segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Existe ou não existe Deus? - Krishnamurti

EXISTE OU NÃO EXISTE DEUS?
Pergunta: Podeis responder-nos claramente existe ou não existe Deus?

KRISHNAMURTI: Senhor, porque o quereis saber? Que diferença faz, se eu o disser com clareza ou sem clareza? Ou confirmarei a vossa crença, ou abalarei a vossa crença. Se confirmo a vossa crença, ficareis satisfeito, e continuareis com as práticas absurdas, que tanto vos agradam. Se vos perturbo direis: "Ora, isso não tem importância" e infelizmente continuareis como sois. Mas, porque desejais saber? Francamente, isso é mais importante do que descobrir se não há Deus ou não há. Para conhecerdes a Deus, para conhecerdes a verdade, vós não o deveis buscar. Se o buscais, estais fugindo do que é, e esta é a razão por que perguntais se há ou não há Deus. Quereis escapar do vosso sofrimento, refugiar-vos numa ilusão. Vossos livros estão cheios de Deus, vosso templo está cheio de imagens feitas pela mão; mas Deus não está nessas coisas, porque todas elas são fugas do vosso sofrimento real. Para encontrarmos a realidade, ou, melhor, para que a realidade se nos manifeste, deve cessar o sofrimento; e a mera busca de Deus, da imortalidade, é uma fuga do sofrimento. Mas, é mais agradável discutir se há Deus ou não, do que dissolver as causas do sofrimento, e é por isso que tendes inúmeros livros que tratam da natureza de Deus. O homem que discute sobre a natureza de Deus, não conhece Deus; porque aquela realidade não é mensurável, não pode ser colhida numa rede de belas palavras. Não podeis prender o vento na mão; não podeis capturar a realidade num templo, nem no "puja", nem em vossas inumeráveis cerimônias. São tudo maneiras de fugir, - a mesma coisa que beber. Um homem bebe e se embriaga, porque deseja fugir; do mesmo modo, vós entrais no templo, praticais o puja, celebrais ritos, ou fazeis o que quer que seja - e tudo isso são fugas ao que é. E o que é - é sofrimento, é batalha constante com nós mesmos e portanto com outros; e enquanto não compreenderdes e transcenderdes esse sofrimento, não poderá manifestar-se a realidade. Assim, vossa pergunta sobre se há ou não Deus, é uma pergunta vã, sem significação e que só pode conduzir a ilusão. Como pode uma mente, presa do tumulto da aflição e do sofrimento de cada dia, presa da ignorância e da limitação, como pode conhecer o que é ilimitado, inefável? Como pode o que é produto do tempo, conhecer o atemporal? Não pode. Por conseguinte, não pode sequer pensar a seu respeito. Pensar na verdade, pensar em Deus, é outra maneira de fugir; porque Deus, a verdade, não pode ser apanhado pelo pensamento. O pensamento é resultado do tempo, de ontem, do passado, e, sendo resultado do tempo, do passado, sendo produto da memória, como pode o pensamento encontrar o que é eterno, atemporal, imensurável? Como não o pode, o mais que podemos fazer é libertar a mente do processo do pensamento; e para libertar a mente do processo do pensamento, precisamos compreender o sofrimento, e não fugir dele - sofrimento não apenas no nível físico, mas em todos os diferentes níveis da consciência. Significa isso estar aberto, ser vulnerável ao sofrimento, não se defender do sofrimento, mas viver com ele, abraçando-o, olhando-o bem. Porque, vós sofreis agora. Sofreis da manhã à noite, e só ocasionalmente vos vem um raio de sol ou surge uma claridade no céu nublado. Uma vêz que sofreis, porque não considerais o vosso sofrimento, porque não o examinais em toda a sua plenitude, de maneira profunda, completa, dissolvendo-o assim? Isso não é difícil. A busca de Deus é muito mais difícil, porque ele é o desconhecido, e não se pode procurar o desconhecido. Podemos, no entanto, indagar as causas do sofrimento, e desarraigá-las pela compreensão do mesmo, pelo percebimento do mesmo, sem fugir a ele. Uma vez que costumais fugir do sofrimento por todos os meios, considerai bem essas fugas, abandonai-as e ponde-vos em face do sofrimento. Na compreensão do sofrimento há libertação. A mente se torna então livre de todo pensamento, não é mais o produto do passado. Está então tranqüila, sem problema algum; não foi posta tranqüila, mas está tranqüila, porque não tem problemas, porque já não está criando pensamentos. O pensamento cessou - o pensamento que é memória, acumulação de experiências, de cicatrizes do passado; e quando a mente está de todo em todo tranqüila - sem ter sido posta tranqüila - a realidade se manifesta. Essa experiência é a experiência da realidade, e não da ilusão, e tais experiências proporcionam bênçãos ao homem. A verdade, o amor, é o desconhecido, e o desconhecido não pode ser capturado pelo conhecido. O conhecido precisa cessar, para o desconhecido ser; e quando o desconhecido surge na existência, derrama-se uma benção.

Krishnamurti - 28 de março de 1948
Do livro: Da Insatisfação à Felicidade

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Deus - Dicionário de Filosofia (Gérard Legrand)

"DEUS: em grego, the-os, palavra de origem desconhecida; em latim, deus, aparentado com um grupo indo-europeu que designa um "dia luminoso". Objeto supremo e sobrenatural dos pensamentos, crenças e práticas que constituem a religião. A formação da "ideia" de Deus foi atribuída por certas religiões à revelação primitiva de sua existência e, pela crítica científica, ao medo do homem diante da natureza, à aparição noturna ou em sonhos das almas dos mortos, à adoração dos astros, principalmente o Sol, ou ao conjunto dos fenômenos naturais.
Para os gregos, fundadores da filosofia, os deuses ou demônios estavam por toda parte. A locução "o theós" designa correntemente "um deus" sem outro nome, uma espécie de individualidade ao mesmo tempo natural e sobrenatural. Essa noção não se integra especialmente na filosofia, mas ela abrange as noções de uma "aparição súbita", como a auréola de uma luz, e de uma evidência que impele à contemplação. Alguns gregos professaram o ateísmo; outros, mais numerosos, zombaram das crenças populares e anunciaram o monoteísmo. Mas a piedade antiga nunca foi uma fé no sentido moderno da palavra. A incorporação da filosofia pelo cristianismo desloca a noção de Deus. É sobre um Deus ao mesmo tempo onipotente e dotado de uma dogmática complexa que é preciso se pronunciar. De maneira abstrata, atribui-se à filosofia helenística e romana (Cícero) as provas de sua existência.
Ele é criador (Descartes), Providência (Leibniz), de maneira mais ou menos em conformidade com os ensinamentos extrafilosóficos. A validade desses raciocínios inspira a Pascal um célebre protesto: "Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos ou dos sábios".
Contra as provas tradicionais, Kant levanta uma série de objeções que só permitem a subsistência do apelo ao sentimento e ao sublime, já esboçado por Rousseau. Mas é um Deus desencarnado e isento de toda sublimidade que o Kantismo legará ao pragmatismo, enquanto Hegel dissimula sob a máscara de Deus o "pensamento do Absoluto". Feuerbach tenta conduzir a teologia a uma antropologia e o marxismo renova o ateísmo materialista. Nietzsche anuncia que "Deus está morto", mas acrescenta que "sua sombra continua a dominar a cultura ocidental". Outros pensadores (Auguste Comte, Durkheim) só vêem em Deus a "sublimação" da sociedade. A psicanálise nele reconhece uma projeção de pressões parentais, e talvez a sexualidade em sua essência.
Esta revisão histórica permite esta pergunta: como se apresenta hoje o conceito propriamente filosófico e correspondente à noção de Deus? Sempre se pode defini-lo como o princípio único e supremo de toda existência, de toda causalidade, de toda finalidade. Mas esta definição só propõe a posição do princípio, não a das associações de ideias que lhe são comumente atribuídas. Para o cristianismo, Deus tornou-se um objeto de fé ao qual se atribuem qualidades de uma pessoa moral e não uma articulação pura do pensamento. É legítimo anexar a uma abstração sociológica o Deus da religião. Mas é ilegítimo aplicar o nome de Deus ao Ser em si, ao Absoluto dos metafísicos que não o reivindicam nem o descartam expressamente. Mesmo transcendente, o Absoluto não tem necessidade de ser uma pessoa. Para um filósofo crente, Deus faz parte da religião primeiro, de sua filosofia em seguida: ele não se comprova".
Gérard Legrand (Dicionário de Filosofia)

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Devemos orar não até Deus nos ouvir mas até que possamos ouvir a Deus

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um velho sábio, depois de uma vida inteira servindo a Deus

Um velho sábio, depois de uma vida inteira servindo a Deus e orientando seus irmãos em suas agruras pela Terra, um dia teve um sonho. Sonhou que encontrava Deus, assim, frente a frente, como dois bons amigos.
Deus o recebeu feliz e sorridente, do mesmo jeito que o sábio tinha a imagem Dele em seu coração. Abraçou-o e disse estar feliz por aquele encontro. Depois, colocou a mão direita sobre o ombro do homem e começaram a caminhar, enquanto lalava com ele sobre a vida eterna e tirava suas dúvidas quanto aos Seus ensinamentos.
O encontro foi tão agradável que somente na hora de se despedir o sábio se deu conta de que estar pessoalmente com Deus era um privilégio único. Algo tão precioso que ele jamais havia pensado que seria digno de tal presente. Mas Deus estava ali, recebendo-o e atendendo-o em todas as suas dúvidas.
Respeitosamente, o homem dirigiu-se a Ele e disse, emocionado:
— Senhor, sou grato por ter-me recebido!
Foi quando o Pai, olhando-o nos olhos e sorrindo, respondeu:
— Sou eu que tenho de lhe dizer: “Sou grato por ter-me recebido!”
Foi então que o velho homem compreendeu o que Ele quis dizer com essas palavras: normalmente, nos afastamos tanto de Deus que não percebemos que Ele está sempre à porta da nossa casa, do nosso coração, esperando apenas que lhe digamos: “Entre e seja bem-vindo”.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Doutrina de Jesus Cristo e O Reino de Deus

Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
Mateus 7:1-2

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. 
Mateus 7:12-20

E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.
Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.
Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.
Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.
Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.
E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam.
E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.
Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão.
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.
Lucas 6:20-38

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Filocalia - Evágrio Pôntico

“Quanto mais perto estiver de Deus, tanto melhor será o homem”.
“A oração é fruto da alegria e do e conhecimento”.
“O corpo tem o pão por alimento; a alma, a virtude; a inteligência, a oração espiritual”.
“Na hora de orar, encontrarás o fruto de todo sofrimento aceito com sabedoria”.
“Os sentimentos mal orientados atrapalham a oração”.
“Feliz o espírito livre de qualquer forma durante a oração”.
“O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações”.
“Aspira a ver a face do Pai, que está no céu: não procure, por nada deste mundo, perceber forma ou rosto durante a oração”.
“Pois, quando em tua oração tiveres conseguido ultrapassar qualquer outra alegria, é que finalmente, em toda verdade, terás encontrado a oração”.
“Armado contra a ira, não admitas jamais a cobiça, pois é a cobiça que alimenta a ira, esta por sua vez, turva os olhos da inteligência e destrói assim, o estado de oração”.
“A oração é uma conversa da inteligência com Deus: que estado não é, pois, necessário, para essa tensão sem retorno, para ir a seu Senhor e conversar com Ele, sem nenhum intermediário?”
“Mantém-te corajoso e ora com energia; afasta as preocupações e e as reflexões que se apresentarem, pois elas te perturbam e te agitam, debilitando o teu vigor”.
“Se queres orar dignamente, renuncia-te a todo instante; se suportas toda sorte de provações, resigna-te sabiamente por amor da oração”.
“Não te contentes de orar nas atitudes exeriores, mas leva tua inteligência ao sentimento da oração espiritual, com grande temor”.
“Não ores para que tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus. Ora, sim, segundo o ensinamento recebido, dizendo: ‘que vossa vontade se cumpra em mim’. Em tudo, pede-lhe que se faça a sua vontade, pois Ele quer o bem e o bebefício para tua alma; tu, porém, não é isso necessariamente que procuras”.
“A oração sem distração é a intelecção mais alta da inteligência”.
“Orando com teus irmãos ou orando só, esforça-te por orar, não por hábito, mas com sentimento”.
“Quem ama a Deus conversa incessantemente com Ele, como com um Pai, despojando-se de todo pensamento apaixonado”.
“Quem ora em espírito e em verdade, não tira mais das criaturas os louvores que dá ao Criador: é do próprio Deus que ele louva Deus”.
“A vista é o melhor de todos os sentidos; a oração é a mais divina de todas as virtudes”.
“A oração é a exclusão da tristeza e do desalento”.


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terça-feira, 19 de junho de 2012

Os Ágrafos - As palavras de Jesus fora dos evangelhos

De origem muçulmana
Dídimo (Tomé), aquele que caminha na luz não tropeça.
Feliz aquele que abandona a paixão do momento por um bem futuro que não viu.
Quem procura o mundo é semelhante ao homem que bebe água do mar. Quanto mais bebe, tanto mais aumenta sua sede, até que a água venha a matá-lo.
Quantas são as árvores! Mas nem todas dão fruto. Quantos são os frutos! mas nem todos são bons. Quantas são as ciências! Mas nem todas são úteis.
E como poderá ser incluído entre os sábios aquele que procura a palavra de Deus para anunciá-la aos outros e não para a pôr em prática?
Não vos ensinei a vos envaidecer. Somente vos ensinei a trabalhar. A sabedoria não consiste em falar da sabedoria, mas em praticar a sabedoria.

Citados pelos primeiros escritores cristãos
Nunca estejais contentes, senão quando olhardes com amor o vosso irmão. [Jerônimo]
A sabedoria enviará seus filhos. [Orígenes]
Saí de vossos grilhões, vós que o quereis. [Clemente de Alexandria]
Viste o teu irmão? Viste o teu Deus. [Clemente de Alexandria]
O amor cobre uma grande quantidade de pecados.
A aparência desse mundo é transitória. [Teodoro Balsam.]
Quem está perto de mim está perto do fogo; mas quem está longe de mim está longe do reino. [Dídimo]
Aquilo que é fraco salvar-se-á pelo forte. [Ordo eccles.]
Homem que não passou pela tentação não está comprovado. [Didascalia]
Os que querem ver e experimentar o meu reino, precisam alcançar-me através de tribulações e sofrimentos. {Epist. Barn.]

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