sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Você está sendo vigiado



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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Como os smartphones monitoram cada passo seu

Há uma razão pela qual os smartphones tenham esse nome, mas será que eles estão ficando muito inteligentes? Nós sabemos que eles podem tirar fotos, rodar diversos aplicativos e nos ajudar a guiar até um destino, mas por trás de toda essa tecnologia há algo mais preocupante acontecendo.
Um artigo publicado no Buzzfeed analisa a forma como os smartphones em um futuro não tão distante irão meter o nariz em nossas tarefas diárias, tornando-se dispositivos de vigilância que acompanham cada movimento nosso, nosso método preferido de comunicação, o tipo de transporte que usamos com mais frequência e até mesmo saber quando ignoramos um exercício.
Como eles sabem isso? Dentro de smartphones modernos, não há somente um receptor de GPS que pode transmitir a sua posição para os satélites, mas também há sensores de movimento, giroscópios e acelerômetros que coletam dados suficientes para dizer onde você está, onde você esteve e o quanto você está apto para algo.
O artigo menciona como os pesquisadores da Universidade de Helsinki, na Finlândia, desenvolveram um método para descobrir qual meio de transporte a pessoa usou com base nos dados de movimento do telefone. Eles olharam para mais de 150 horas de dados do acelerômetro e padrões de movimentos reconhecidos que se correlacionam com os de um trem, carro, ônibus, etc.
A rede móvel AT & T, dos EUA, também realizou um estudo para identificar padrões de atividade humana, controlando o uso de smartphones em uma determinada área. Embora isso seja extremamente invasivo, a rede esperava que os resultados pudessem ajudar a melhorar o fluxo de tráfego em eventos como concertos de música.
Alguns donos do iPhone 5S podem não saber, mas dentro do smartphone está um chip de sensor de movimento que reúne dados de movimento do dispositivo e é intuitivo o suficiente para registrar mudanças em sua velocidade para determinar se você está andando, correndo ou dirigindo. Ele pode até mesmo dizer como você está segurando o aparelho e quando você está dormindo. Isso pode soar um pouco como algo do romance 1984, mas a tecnologia tem uma intenção supostamente inocente, que visa trabalhar em conjunto com aplicativos de fitness que por sua vez podem dizer se você foi preguiçoso demais esta semana.

Todos estes dados disponíveis tem despertado o interesse do governo (naturalmente). Por exemplo, o CEO do aplicativo Moves diz que foi abordado por algumas cidades que gostariam de utilizar os dados para fins de planejamento.
Em suma, embora este conjunto de dados pareça uma invasão grave de privacidade e dê um vislumbre de uma visão perturbadora do futuro, ele poderia trazer alguns benefícios quando se trata de saúde ou fornecer dados valiosos sobre como melhorar a infra-estrutura civil e da psicologia humana. E você leitor, o que acha disso?

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que publique. Todo o resto é publicidade.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A evolução do programa de espionagem dos EUA

Do 11 de setembro ao PRISM: a escalada de espionagem do governo norte-americano. Programa de grampos a dados de milhões de pessoas foi legalizado por George W. Bush e referendado por Barack Obama

Há exatos 64 anos, era lançado 1984, a mais famosa das obras do escritor britânico George Orwell. No livro, Orwell faz o retrato de um governo repressivo e totalitário, cujo poder está baseado no controle e na vigilância sobre os cidadãos. Muitos dos termos usados pelo autor entraram para a cultura popular – o mais famoso deles é justamente o “Grande Irmão”, responsável pela vigilância dos cidadãos no mundo criado por Orwell.
O vazamento de documentos sobre a espionagem feita pelo governo norte-americano a seus cidadãos por meio do programa PRISM suscitou muitas críticas a Barack Obama. Principalmente porque o governo dos EUA obrigou operadoras de telefonia e empresas de tecnologia como a Verizon, a Apple, o Yahoo, o Google e o Facebook a fornecerem dados sigilosos sobre seus usuários. É impossível não fazer o paralelo com o “Grande Irmão”.
Programa de espionagem dos EUA começou na gestão de Bush e foi continuado com Obama (Foto: NBC)

A divulgação do PRISM em matéria do jornal britânico Guardian chocou a opinião pública mundial. Os documentos obtidos são de abril de 2013. No entanto, o PRISM não é causa, mas sim consequência de uma escalada da vigilância do governo norte-americano. Conforme os documentos vazados pelo grupo hacker Annonymous, o programa foi iniciado em 2007, ainda na administração de George W. Bush.
Segundo o governo dos EUA, a proposta do PRISM é filtrar comunicações e dados sensíveis ou perigosos transmitidos por servidores localizados no país. Mas como a maioria das empresas de tecnologia e de Internet está baseada em território norte-americano, o alcance do PRISM é muito maior. Segundo matéria do jornal Washington Post, um em cada sete relatórios da inteligência dos EUA é elaborado com dados obtidos pelo PRISM. Ainda segundo o jornal, 98% dos dados do PRISM provêm de Yahoo, Google e Microsoft.

O diretor da NSA (Agência de Segurança Nacional, na sigla em inglês), James Clapper deu uma entrevista nesta quinta-feira (06/06), na qual afirmou que os dados obtidos pelo PRISM (local, horário e duração dos telefonemas ou chats) não permitem o acesso ao conteúdo dos arquivos. Segundo Clapper, a coleta de dados faz parte do programa norte-americano de contraterrorismo e as informações não serão usadas contra nenhum habitante do território norte-americano.
Um pedido do procurador-geral ou do diretor da NSA dava início ao processo de coleta de dados. Os dados obtidos nos servidores das empresas de tecnologia eram retrabalhados pela Unidade de Interceptação de Dados do FBI e, então, reenviados para a NSA. Não apenas a coleta de dados é assustadora, mas o tipo de dado obtido.
Conversas via Skype usando um telefone convencional, mas também áudios, vídeos e chats feitos no programa de telefonia recém-adquirido pela Microsoft. Já o Google entregava os emails, chats, documentos armazenados no Google Drive e até mesmo as buscas feitas em tempo real. Em suma, o governo norte-americano tem acesso a quase toda atividade online dos usuários das grandes empresas de tecnologia. O Twitter parece ser a única dessas companhias a não colaborar na empreitada.
Basicamente, as empresas são pressionadas a fazer isso. Elas temem ações judiciais movidas pelo governo e também regulações federais mais duras contra seus serviços. As empresas de tecnologia citadas na matéria do Guardian negam participação no PRISM. A Apple e o Facebook dizem nunca ter ouvido falar da iniciativa do governo em coletar dados pessoais dos cidadãos.
No entanto, o cenário agora exposto já havia sido previsto por especialistas em liberdade de expressão e segurança digital. No livro Cypherpunks (Boitempo, 2013), Julian Assange, editor-chefe do site Wikileaks, discute com outros especialistas o seguinte fato: “a nova alavanca da geopolítica mundial consiste nos dados privados de milhões de cidadãos mundo afora”. Assim como o controle de reservas de gás permitiu à Rússia influenciar a Europa, o controle dos cabos de fibra ótica da infraestrutura global da Internet permitirá aos EUA influenciar cidadãos dentro e fora do seu território.

Legalidade da espionagem

Judicialmente, não há nada de ilegal na execução do PRISM. Após os atentados de 11 de setembro, ainda no primeiro mandato de George W. Bush , foi promulgado o Patriot Act. Assinado por Bush em 26 de outubro de 2001, o dispositivo permite a invasão de lares, espionagem, interrogatórios e torturas de cidadãos em caso de ameaça real ou hipotética de terrorismo contra os Estados Unidos.
Por conta da forte pressão da opinião pública, o governo Bush foi obrigado a abandonar o programa de vigilância eletrônica. A solução encontrada foi viabilizar uma maneira de continuar essa coleta eletrônica de dados. O Ato de Proteção da América, de 2007, tornou possível vigiar alvos caso fosse comprovável de que eles eram ameaças externas. A legislação foi renovada por Obama em dezembro de 2012.
A colaboração das empresas foi possível a partir de 2008, com emendas na FISA (Lei para Vigilância de Inteligência Estrangeira, na sigla em inglês). Com a emenda, as empresas de tecnologia não seriam mais processadas por danos morais caso tivessem que fornecer os dados dos usuários ao governo dos EUA. Foi a brecha legal para que as gigantes tecnológicas se sentissem “livres” para colaborar com o governo norte-americano.

Assange defende novas tecnologias de criptografia para evitar espionagem aos dados dos usuários da internet (Foto: AFP)

De acordo com o jornalista australiano, a privacidade dos dados dos usuários é um problema que transcende a geografia. Muitos governos mundo afora compram soluções de criptografia para não serem espionados pelo governo dos EUA. Mas muitos dos CEOs das empresas que vendem essas soluções de tecnologia são engenheiros da NSA, justamente a agência norte-americana envolvida na coleta dos dados.
Outros membros do Wikileaks foram assediados e interrogados por autoridades norte-americanas. Jacob Applebaum, cientista da computação e um dos fundadores do projeto Tor, sistema que permite navegação anônima na Internet, foi interrogado em aeroportos, submetido a revistas invasivas e teve seus equipamentos confiscados por conta do seu envolvimento com o vazamento de documentos feito pelo Wikileaks.
Em 14 de dezembro de 2010, o Twitter foi intimado pelo Departamento de Justiça dos EUA para revelar informações que poderiam ser relevantes para investigar o Wikileaks. A intimação era baseada na seção 2703(d) da Lei de Comunicações Armazenadas. Na prática, a intimação forçava a revelação de registros privados sem a necessidade de um mandado judicial de busca. Isso criou uma base legal para contornar a Quarta Emenda da Constituição dos EUA contra buscas e investigações arbitrárias.
Para Assange, a solução contra a vigilância está no desenvolvimento de novas tecnologias de criptografia, independentes das soluções tecnológicas criadas pelo governo e por empresas norte-americanas. A intenção do movimento cypherpunk, como salienta Assange, era a de proteger os usuários contra a vigilância do Estado, mas a tecnologia também pode ser usada para manter a autonomia de outros Estados ou, nas palavras de Assange, combater a “tirania do império contra a colônia”.
O paralelo entre a distopia prevista por Orwell e a vigilância realizada pelo governo dos Estados Unidos se mantém: a Internet, uma ferramenta da emancipação humana, está sendo transformada no mais perigoso facilitador do totalitarismo, sublinha Assange. A ideia do fluxo de informações é degradada pelas origens físicas da Internet. Quem controla as estruturas físicas da web detém também as suas informações. Para lutar contra esse domínio, só resta desenvolver novas ferramentas criptográficas, diz o hacker australiano.
Fazendo uma analogia com a estratégia de Mahatma Gandhi, Assange diz que a criptografia é a última forma de ação direta não-violenta. Ainda que um Estado impusesse uma violência física sem limites, seria incapaz de descriptografar os dados e ter acesso às informações. Com isso, seria possível aos cidadãos manter segredos e escapar da vigilância dos Estados.
Segundo os especialistas ouvidos por Assange no livro Cypherpunks, ao mesmo tempo que a Internet permite mais comunicação, ela também abre portas para mais vigilância. A tecnologia permite a coleta massiva desses dados. Ao divulgar nossas ideias na Internet, viramos informantes de nós mesmos.

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Vendas de 1984 explodem após escândalo de monitoramento dos EUA

Vendas de 1984 crescem 7000% após escândalo de monitoramento dos EUA
Câmeras por todos os lados. Observação 24 horas. Vigilância constante e punições severas. Um quarto de tortura que leva a pessoa à beira da insanidade. Crueldade, totalitarismo e poder. Embora este cenário se encaixe bem no mundo atual (ainda mais com protestos sendo duramente reprimidos em São Paulo), George Orwell já o previa desde 1949, quando publicou o profético “1984”. Citado ocasionalmente quando se fala de instalação de câmeras, controle do Estado sobre as pessoas e o “Big Brother” tolhendo a privacidade do cidadão, Orwell foi convocado pelos leitores mais uma vez.

Isso por que veio à tona um esquema gigante de monitoramento de dados telefônicos e da internet – evidentemente realizado na ilegalidade – operado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. A notícia foi tão impactante que “1984” automaticamente foi tirado das prateleiras ou, ainda, teve aumento de 7.000% nas vendas na Amazon, saindo da 12.859ª posição para a 184ª no ranking.

A situação é, de fato, grave. A insegurança gerada em todos aqueles que interpretaram esta notícia como um terrível ato de controle e repressão ao invés de, simplesmente, uma tentativa de proteção foi enorme e muitos começam a refletir sobre os limites do Estado.

Pensando nisso, é inevitável lembrar (pela segunda vez no mesmo ano, após a polêmica da maioridade penal) do incrível “Vigiar e Punir”, do filósofo francês Michel Foucault. Dentro muitas reflexões, a principal é sobre como a punição e a vigilância não têm o propósito de proteger, mas sim de educar e adestrar as pessoas para mantê-las dóceis e obedientes. A ideia de que há um perigo mortal para além de certas fronteiras desencadeia basicamente duas atitudes: obediência, que é almejada e incentivada pelo Estado repressor e protesto, que pode ser inibido ou punido através de penas, prisão, ou ainda os secretos “quartos 101” que existem mundo afora, sem que os obedientes ou temerosos da punição se importem ou desconfie.
Na mesma obra, Foucault ainda fala do “sistema panóptico”, no qual uma torre central em forma de anel permite a observação constante de todos e, ainda, a punição de todos aqueles, sendo um sistema do qual é impossível fugir e ao qual não é possível se opor.

Quando Orwell criou sua Oceânia, me atrevo a dizer que queria fazer com que as pessoas nunca trocassem sua liberdade de pensamento e existência por segurança ou proteção. No entanto, o que parece é que uma maioria ainda prefere a certeza da punição em troca de segurança do que garantir seu direito de liberdade. Que os muitos livros comprados sirvam para incitar uma reflexão no caminho contrário ao do comodismo e do “duplipensar”.

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Em defesa de Edward Snowden


Este analista de sistemas de 29 anos deixou para trás toda a sua vida: sua namorada, seu emprego e sua casa, para denunciar um chocante programa do governo dos EUA chamado PRISM. Esse programa leu e arquivou uma cópia de todos os nossos emails, mensagens enviadas pelo Skype, publicações no Facebook, e telefonemas durante anos. 

Quando o soldado Bradley Manning tornou público esse mesmo tipo de informação para o Wikileaks, os EUA o confinaram a uma cela solitária na prisão, nu e em condições que a ONU definiu como sendo "crueis, desumanas e degradantes". 

As autoridades e a imprensa estão decidindo como lidar com este escândalo. Se milhões de vozes em nossa comunidade apoiarem Edward nas próximas 48 horas, isso vai transmitir uma poderosa mensagem de que ele deve ser tratado como alguém corajoso por ter feito esse tipo de denúncia, e que o programa PRISM – e não ele – deve ser o alvo do ataque dos EUA.


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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Citações de 1984 - George Orwell


76 Sob a frondosa castanheira
Eu te vendi e tu me vendeste:
Lá estão eles, e aqui estamos nós,
Sob a frondosa castanheira.

99 GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA

203 O Capítulo I, como o III, não lhe dissera nada que já não soubesse; apenas sistematizara o conhecimento que já possuía. Mas depois de lê-lo tinha maior certeza de não estar louco. Estar em minoria, mesmo em minoria de um, não era sintoma de loucura. Havia verdade e havia mentira, e não se está louco porque se insiste em se agarrar à verdade mesmo contra o mundo todo. [...] Adormeceu murmurando "A sanidade mental não é questão de estatística", e com a impressão de que essas palavras continham profunda sabedoria.

204 Foi apenas uma fantasia desesperada,
Que passou como um dia de abril,
Mas um olhar, uma palavra, e os sonhos provocados,
Roubaram o meu coração gentil!

Dizem que o tempo tudo cura,
Dizem que sempre se pode esquecer,
Mas os sorrisos e lágrimas anos a fio,
Ainda fazem meu coração sofrer.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

1984, George Orwell 1948 1949

Recomendo.

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Na Pior em Paris e Londres, George Orwell 1920s 1933

Recomendo.

14 Havia também Henri, que trabalhava nos esgotos. Era um sujeito alto e melancólico, de cabelos crespos, com certo ar romântico em suas longas botas de trabalho. A peculiaridade de Henri era não falar por dias a fio, exceto por motivos de trabalho. Havia apenas um ano, tinha um bom emprego de motorista e vinha guardando dinheiro. Um dia, apaixonou-se e quando se viu rejeitado pela garota perdeu o controle e deu-lhe um chute. Ao levar o pontapé, a garota se apaixonou desesperadamente por Henri e, por quinze dias, viveram juntos e gastaram mil francos das economias dele. Então, a garota foi infiel; Henri enfiou-lhe uma faca no braço e foi parar na prisão por seis meses. Assim que foi esfaqueada, a garota ficou mais apaixonada que nunca, os dois fizeram as pazes e resolveram que, quando saísse da cadeia, Henri compraria um táxi, eles se casariam e iriam morar juntos. Mas, quinze dias depois, a garota foi infiel de novo, e quando Henri saiu da prisão ela estava grávida. Henri não a esfaqueou novamente. Tirou todo o dinheiro da poupança, desandou a beber e acabou na cadeia por mais um mês. Depois disso, foi trabalhar nos esgotos. Nada o fazia falar. Se lhe perguntavam por que trabalhava nos esgotos, não respondia, apenas cruzava os pulsos, para dizer algemas, e apontava com a cabeça na direção da prisão. A má sorte parecia tê-lo deixado abobado em um único dia.





Sinopse fornecida pela editora: No final do anos 20, decidido a tornar-se escritor, o jovem Eric Arthur Blair resolveu viver uma experiência pioneira e radical: submeter-se à pobreza extrema - e depois narrá-la. Em 1928, instalou-se em Paris com algumas economias e começou a dar aulas de inglês - mas em pouco tempo perdeu os alunos e foi roubado. Sem dinheiro, passou fome, penhorou as próprias roupas, trabalhou em restaurantes sórdidos e por fim partiu para a Inglaterra. Enquanto esperava por um emprego incerto, radicalizou ainda mais sua experiência convivendo intensamente com os mendigos de Londres, perambulando de albergue em albergue, atrás de dormida, comida e tabaco. 
É essa vivência miserável que Orwell relata com humor e indignação, distanciamento e participação. Recusado por várias editoras inglesas, o livro só foi publicado em 1933, trazendo, pela primeira vez, o pseudônimo que consagraria um dos maiores escritores do século XX. Com posfácio de Sérgio Augusto.
O livro faz parte da coleção Jornalismo Literário, que lançou clássicos de Gay Talese, Truman Capote e Joseph Mitchell, entre outros.



MENTIRA. Ele não se submeteu à pobreza voluntariamente. Foi roubado e perdeu os alunos e o emprego.

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