quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sal Rosa do Himalaia é modismo?

Mais uma vez foi criado um post polêmico sobre algum alimento e, como de costume, recebi muitos pedidos para compartilhar minha opinião sobre o tema. 
Por Flávio Passos.

Assim sendo, vou compartilhar ponto a ponto do que está contido no postem questão.

Em primeiro lugar, o consumo de sal não refinado é sempre superior ao consumo de sal refinado por alguns motivos. Se o sal é rosa, azul, preto, vermelho.... da China, Paquistão, Venezuela, Peru ou Brasil, pouco importa. 

Vamos às alegações:
"Obviamente consumir sal rosa do himalaia é puro modismo, aliás o sal não vem do himalaia, mas sim do Paquistão."

Já visitei o oriente diversas vezes, e observei que na Índia, Paquistão e outros países o consumo de sal mineral (de rochas) é relativamente comum, e inclusive recomendado pela ayurveda para algumas finalidades. 

Se é um modismo, ele tem mais de 5.000 anos. E sim, o paquistão, onde se encontram as maiores minas, está compreendido nos Himalaias, assim como a cordilheira dos Andes se estende para além dos limites do Peru.

"Ele realmente possui mais minerais que o sal comum, porém continua sendo uma quantidade insignificante. Para esses minerais atingirem concentrações ideais e surtirem efeito seria necessária uma enorme concentração de sal, o que não é viável. Continue apostando nas frutas legumes e verduras."

Eu não acredito que ninguém trate o sal rosa como um suplemento de minerais, mas como um sal não-refinado que, em razão dos outros minerais associados, é processado de forma mais harmônico pelo organismo.

"Sal rosa tem muito flúor, que é altamente tóxico, prejudicando o funcionamento do nosso cérebro (apesar das pastas de dente serem lotadas de flúor achei que esse dado era relevante), será que vale a pena o risco?"

O sal rosa possui 83 minerais-traço, como iodo, manganês, vanádio, além do raro prometium (Pm)) e ainda, ferro. A sua cor se deve a essa concentração de minerais e ferro. 

Ele é indicado por inúmeros profissionais atualizados por conter minerais ionizados, o que proporciona melhor interação com os líquidos do organismo.

O Flúor do sal rosa é o natural, essencial à vida (criolito ou fluoreto de sódio, e fluorospar ou fluoreto de cálcio), presente em frutas como abacate e maçã, não é o mesmo adicionado na água ou pasta de dentes. Este sim é nocivo, já que é subproduto industrial tóxico chamado ácido fluorocilico, adquirido de fábricas de produtos químicos como a China. 

Trata-se de um coquetel tóxico de mais de 100 produtos químicos industriais e metais pesados, muitos dos quais são comprados em grandes quantidades a partir da China, onde tentam se livrar de seu excesso de resíduos tóxicos rotulando-o “fluoreto de sódio.” Esta confusão entre flúor natural e o ácido fluorocílico produzido industrialmente até pode confundir em um primeiro momento, mas basta pesquisar.

"Agora olhe nas fotos como é a extração do sal, olha o estado do local, das pedras de sal e principalmente dos funcionários. Onde a necessidade de alimentação "limpa" e idealizada está nos levando? Degradação do meio ambiente e trabalho praticamente escravo de seres humanos. Para que? Por um produto cheio de areia, sujeira e contaminantes."

Quem visita o oriente asiático sabe bem que as imagens desta mina de extração de sal são o padrão de trabalho em quase todas as áreas da região. 

Fazendas de frutas, de vegetais, de ervas, em praticamente todas é assim que os trabalhadores vivem, se vestem e operam há séculos. Não tem nada de particular com mais esta atividade de extração mineral. 

Lá é assim, e não é trabalho escravo: as pessoas recebem por isso. Você pode não concordar e achar degradante. Mas se observar com cuidado vai perceber que não tem muita diferença do trabalhador que extrai o sal em Mossoró, no Brasil.

Não vejo porque condenar isto sem questionar todo o modo de trabalho do oriente asiático como um todo. É como achar que o problema do mundo está concentrado na industria de alimentos de origem animal e ignorar a indústria da monocultura dos vegetais.

"E aí gasta-se horrores com transporte para importa-lo e leva-lo até a sua mesa, sendo que era só consumir o sal refinado com moderação. Isso quando espertões não pegam o sal grosso comum e jogam tinta rosa."

É comum na era globalizada importar artigos ao redor do globo. Exportamos alguns itens produzidos no Brasil, importamos outros. Condenar este processo é condenar todo o capitalismo moderno e, neste caso, seria importante ser coerente e abdicar do Iphone utilizado para escrever o post em questão. 

O mundo é globalizado em 2017 e, sim, faz sentido buscar produtos locais. Mas tentar salvar o mundo deixando de usar sal rosa não será o mais relevante da equação. Assim como usar ou não Sal Rosa não será a escolha mais determinante para a evolução da sua Saúde.

"Finalizando, o sal que consumimos sofre adição de iodo para controlar o Bócio, recomendação da OMS - organização mundial da saúde, e no Brasil a adição de iodo é obrigatória. "

Parece que o autor desconhece que todo o sal rosa ou qualquer outro importado precisa ser iodado por legislação. Não existe no Brasil Sal Rosa não iodado.

Em resumo: de novo vejo o sal criando mais barulho do que merece.

É possível resumir tudo o que você precisa saber sobre o sal em uma frase: Coma sal não-refinado (não importa a cor), em quantidades adequadas - nem muito, nem pouco. 

Pode ser do Himalaia ou de Mossoró. Você escolhe.
Fonte



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