e outros poemas'




 
América eu lhe dei tudo e agora não sou nada.
América dois dólares e vinte e sete centavos 17 de janeiro, 1956.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal.
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?
América quando você mandará seus ovos para a Índia?
Estou cheio das suas exigências malucas.
Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que preciso só com minha boa aparência?
América afinal eu e você é que somos perfeitos não o outro mundo.
Sua maquinaria é demais para mim.
Você me faz querer ser santo.
Deve haver um jeito de resolver isso.
Burroughs está em Tanger acho que ele não vai voltar mais isso é sinistro.
Estará você sendo sinistra ou isso é uma brincadeira?
Estou tentando entrar no assunto.
Recuso-me a abrir mão das minhas obsessões.
América pare de me empurrar sei o que estou fazendo.
América as pétalas das ameixeiras estão caindo.
Faz meses que não leio os jornais todo dia alguém é julgado por assassinato.
América fico sentimental por causa dos Wobblies.
América eu era comunista quando criança e não me arrependo.
Fumo maconha toda vez que posso.
Fico em casa dias seguidos olhando as rosas do armário.
Quando vou ao Bairro Chinês fico bêbado e nunca consigo alguém para trepar.
Eu resolvi vai haver confusão.
Você devia ter me visto lendo Marx.
Meu psicanalista acha que estou muito bem.
Não direi as Orações ao Senhor.
Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas.
América ainda não lhe contei o que você fez com Tio Max depois que ele voltou da Rússia.

Eu estou falando com você.
Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida pelo Time Magazine?
Estou obcecado pelo Time Magazine.
Leio-o toda semana.
Sua capa me encara toda vez que passo furtivamente pela confeitaria da esquina.
Leio-o no porão da Biblioteca Pública de Berkeley.
Está sempre me falando de responsabilidades. Os homens de negócios são sérios. Os produtores de cinema são sérios. Todo mundo é sério menos eu.
Passa pela minha cabeça que eu sou a América.
Estou denovo falando sozinho.
A Ásia ergue-se contra mim.
Não tenho nenhuma chance de chinês.
É bom eu verificar meus recursos nacionais.
Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2.000 quilômetros por hora e vinte e cinco mil hospícios.
Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiadas que vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis.
Aboli os prostíbulos da França, Tanger é o próximo lugar.
Ambiciono a Presidência apesar de ser Católico.

América como poderei escrever uma litania nesse seu estado de bobeira?
Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais como seus carros mais ainda todos têm sexos diferentes.
América eu lhe venderei meus versos a 2.500 dólares cada com 500 de abatimento pela sua estrofe usada.
América liberte Tom Mooney
América salve os legalistas espanhóis.
América Sacco & Vanzetti não podem morrer
América sou os garotos de Scottsboro
América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam amendoins um bocado por um bilhete um bilhete por um centavo e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não imagina que coisa boa era o Partido em 1935 Scott Nearing era um velho formidável gente boa mesmo Mãe Bloor me fazia chorar uma vez vi Israel Amster cara a cara. Todo mundo devia ser espião.
América na verdade você não quer ir à guerra.
América são eles os Russos malvados.
Os Russos os Russos e esses Chineses. E esses Russos.
A Rússia quer nos comer vivos. O poder da Rússia é louco. Ela quer tirar nossos carros das nossas garagens.
Ela quer pegar Chicago. Ela precisa um Reader's Digest vermelho. Ela quer botar nossas fábricas de automóveis na Sibéria. A grande burocracia dela mandando em nossos postos de gasolina.
Isso é ruim. Ufa. Ela vai fazê os Índio aprendê vermelho. Ela quer pretos bem grandes. Ela quer nos fazê trabalhá dezesseis horas por dia. Socorro.
América tudo isso é muito sério.
América essa é a impressão que eu tenho ao assistir televisão.
América isso está certo?
É melhor eu por as mãos à obra.
É verdade que não quero me alistar no Exército ou girar tornos em fábricas de peças de precisão. De qualquer forma sou míope e psicopata.
América estou encostando meu delicado ombro na roda.

Allen Ginsberg

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Todos os poetas são loucos

Roucos
Não sabem dançar
Mas sabem cantar
Xingam o país inteiro
Andam juntos, em grupos
Como mosqueteiros
Ser maior de idade?
Já passei dessa fase
Quero amar, ser amado
Outra vez
Outra vez
Por favor, não tirem os peixes do aquário
Por favor, não separem os trocos do camburão
Motoqueiros selvagens
Em constante evolução
Tomaram benflogin
Ops! Caiu a ligação
Destruirão
A casa
O carro
Os automóveis
Quer me conquistar?
Vai etr que rezar
Sem Deus não sou nada
Sem Deus seus castelos de areia s(er)ão
Derrubados
Massacrados
Humilhados
Estou (ch)orando
Pra me tirarem daqui
Mas Deus sabe, Deus sabe, Deus sabe o que faz



Daniel do Vale, 2011

Allen Ginsberg, Howl

Lançado no outono de 1956, o longo e profético Uivo de Allen Ginsberg (1926-1997) foi apreendido pela polícia de San Francisco, sob a acusação de se tratar de uma obra obscena. Depois de um tumultuado julgamento, semelhante ao que foi submetida a novela de William Burroughs, Naked Lunch, o poema foi liberado pela Suprema Corte americana e vendeu milhões de exemplares. Desde então se tornou uma fonte indispensável para todos aqueles que pretendem penetrar nas estações do inferno e iluminações de Allen Ginsberg e seus companheiros hipsters, pelas estradas amplas e becos sórdidos da América. 
Junto com (On the road de) Jack Kerouac, é Uivo que marca o início do movimento beat. Subitamente transformado numa celebridade na América, Ginsberg prosseguiu produzindo num mesmo ritmo frenético até sua morte, em 1997. Estes poemas são exemplos brilhantes de poesia espontânea e em ritmo jazzístico do poeta maior da sua geração. 


Visões! Profecias! Alucinações! Milagres! Êxtases! Sonhos! Adorações! Iluminações! Religiões!
Eu estou com você em Rockland, onde você ri desse humor invisível
A camisa-de-força está perdendo o verdadeiro jogo de ping-pong do abismo
A alma não poderia morrer impiamente num hospício armado
Sua alma nunca retornará a seu corpo de volta a sua peregrinação rumo a uma cruz no vazio
Eles vieram jogar bombas angelicais
Tesouros de esqueletos
Magnanimidade
O hospital ilumina-se, paredes imaginárias desabam
Foram atropelados por táxis bêbados de realidade absoluta
Um supermercado na Califórnia; famílias inteiras estão fazendo suas compras a noite
Corredores cheios de maridos! Esposas nos abacates, bebês nos tomates! E você, Garcia Lorca, o que fazia lá, no meio das melancias?!
Quem matou as costeletas de porco? Qual o preço das bananas? Será você o meu anjo?
Perambulamos juntos pelos amplos corredores com nosso passo solitário, provando alcachofras, pegando cada um dos petiscos gelados e nunca passando pelo caixa.
Aonde vamos, Walt Whitman? As portas fecharão em uma hora. Para quais caminhos aponta tua barba esta noite?
Estou tão só na minha glória
Toco teu livro e sonho com nossa odisséia no supermercado e sinto-me absurdo.
Caminharemos a noite toda por solitárias ruas? As árvores somam sombras às sombras, luzes se apagam nas casas, ficaremos ambos sós.
A porta do armário aberta porque o usei há pouco, continuou gentilmente aberta esperando-me, seu dono.
A música é minha miséria, por isso quero cantar
Tive um lampejo de claridade, vi o sentimento no coração das coisas, saí para o jardim chorando
A porta do armário está aberta para mim, lá onde a deixei, e já que a deixei aberta, continuou gentilmente aberta. A cozinha não tem porta, o buraco que está lá me aceitará se eu quiser entrar na cozinha.
Estou tentando entrar no assunto. Recuso-me a abrir mão de minhas obssessões
Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas
Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida pelo Time Magazine?
Está sempre me fafalando de responsabilidades. Os homens de negócios são sérios. Os produtores de cinema são sérios. Todo mundo é sério, menos eu. Estou de novo falando sozinho. É bom eu verificar meus recursos nacionais. Meus recursos nacionais consistem em cigarros de maconha, uma literatura pessoal impublicável a 2000km/h e vinte e cinco mil hospícios.
3 horas de viagens passando por túneis
Morre, se pensas ter aquilo que buscas!
Prova a minha boca no teu ouvido
Lá, repousa. Mais nada de sofrimento pra você. Sei para onde foi, tudo bem.
Todas as acumulações da vida que nos consomem - relógios, corpos, consciência, sapatos, seios - filhos paridos - seu consumismo - 'paranóia' nos hospitais
Certa vez você chutou Elanor na perna, mais tarde ela morreu do coração. Você de derrame. Dormindo? No espaço de um ano, vocês duas, irmãs na morte. Estará Elanor feliz?
E quem seria o motorista da camionete de queijos, senão um membro da quadrilha?
Em que viagem de ônibus estarão eles roncando agora?
Eu sou sua mãe, leve-me para Lakewood, onde eu possa me esconder.
Iria ela esconder-se no quarto para descer alegremente na hora do café? Ou trancaria a porta para espreitar pela janela procurando espiões nas esquinas? Sonhando numa poltrona - ou divertindo-se às minhas custas - diante de um espelho, só? Era a hora de fugir.
Naomi no balcão dos remédios defendendo-se do inimigo - revoadas de livros infantis, saquinhos de banhos de espuma, aspirinas, vidro, sangue
Louis aterrorizado junto ao balcão dos refrigerantes - com escoteiras de Lakewood - viciadas em coca - enfermeiras - motorista de ônibus esperando seu turno - policiais da delegacia local, perplexos - e um padre, sonhando com porcos num antigo penhasco.
Farejando o ar - Louis apontando para o vazio - fregueses vomitando suas cocas - ou encarando - Louis humilhado - Naomi triunfante - A revelação da conspiração. O ônibus chega, os motoristas não os levarão para Nova York.
Quais venenos? Gravadores? FBI?
Tia Rose lavando as agulhas da guerra civil espanhola.
'Leve-me para casa' - algumas vezes fui sozinho.
Não, mamãe, você está louca, confie nos drs.
Tome um pouco de canja de galinha, Eugene.
Não pensarei em nada, a não ser pensamentos belos.
Louis caminhava até o centro para buscar a correspondência, dava pulos no colégio - sentava-se à escrivaninha da poesia, desamparado - como sofrimento no Bickford's aqueles anos todos - passados.
Minha irmã cochicha pelo rádio - Louis deve estar no seu apartamento - sua mãe lhe diz o que  falar - MENTIROSOS! - Preparei comida para meus dois filhos, toquei bandolim.
O rádio clama por dinheiro. Luz da policia na tela da tv.
A noite passada a cotovia me despertou. A noite passada quanto tudo estava quieto. Cantava na dourada luz da lua. Cantava na colina gelada. Ela fez.

Allen Ginsberg

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Jack London, The Scarlet Plague


Sinopse: Um senhor de 87 anos caminha por um trilho abandonado de trem com seu neto vestindo apenas pele de animais. Sessenta anos atrás, em 2013, a humanidade foi quase dizimada pela epidemia de uma doença que podia matar em minutos. Poucas pessoas sobreviveram e sem gente para operar a tecnologia, o mundo reverteu a um estado pré-histórico, e a humanidade passou a viver em tribos. É então que o homem mais velho vivo, que é chamado de Vô, conta a seus três netos a história de como era o mundo antes da doença e como ele sobreviveu a poderosa praga escarlate.


- esse relato não deve se prender aos detalhes -
'Sistemas efêmeros se esvaem como espuma', e desse modo se esvaiu nossa gloriosa e extraordinária civilização.


Quando cheguei em casa, a governanta gritou ao me ver e fugiu. Então chamei a empregada e descobri que ela também tinha ido embora. Fui investigar. Na cozinha, encontrei a cozinheira prestes a sair. Ela também gritou, e na pressa deixou cair a mala com seus pertences, então saiu correndo pelo jardim, ainda aos berros. Até hoje posso ouvir aqueles gritos. Vejam bem, ninguém se portava dessa maneira quando as doenças comuns nos afligiam. Sempre tínhamos calma nessas coisas e mandávamos chamar médicos e enfermeiros que sabiam exatamente o que fazer. Mas essa epidemia era diferente. Atacava de súbito, matava com rapidez e nunca falhava. Quando a erupção escarlate surgia no rosto de alguém, a pessoa estava marcada pela morte. Nunca se teve notícia de um caso de recuperação.


As pessoas morriam com tanta rapidez que não se dava conta dos cadáveres, e corpos se estendiam por todos os lados. Naquela noite começou a corrida acelerada para o campo. Imaginem, meus netos, pessoas, em maior quantidade que os cardumes que vocês viram no Rio Sacramento, saindo aos milhões da cidade para o campo, de modo alucinado, na vã tentativa de escapar à morte onipresente. Vejam bem, levavam os germes junto. Mesmo as aeronaves dos ricos, fugindo para a segurança das montanhas e dos desertos, transportavam os micróbios.


Nova york e chicago afundavam no caos. E o que se passava ali acontecia em todas as cidades grandes do planeta. Um terço da policia nova-iorquina estava morta. O chefe havia morrido, e também o prefeito. A lei e a ordem se encontravam em suspenso. Corpos se estendiam pelas ruas, insepultos. Todos os trens e navios que levavam mantimentos para a cidade haviam parado, e legiões de pobres famintos saqueavam lojas e armazéns. Por toda parte, roubos, assassinatos e embriaguez. Milhões de habitantes já tinham abandonado a cidade: primeiro os ricos, em carros particulares e dirigíveis. Depois a grande massa da população, a pé, levando a praga junto, eles próprios passando fome e roubando fazendeiros, vilas e cidades que encontravam pelo caminho.


Não ajudei o merceeiro. Fora-se o tempo dessas condutas. A civilização estava desmoronando, e agora era cada um por si.


Dez mil anos de cultura e civilização desepareceram num piscar de olhos, esvaíram-se 'como espuma'.


De qualquer maneira, todos morriam: os bons e os maus, os competentes e os inertes, os que amavam viver e os que desprezavam a vida. Pereceriam. Tudo perecia.


Foi no lago Temescal, perto daquela que um dia havia sido a cidade de Oakland, que encontrei os primeiros humanos vivos. Ah, meus netos, eu não poderia descrever a emoção de quando, montado no cavalo e descendo as encostas que davam no lago, vi a fumaça do acampamento subir pelas árvores. Meu coração quase parou de bater. (...) Eu já vinha achando que era o único homem vivo no mundo...


Jack London