quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Por que abandonei o xamanismo (Dario Takoba)

Do ENEM 2016: "Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos Europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os Tupinambás e Astecas".

Para quem não me conhece, caminhei no xamanismo por muitos anos, toquei tambor em volta do fogo, participei de tendas do suor, fumei cachimbo, defumei com sálvia branca, acendi palos santos, bebi ayahuasca com índios e não índios. Dei palestras, realizei rituais, me divulguei como xamã, mas um dia isso tudo acabou. 

Sempre fui um buscador e nessa busca nunca me contentei com pouco conhecimento. Depois que todos os cursos que eu podia fazer sobre xamanismo terminaram, passei a pesquisar por conta própria. Vi muitos documentários onde o índio tinha voz, li muitos livros de pesquisadores, notando que existia uma enorme diferença entre o que os índios falavam de suas próprias práticas espirituais e o que os “xamãs brancos” falavam em suas palestras e cursos. Finalmente entendi que eu estava iludido e que jamais poderia ser um Xamã. Nesse dia, abandonei o xamanismo. Não pense que foi fácil, nunca é fácil romper com as ilusões.

Sabe por que abandonei o xamanismo? Notei que existiam dois mundos... De um lado um bando de homem branco dando cursos de conhecimentos indígenas e do outro um bando de indígenas passando fome e lutando para não ter suas vidas e culturas destruídas. Essa polaridade me fez acordar.

É preciso compreender que índio não pratica xamanismo, porque xamanismo é invenção do homem branco. O Homem branco olhou pros povos nativos, não entendeu metade da profundidade por trás das práticas religiosas deles, e, como a religião de um povo meio que parecia com a de outro povo nativo, o branco acabou por botar todas dentro do mesmo balaio, como se todos aqueles que tiram seu sustento da natureza acreditassem nas mesmas coisas e tivessem a mesma visão de mundo, coisa que não tem. Cada povo nativo tem sua religião específica, com dogmas e rituais próprios. Generalizar culturas e suas tradições é uma forma de exterminá-las. 

O sacerdote do povo Lakota, povo nativo norte-americano, é chamado de WICHASCA WAKAN, aquele que fuma o cachimbo sagrado e passa as mensagens do Grande Espírito para curar seu povo. O sacerdote do povo Guarani é o KARAI, aquele que conversa com a Onça Floresta e busca as ervas para trazer a cura para seu povo. O sacerdote do povo Evenki é o SAMA (xamã), aquele que evoca os Tengers (que são os espíritos da Sibéria) com o tambor dentro de uma tenda escura para curar o seu povo.  Wichasca Wakan não é Karai, Karai não é Sama, Sama não é Wichasca Wakan. Grande Espírito não é Onça Floresta, Onça Floresta não é Tengers, Tengers não é Grande Espírito. 

A única semelhança do sacerdote de um povo nativo para outro é a função, curar o seu povo. Cada povo precisa de remédios físicos e espirituais típicos de sua região, coisa que só o sacerdote específico de cada povo pode saber. Para mim, não tem coisa mais triste que o representante de um povo nativo vir a público dizer que pratica xamanismo, isso só mostra o quanto ele foi contaminado por nossas visões limitadas de homem branco. Índio não precisa ser definido pelo homem branco, eles são capazes de fazer isso muito bem sozinhos. 

Essa é uma questão de direito de fala, estamos há muito tempo nos achando no direito de sermos os porta-vozes do que não vivemos ou não conhecemos a fundo. Se alguém tem que falar sobre eles, são eles mesmos. Quanto a nos, cabe somente lhes dar espaços de fala para que eles sejam ouvidos. Criar espaço de fala não é se calar sobre o assunto, mas sim falar do assunto de uma maneira mais consciente do nosso papel para com essa estrutura torta. Somos todos responsáveis!

Por muito tempo eu fiquei pensando: "Quem sou eu na fila do pão pra ensinar ou dar cursos sobre uma cultura ou tradição na qual eu não cresci e que por tanto não me pertence?”. A resposta: Ninguém. Por esse motivo, hoje não me divulgo como Xamã, nem falo sobre rituais e dogmas religiosos de nenhuma tribo. Prefiro falar da minha avó e da relação que ela me ensinou a ter com as plantas, ou então, dos meus momentos de meditação no meio do mato. Falar de mim e da minha própria relação íntima com o que considero sagrado, isso me parece muito mais correto, pois é a minha verdade vivida e não a de outra gente. Valorizar a cultura do outro, sem a necessidade de tomar ela para mim, isso é valorizar a mim mesmo, isso é ser honesto!

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lembranças de Outra Encarnação

A menina com problemas de aprendizagem

Este é o caso de uma menina que quando ainda estava no jardim de infância, passou um momento difícil com as letrinhas.

O fato é que ela misturava as letras de um modo estranho. Ela trocava B com V e  H com N. A menina teimava que ela estava certa e o mundo, errado. A situação foi tão curiosa que a professora não sabia como essas letras poderiam confundir a criança. A professora chamou a mãe e explicou o caso, fez perguntas, mas nem mesmo a mãe dela sabia porque ela misturava tudo. Então, em uma certa noite, a mãe dela estava “brincando de ler” um livrinho.

“Ela ficava me perguntando o som das letrinhas. Ela não parava de dizer: “Eu não me lembro delas.”  Mostrei-lhe um H e perguntei a ela se  lembrava aquela. Ela balançou a cabeça e disse, com confiança, que sim. Para ela aquela letra fazia o som  de ‘N’.

Ao ver as letras do alfabeto, a menina disse que faltavam letras. A mãe achou aquilo estranho,  e perguntou a ela  o tipo de cartas que ela achava que havia e ela desenhou algumas:

”Tem mais do que isso, também” – disse ela.

A mãe assustada, ao se deparar com a filha pequena escrevendo em cirílico perguntou onde ela aprendeu aquelas letrinhas.

- “Vlad me ensinou antes de desaparecer.” – Ela disse, lacônica como toda criança pequena.

A mãe então perguntou a ela  quem era Vlad.

A menina, para espanto da mãe, disse que ele era seu irmão. (nota: a garotinha não tinha irmão) Ela disse que Vlad ensinava ela a escrever. Mas então ele desapareceu.  ”E no dia seguinte, um homem veio e matou a nossa família”.

Imagina o susto que essa mãe levou? Como explicar um caso desses?

Atualmente, na Universidade de Virgínia, uma das mais prestigiosas universidades públicas dos Estados Unidos,  pesquisadores da área de saúde mental dedicam-se (já há décadas) a investigar esse estranho fenômeno.  À frente da Divisão de Estudos da Personalidade está o mais famoso pesquisador sobre o assunto, o já octogenário Ian Stevenson. Seus livros e textos em publicações científicas descrevem casos de crianças que se recordariam de vidas passadas e de pessoas com marcas de nascença que teriam sido originadas por cicatrizes de existências anteriores.

Stevenson e sua equipe avaliam casos de reencarnação da forma que consideram a mais acurada possível. Fazem entrevistas, confrontam a versão narrada com documentações, comparam descrições com fatos que só familiares da pessoa morta poderiam saber. Por tudo isso, ele se tornou um dos maiores responsáveis por ajudar a deslocar – ainda que apenas um pouco – o conceito de reencarnação do campo da fé e do misticismo para o campo da ciência.

O professor Jim B. Tucker, da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, estuda e atende casos de depressão e outros distúrbios em crianças e adolescentes. Tem especial interesse por casos de crianças que alegam ter lembranças de vidas passadas. Ele mesmo alega ter visto (ao vivo) muitos casos, e tem cerca de 2500 casos já estudados e catalogados de lembranças de outras vidas.
Segundo ele, a mais forte evidência envolve declarações documentadas que alguma criança tenha feito e que se provaram verdadeiras em relação a uma pessoa que viveu a uma distância significativa. O dr. Jünger Keil (pesquisador da Universidade de Tasmânia, na Austrália) investigou um caso na Turquia no qual um garoto deu muitos detalhes sobre um homem que tinha vivido a 850 quilômetros e morrido 50 anos antes de o menino ter nascido.
Como ele poderia saber?

Eis o mistério.

A criança que reconheceu sua família inteira da vida anterior

Um dos casos mais classicos é o de Swarnlata Mishra, uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia. A história é descrita em um dos livros de Stevenson, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation (“Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, sem versão brasileira), e se assemelha a outros registrados pelo mundo sobre lembranças reveladoras ocorridas, principalmente, na infância. Mas, ao contrário da maioria, não está relacionado a mortes violentas, confrontos ou traumas.
A história de Swarnlata é simples. Aos 3 anos de idade, viajava com seu pai quando, de repente, apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e pediu ao motorista que seguisse por ela até onde estava o que chamou de “minha casa”. Lá, disse, poderiam tomar uma xícara de chá. Katni está localizada a mais de 160 quilômetros da cidade da menina, Pradesh. Logo em seguida, Swarnlata começou a descrever uma série de detalhes sobre sua suposta vida em Katni. Disse que lá seu nome fora Biya Pathak e que tivera dois filhos. Deu detalhes da casa e a localizou no distrito de Zhurkutia. O pai da menina passou a anotar as “memórias” da filha.
Sete anos depois, em 1959, ao ouvir esses relatos, um pesquisador de fenômenos paranormais, o indiano Sri H. N. Banerjee, visitou Katni. Pegou as anotações do pai de Swarnlata e as usou como guia para entrevistar a família Pathak. Tudo o que a menina havia falado sobre Biya (morta em 1939) batia. Até então, nenhuma das duas famílias havia ouvido falar uma da outra.
Naquele mesmo ano, o viúvo de Biya, um de seus filhos e seu irmão mais velho viajaram para a cidade de Chhatarpur, onde Swarnlata morava. Chegaram sem avisar. E, sem revelar suas identidades ou intenções aos moradores da cidade, pediram que nove deles os acompanhassem à casa dos Mishra. Stevenson relata que, imediatamente, a menina reconheceu e pronunciou os nomes dos três visitantes. Ao “irmão”, chamou pelo apelido.
Semanas depois, seu pai a levou para Katni para a casa onde ela dizia ter vivido e morrido. Swarnlata, conta Stevenson, tratou pelo nome cada um dos presentes, parentes e amigos da família. Lembrou-se de episódios domésticos e tratou os filhos de Biya (então na faixa dos 30 anos) com a intimidade de mãe. Swarnlata tinha apenas 11 anos.
As duas famílias se aproximaram e passaram a trocar visitas – aceitando o caso como reencarnação. O próprio Stevenson testemunhou um desses encontros, em 1961. Ao contrário de muitos casos de memórias relatadas como de vidas passadas, as da menina continuaram acompanhando-a na fase adulta – quando Swarnlata já estava casada e formada em Botânica.

Mãe, eu morri!

Uma mãe conta que estava perto de sua filha de 3 ou 4 anos de idade quando ela se virou para a mãe e disse essa frase assustadora.

É estranho isso sair da boca de uma criança. Mais incrível ainda foi a calma com que a mãe se abaixou e pediu para ela explicar direito como ela “morreu”.

A menina disse que suas irmãs e irmãos eram chamados  ”Imp” e que ela dormia em uma cama dura e tomava banhos frios, que ela tinha um “pé engraçado” e que ela perdeu Maggie. Ela então passou a dizer:

“Os homens nos levaram para o quarto escuro e fui “bang- bang-bang”. Eu caí e minha cabeça doía, e então eu estava no céu com Nicky”.

A menina tinha memorias confusas, e  não disse muita coisa, exceto que Nicky era seu irmão mais velho. Certamente que o  bang, bang, bang, eram tiros de alguma arma. A mãe conta que hoje a menina já tem 16 anos e ainda fala sobre coisas como estas, mas em seu sono. “Certa vez, ela falou em russo fluentemente”.

Há um interessante documentário que trata deste assunto, que gostaria de dividir com vocês:

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