sábado, 18 de janeiro de 2014

Bruno Vinci







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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Caetano Veloso - Samba de Verão

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Nara Leão - Pedro Pedreiro 1966


Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém

Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando, tudo passa
E a gente vai ficando pra trás
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento
Desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém

Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal
Todo mês
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem

Esperando a festa
Esperando a sorte
A mulher de Pedro
Está esperando um filho
Pra esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém

Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro norte
Pedro não sabe, mas talvez no fundo
Espere alguma coisa mais linda que o mundo

Maior que o mar
Mas pra que sonhar
Sei lá, no desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Que a esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem

Que já vem
Que já vem
Que já vem...

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Voz do Morro - Injúria 1960s

Pois é

Tudo começou assim
Alguém se vingou em mim
Inventando o que eu não pratiquei

Pois é

Só deus sabe o quanto amei
Por te amar tanto chorei
E chorando levo a coisa até o fim

Não sei como foste acreditar
Em mentira tão vulgar
De um sujeito tão vulgar também

Sofri a maior decepção

Tentarei te esquecer
Pois te amar foi ilusão
Não sei o que foi te derrubar
O castelo que eu fiz
Em meu castelo era tão feliz

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

MAYSA - Quem Quiser Encontrar Amor 1961

Quem quiser encontrar o amor
Vai ter que sofrer
Vai ter que chorar
Amor assim não é amor
É sonho e ilusão
Pedindo tantas coisas
Que não são do coração
Quem quiser encontrar o amor
Vai ter que sofrer
Vai ter que chorar
O amor que pede amor
Somente amor há de chegar
Pra gente que acredita
E não se cansa de esperar
Feliz então sorrindo
Minha gente vai cantar
Tristeza vai ter fim
Felicidade vai ficar
Quem quiser encontrar o amor
Vai ter que sofrer
Vai ter que chorar

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MAYSA - Chega De Saudade 1963

Vai minha tristeza
E diz à ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso
Mais sofrer...

Chega de saudade
A realidade
É que sem ela
Não há paz
Não há beleza
É só tristeza
E a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai...

Mas se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos
A nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca...

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser
Milhões de abraços
Apertado assim
Colado assim
Calado assim
Abraços e beijinhos
E carinhos sem ter fim
Que é prá acabar
Com esse negócio
De viver longe de mim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negocio
De você longe de mim...

Mas se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos
A nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca...

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser
Milhões de abraços
Apertado assim
Colado assim
Calado assim
Abraços e beijinhos
E carinhos sem ter fim
Que é prá acabar
Com esse negócio
De viver longe de mim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negocio
De você longe de mim...

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

CHICO BUARQUE - Mulheres de Atenas 1976

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos,
Os novos filhos de Atenas.

Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade;
Têm medo apenas.
Não tem sonhos, só tem presságios.
O seu homem, mares, naufrágios...
Lindas sirenas, morenas.

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

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CHICO BUARQUE - Homenagem Ao Malandro 1978

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central

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sábado, 25 de maio de 2013

CHICO BUARQUE - Apesar de Você 1970s 1978

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
La, laiá, la laiá, la laiá

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Adoniran Barbosa - Vila Esperança

Vila Esperança, foi lá que eu passei
O meu primeiro carnaval
Vila Esperança, foi lá que eu conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor

Como fui feliz, naquele fevereiro
Pois tudo para mim era primeiro
Primeira rosa, primeira esperança
Primeiro carnaval, primeiro amor criança

Numa volta no salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo Pierrô
Ao ver que descobriu sua Colombina

O carnaval passou, levou a minha rosa
Levou minha esperança, levou o amor criança
Levou minha Maria, levou minha alegria
Levou a fantasia, só deixou uma lembrança

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Djavan - E Que Deus Ajude 1976

Parapara
Eu vou mudar de profissão
Eu vou ser cantor
Eu vou pro Rio de Janeiro BIS
No Expresso Brasileiro
pelo mês de fevereiro
Já cansei de ser ferreiro
Seu doutor, oh seu doutor

O meu som alagoano
Conquistou americano
vivo vindo dos Estados Unidos

E pra saber meu paradeiro
Lá no Rio de Janeiro
Consultei meu padroeiro
Meu amigo
O meu amigo, o meu amigo
falou:
Vá com fé e Deus
E que Deus ajude
Que Deus te cuide
Deus não ilude

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Cartola - Corra e Olhe o Céu 1974

Linda!
Te sinto mais bela
E fico na espera
Me sinto tão só
Mas!
O tempo que passa
Em dor maior
Bem maior...

Linda!
No que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia
Aaai!
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia...

Linda!
Te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só
Mas!
O tempo que passa
Em dor maior
Bem maior...

Linda!
No que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia
Aaai!
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia...

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Maysa - Raízes 1961

Você pode arranjar outro amor
E dizer que você me esqueceu
Você pode cair noutros braços
E dizer que este amor já morreu
Você pode dizer por aí
Que tem mágoa, tem ódio enfim,
Mas à noite com seu travessiro
Você lembra somente de mim
Mas à noite com seu travessiro
Você lembra somente de mim

Você pode provar outro beijo
E dizer nunca houve outro igual
Você pode dizer que entre nós
O amor que existiu foi banal
Você pode dizer tanta coisa
Mas niguém acredita em você
Nosso amor tem raízes profundas
Quem olhar em seus olhos me vê

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Maysa - Cala Meu Amor 1961

Entra meu amor, bom você voltar
De onde vem você cansado assim?
Leio tanta dor no seu triste olhar
Nesse olhar que outrora se acendia só pra mim

Fala meu amor, cala meu amor
É melhor você nada falar
Vem aos braços meus que os abraços meus
Vão finalmente lhe fazer chorar

Fala meu amor, cala meu amor
É melhor você nada falar
Vem aos braços meus que os abraços meus
Vão finalmente lhe fazer chorar

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Maysa - Eu E O Meu Coração 1961

O meu coração apaixonado
De sofrer vive abafado
Sem saber porquê
Reclama, coitadinho,
Tão baixinho
Que às vezes penso até
Que ele vai parar

Tudo foi por causa de você
Que sem ter razão
Me fez chorar que dor

Não chora coração amargurado
Esquece seu passado
E arranje outro amor

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Lupicínio Rodrigues - Nervos de Aço 1972

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor,
Ao lado de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço,
Que nem um pedaço do seu pode ser?

Há pessoas de nervos de aço,
Sem sangue nas veias e sem coração,
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação.

Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror.
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor.

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Lupicínio Rodrigues - Vingança 1972

Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que ihe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não ihe deixou falar.
Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço
Prá ninguém notar.
O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ela deve estar bem consciente
Do que praticou,
Me fazer passar tanta vergonha
Com um companheiro
E a vergonha
É a herança maior que meu pai me deixou;
Mas, enquanto houver força em meu peito
Eu nao quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança
Aos santos clamar
Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar

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Cartola - Sim 1974


Sim,
Deve haver o perdão
Para mim
Senão nem sei qual será
O meu fim

Para ter uma companheira
Até promessas fiz
Consegui um grande amor
Mas eu não fui feliz
E com raiva para os céus
Os braços levantei
Blasfemei
Hoje todos são contra mim

Todos erram neste mundo
Não há exceção
Quando voltam a realidade
Conseguem perdão
Porque é que eu Senhor
Que errei pela vez primeira
Passo tantos dissabores
E luto contra a humanidade inteira

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Cartola - O Mundo É Um Moinho 1976

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

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Cartola - A Mesma Estória 1977

Quem me ve passar calado e triste
Não resiste
E vem me perguntar o que causou
Esta transformação
Já estou cansado de contar aquela estória
Que é sempre a mesma estória
Que resume-se em desilusão
Preciso andar pra não pensar
No que passou e não chorar
Viver em paz e sepultar de vez
A minha grande dor
Confiante despeço-me dos meus amigos
E da cidade
Só voltarei quando encontrar felicidade

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