quinta-feira, 10 de agosto de 2017

As Sombras de Jesus (Caciano Camilo Compostela)

❝O universo é equilíbrio, compensação, equiparação e - ensina a Cabala - guarda para cada porção de luz, seu correspondente em sombras; ou seja, é infantil imaginar que alguém possa avançar em altura sem alargar-se em profundidade.
Apenas indivíduos néscios e pobres de espírito se acreditam donos da sabedoria e iluminação, a realidade é que quanto mais se floresce em compreensão, mais fundo descem as raízes conscientes de sua própria ignorância e escuridão.
O episódio simbólico da tentação de Jesus expõe num quadro dramático a humanidade da sublimação íntima, deserto pelo qual passamos todos, diariamente.
Na contramão do Jesus sempre radiante, sorridente, simpático e de madeixas impecáveis, um estudo mais sincero nos relata que tinha ele também seus momentos de dúvidas, dificuldades e tristezas; mais que isso, por vezes Jesus chorava, irritava-se ou simplesmente senta-se para beber com marginalizados.
Essa imagem mais ou menos 'New Age' de um Jesus com olhos esbugalhados, sereníssimo, perfeitíssimo, emanando raios violetas de efeito quântico é, do ponto de vista iniciático, tão ingênua quanto inacessível.
Nossa necessidade de super-heróis faz-nos pintar em tintas demasiadamente fortes luz e trevas, transformando os santos imaculados e bruxas voadoras do ontem nos mestres ascensos e extraterrestres de hoje.
Sob a mesma ótica podemos observar-nos: quem imagina-se e diz-se pura luz, ignora o fato de quem muito recebe, muito deve pagar. Não poucas vezes, é justamente o mais caridoso, amoroso, cativante, alegre e feliz o que esconde as maiores amarguras.
É como n'Árvore da Vida, cada ponto de luminosidade possui seu correspondente em sombras. Não se pode acender uma vela pra D'us sem acender-se outra para...❞

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